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SELEÇÃO
DOS MELHORES COMENTÁRIOS ECONÔMICOS DO JORNALISTA
CLÁUDIO MONTEIRO |
PRIMEIRO
SEMESTRE DE 2.002
Brasil, 30 de julho a 06 de agosto de 2.002
SPB:
NOVAS E PESADAS TARIFAS.
CONTROLE SEU SALDO
DIARIAMENTE !
Há exatos três meses eu analisava aqui, de
forma crítica, o tal do SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro, que o
Banco Central ( BC ) estava colocando em prática no atacado e que
afetava, até então, apenas mega-corporações (
leia em Comentários
Anteriores ). Dizia também que quando o sistema entrasse em vigor
no varejo, previsto inicialmente para outubro, começaria a
complicar a vida financeira das pessoas físicas e jurídicas em geral.
Pois bem, prepara-se: o processo foi antecipado e já partir deste primeiro de agosto muitos
dos procedimentos em seu relacionamento e de sua empresa com os bancos, na
administração de sua conta-corrente, vão mudar. E para pior ! !
Sobretudo em relação aos
saldos em conta
e a criação de
mais tarifas
para você pagar.
O saldo em conta disponível passa a ter um
conceito completamente diferente daquele que é adotado
internacionalmente. Saldo disponível passa a ser o que você tem no
exato instante, minuto da consulta ou do débito. Não serão levados
mais em consideração, por exemplo, valores que estejam "em trânsito"
como cheques depositados e DOCs recebidos. No caso dos cheques, os de
valor até R$ 299,99 serão creditados somente depois de 3 dias --
que passam a ser 5 dias quando depositados às quintas e sextas-feiras,
e mais ainda nos feriados prolongados -- e os acima de R$
300,00 que só estarão liberados após 2 dias. No caso dos DOCs, somente
no dia útil seguinte ao envio.
E aqui um parênteses: o crédito vai demorar mais, porém o débito do
cheque ou DOC na conta do emitente continua sendo feito no mesmo dia
do depósito. Ou seja: durante "o trânsito" do dinheiro --
o interregno de 2, 3, 5 dias em que ele, apesar de ter saído da c/c do
emitente, não é creditado na c/c do depositante -- os
bancos irão continuar emprestando aquele mesmo dinheiro à juros
altos, sem remunerar nenhuma das partes..
Nessa nova interpretação de saldo disponível, você vai precisar
prestar muita atenção. CONTROLE SEU SALDO DIARIAMENTE (pela Internet,
mais de uma vez ao dia) e tome cuidado para não pagar encargos
financeiros que vão acontecer freqüentemente com quem descuidar por
qualquer motivo. Ao usar o limite do cheque especial ou qualquer outro
tipo de crédito direto em conta, sua agência somente vai reduzir
ou zerar o saldo devedor quando os cheques ou DOCs já tiverem
cumpridos aqueles dias de compensação que citei acima. Enquanto
isso, os altos juros estarão sendo cobrados.
O mesmo procedimento passa a valer também para débitos automáticos de
contas de telefone, água, luz, celular; parcelas de empréstimos
tomados na sua agência; débito em conta de cartões de crédito;
parcelas de seguros e etc. Não adianta mais depositar um cheque de 2
mil reais na primeira hora do dia 9 para cobrir seus pagamentos do dia
10 e sair de viagem tranqüilo, como antes. Se você tiver cheque
especial suas contas serão quitadas e você arcará com os encargos
financeiros. Caso contrário, suas contas ficarão vencidas, v. vai ter
dores-de-cabeça, pagar multa e juros para as concessionárias, correr o
risco de interrupção nos serviços; porque aqueles 2 mil só estarão,
literalmente, disponíveis na última hora da noite do dia 11...
Forre o bolso, também, pois novas e pesadas tarifas foram impostas
pelo BC !
Na verdade, sob os duvidosos argumentos de dar maior agilidade e
segurança ao sistema; diminuir o volume de cheques; e facilitar
a vida dos correntistas, o Banco Central criou mais uma expressiva
fonte de receita para os bancos. Que vão faturar muito mais -- e por
exemplos, que você verá abaixo, não é difícil concluir que serão
milhões de reais -- com muito menos custo.
A partir de agora passa a fazer parte do nosso dia-a-dia uma nova sopa
de letrinhas. Bem salgada. Além do tal SPB --
que soa mais como Sapos Para os Brasileiros,
Soluções Para os Bancos ; estão criadas a CVL (Comissão sobre
Valor Liberado) ; a TED (Transferência Eletrônica Disponível)
e a TA (Tarifa Adicional) , que
vêm se somar à nefasta CPMF !!
Esta tal CVL é uma comisssãozinha que os bancos
vão cobrar quando você ligar para o gerente de sua agência
-- em nome dos inúmeros produtos bancários que ele te vendeu
"para fechar as cotas dele", mas sobretudo em cima de um
depósito que você tenha feito -- e pedir para ele liberar
um saque para o mensageiro ou não devolver um cheque que será
compensado naquela noite -- que está coberto, mas não "disponível". Cá
para nós, esse termo "Comissão" , não soa bem, não é mesmo? Não sei se
todos os bancos irão adotá-lo.
Quanto à TED -- sobre a qual o Banco Central propagou que
seria a oitava maravilha, pois o crédito é feito na conta do
favorecido on-line -- e que passa a ser
realizada a partir de 5 mil reais; veio acompanhada de tarifas que
extrapolam o real valor do serviço. Serão cobrado 8 reais fixos
mais (e aí a real novidade extorsiva, tarifa flutuante) 0,07%
sobre o valor de cada transferência. Parece pouco? Uma empresa ao
fazer uma TED de,digamos, 200 mil (qualquer loja de
eletrodomésticos paga ao fornecedor isso) vai desembolsar aquela
alíquota que dá 140 reais, mais os 8 reais, 760 reais de CPMF . Além
da pesada carga tributária a empresa pagará, agora, mais 908 reais
extras apenas para quitar uma duplicata do fornecedor. Um absurdo. Não
há empresário, que agüente. Depois a Receita Federal e o governo
reclamam que há muita sonegação...
Já os cheques e DOCs, de valor igual ou superior a 5 mil reais
emitidos e depositados em bancos diferentes, ainda não foram
proibidos nessa etapa de implantação do SPB, porém sobre eles já será
cobrada tarifas a partir do próximo dia 7 de agosto. Por exemplo, se
você conseguiu um empréstimo para comprar uma casa de 100 mil reais,
ao passar o cheque para o vendedor vai ter que pagar, além de todas as
taxas e altos juros do financiamento, uma tal Tarifa
Adicional de 0,015% . Vai desembolsar 395 reais extras (380 de CPMF e
15 reais de TA). Se você optar por passar um DOC de sua agência para
pagar o imóvel desembolsará mais porque a TA sobe para 0,037%. Serão
R$ 427 ( 10 da tarifa do DOC + 37 de TA + 380 reais de CPMF). As duas
opções, ainda são mais atraentes que fazer uma TED, em que você
pagaria, em cima dos mesmos 100 mil, a bagatela de R$ 458 ( 8 fixos +
70 dos 0,07% de tarifa flutuante + 380 de CPMF). Mas fique atento e
consulte, no dia, porque o BC sinalizou que deve aumentar estas
tarifas sobre cheques e DOCs, já em setembro.
Esse SPB é ou não é um SAPO
para o cidadão brasileiro engolir ???
Uma
ótima semana
para todos -- agosto é mês do
cachorro-louco. Mas quem inventou o tal SPB, com estas tarifas
violentas, não estava nem um pouco doido, e sim lúcido movido por
outros interesses...
-- terça-feira (06/08)
eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 16 a 30 de julho de 2.002**
**Complicações
na que o autor foi submetido há 15 dias, forçaram uma nova
cirurgia. Em razão disso, excepcionalmente,
o comentário foi prorrogado até a próxima terça-feira (30)
O REAL E OS BRASILEIROS
CAINDO NA REAL ...
Passada a justíssima euforia geral dos brasileiros pela conquista do
penta na Copa do Mundo do Japão e Coréia do Sul,
é hora de voltar à dura realidade da combalida economia de nosso país.
Mas não àquela economia que é planejada e imaginada como
real nos confortáveis gabinetes do Ministério da Fazenda e do
Banco Central, mas sim àquela comprovadamente real que afeta o
dia-a-dia do cidadão-torcedor-comum.
É bem verdade que o governo aposta que possa prolongar ainda um pouco
mais a festa da conquista da seleção canarinho. Não bastasse a
maratona dos jogadores iniciada no Distrito Federal --
oportunidade em que o cerimonial do Palácio do Planalto conseguiu que
o presidente FHC faturasse dividendos políticos e os heróis ficassem
quase o dia todo em Brasília -- quem vai agora percorrer
as 27 unidades da federação será a taça de ouro erguida e beijada pelo
ex-menino pobre do jardim Irene e pelo ex-professor de sociologia da
USP.
Os marqueteiros governistas, a la Médici, na
copa de 70, esperam com isso desviar o foco de atenção do povo
da crise que ronda o país. Esperam mais. Esperam amortecer os aumentos
exagerados nos preços dos serviços públicos e produtos essenciais como
a eletricidade, o telefone, o gás de cozinha, a gasolina, os planos de
saúde, as passagens urbanas e rodoviárias e o feijão, que
ultrapassou os 70%, e com isso, quem sabe, estancar a queda livre
do candidato do governo, José Serra, nas pesquisas e, pelo menos,
tentar levá-lo ao segundo turno das eleições presidenciais.
Será difícil continuar inebriando os torcedores-cidadãos ou
encobrir a realidade que está batendo forte na cara e na
estabilidade da moeda brasileira. A desvalorização do Real quebrou
todos os recordes desde a sua criação e encosta esta semana na cotação
de três Reais por um Dólar. Justamente no momento em que a economia do
Estados Unidos é sacudida por sucessivos escândalos de fraudes no
balanços financeiros de mega-corporações e, por conta disso, até a
recém-criada moeda unificada da comunidade européia, o Euro, está mais
valorizada do que o dólar americano.
Vê-se, por aí, que não são só causas
externas, entre elas o subjetivo risco-país -- estimado
por agências americanas -- que estão provocando turbulências em
nossa economia. É evidente que aqui acabam respigando, como de fato
estão, as crises da Argentina, do Uruguai e agora a do Paraguai, onde
a histórica fragilidade da democracia descamba atualmente para
uma panela de pressão sócio-econômica. Mas as causas internas
provocadas por sucessivos erros de política econômica cometidos pela
equipe capitaneada pelo ministro Malan, com pleno aval e prestígio do
presidente FHC, são extremamente visíveis e não podem ser corrigidas
com remendos de final de governo.
E o maior dos erros de política é, e foi,
sem dúvida, a opção por priorizar a Economia em detrimento do Social.
Erro crasso do atual governo em achar que debelando a inflação,
estabilizando a moeda e controlando o déficit nas contas públicas
estaria pronto o cenário para o crescimento do país. Ledo engano. É
preciso fomentar o desenvolvimento através do quadripé Saúde,
Educação, Emprego e Renda para que haja sustentabilidade de qualquer
modelo econômico. O arrocho salarial, a partir de um salário mínimo
absolutamente indecente, a pesada carga tributária imposta aos
empresários, a inconsistente manutenção de juros oficias altos
combinada com a vergonhosa conivência explicita com os juros
extorsivos praticados na ponta ao consumidor e
o desemprego
são fatores preponderantes no atual quadro de instabilidade.
A falta de uma política de
geração de empregos se reflete de forma sintomática nos pátios
lotados das montadoras. Sem emprego ninguém compra ou troca de carro.
Por outro lado, era a cadeia industrial automobilística que mais
gerava empregos diretos e indiretos no Brasil. Era, porque uma coisa é
facilitar a vinda de fábricas, criando milhares de empregos para os
brasileiros, Outra coisa é facilitar, ou melhor escancarar --
como foi iniciado no governo Collor e prosseguido nos dois mandatos de
F. Henrique -- as portas para importação de veículos, remetendo
bilhões de dólares em divisas para o exterior e gerando empregos, sim,
mas além-mar. Aliás, justamente o Japão e
a Coréia do Sul saíram das cinzas e se
tornaram potências em apenas cerca de 30 anos investindo primeiro em
educação, saúde e nas exportações como forma de gerar emprego e renda...
Uma
boa semana
para todos -- nenhum país consegue
crescimento econômico sem crescimento social
-- terça-feira (30/07)
eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 02 a 15 de julho de 2.002**
**
Excepcionalmente
a periodicidade semanal do artigo foi estendida, em razão de cirurgia
a qual o autor foi submetido.
O DEVER E A OBRIGAÇÃO DO
NOVO PRESIDENTE.
E A NOSSA RESPONSABILIDADE AO ELEGÊ-LO ?
Daqui a apenas três meses vamos eleger o novo presidente
brasileiro que terá sobre si o dever e a obrigação de realizar
transformações socioeconômicas no Brasil.
Dever de desenvolver um projeto que possa levar nosso povo ao patamar
de dignidade social. Obrigação de reverter para os cidadãos uma
das mais elevadas cargas de impostos do planeta. Mas em forma de
benefícios coletivos palpáveis, e não desperdiçada em caros comerciais
de propaganda oficial na TV, como há anos estamos acostumados a
assistir por todos os rincões do país.
Dever de realizar obras econômicas, sociais e de infra-estrutura
básica, mas também realizar obras para o Homem enquanto ser
pensante e não apenas como eleitor ! Obrigação, enfim,
de resgatar valores e fazer os brasileiros se sentirem orgulhosos não
apenas por serem pentacampeões no futebol. Mas, também, e sobretudo,
por serem penta em Saúde; Educação; Trabalho e Salário
Decentes; Dignidade e, acima de tudo, o que não acontece hoje:
Respeitados por seus Governantes !!
São muitos deveres e obrigações? São! Mas quem não pode com mandinga,
não carrega patuá, diz o ditado popular. O político que não estiver
disposto a assumir estes, e centenas de outros, deveres e obrigações
que não se candidate a presidente da República !!
Nem tampouco reclame ele, depois de eleito e empossado, da
cobrança, da fiscalização, dos questionamentos e do rigor da Imprensa.
Esse é, mais do que o papel, o Dever e a Obrigação dos jornalistas
profissionais: questionar, denunciar os desmandos públicos e cobrar
soluções para os problemas que afligem a população. Os jornalistas e
os meios de comunicação tem o dever de ouvir os governantes --
e o fazem todo santo dia -- mas tem a obrigação maior de
dar voz aos cidadãos, na maioria das vezes destratados ou desamparados
pelo Estado.
Agora, e a responsabilidade de cada um de nós,
enquanto cidadão-eleitor, nesse processo? É menor que a dos
candidatos? Não. Na verdade é muito maior! Os desastres em
termos de presidentes que a história tupiniquim registra, têm a marca
de organizações poderosas, de interesses escusos, mas tem também, e em
grande parcela, a responsabilidade de todos nós eleitores, que lá os
colocamos. Influenciados ou não. A eleição de um presidente da
República, de um país como o nosso de 170 milhões de habitantes, não
tem tão alto grau de manipulação que possa por si só ser
creditada mais às "forças ocultas" . Não pode mais ser comparada
com a eleição de um vereador ou prefeito de uma cidade pequena, onde
ainda impera o voto de cabresto. É diferente. Tem muito sim a ver com
o voto inconsciente, com o voto errado, equivocado, induzido.
Quem de nós já não fez e ouviu a pergunta de um amigo, parente, ou
instituto de pesquisa: vai votar para quem ?? E quem de nós, algum
dia, não respondeu ou ouviu a resposta: "Não sei", ou "em ninguém,
nenhum presta"
, ou ainda "em qualquer um, tanto faz" . Faz e faz muita diferença. É
o voto consciente de cada um de nós -- analisando as
diferentes propostas de candidatos e, sobretudo do seus partidos, a
seriedade, a honestidade, o passado, as promessas cumpridas ou não
-- que pode levar a eleição de um novo presidente honrado e
compromissado com aqueles Deveres e Obrigações, que citei no início.
Agora é a hora. Só temos a oportunidade de transformar o país
no Brasil que sonhamos se formos partícipes da história. Use seu voto
como arma de defesa democrática. Como o consumidor desrespeitado
diariamente que elegerá alguém que vai -- OU NÃO -- com
vontade política e coragem, realizar a tão esperada reforma reforma
tributária; determinar a queda dos juros escorchantes; promover a
reativação do nível de emprego; a volta da ótima escola pública e do
bom hospital público. Um presidente que resgate a sua dignidade na
luta diária.!!
Uma boa quinzena **
para todos -- temos nas
mãos a responsabilidade do destino do nosso querido Brasil. Vamos marcar um gol de penta,
elegendo um presidente decente
-- terça-feira (16/07)
**
eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
**
Excepcionalmente
a periodicidade semanal do artigo foi estendida, em razão de cirurgia
a qual o autor será submetido.
Brasil, 25 de junho a 01 de julho de 2.002
JUÍZES TERÃO AUMENTO DE 3 MIL POR MÊS.
VOCÊ TEVE? NÃO, MAS VAI PAGAR A CONTA!
No final da semana passada o Senado
da República aprovou -- já quase no início das férias de
meio do ano dos senadores -- em regime de
urgência-urgentíssima e por votação simbólica dos líderes dos
partidos, um aumento salarial para os juízes federais que causa um
rombo no orçamento e indignação nos cidadãos que vão pagar a conta.
Em completo descompasso com a conjuntura econômica e a dura realidade
salarial dos brasileiros, os parlamentares aprovaram, na calada da
noite, um aumento dos atuais e já elevados 14,1 mil e 100 reais
para 17 mil e 100 reais de salário mensal para cada juiz da União.
São nada mais nada menos que exatos 3 mil reais de aumento, mais de
21%, que contrastam com as centenas de categorias profissionais que
amargam minguados índices de reajustes próximos do zero por cento, e
os milhões de servidores públicos que penam há 7 anos sem nenhum
tostão de aumento salarial.
Não bastasse o exagero do percentual e o significativo valor que ele
representa -- quantas milhões de famílias não viveriam
extremamente bem apenas com uma renda mensal de 3 mil reais? --
os senadores, PASMEM,
aprovaram também que os juízes federais vão
receber o reajuste retroativo a janeiro de 1.998 !!
É uma
bolada de
4 anos e meio para trás. Cada juiz vai receber, só de diferença,
o correspondente a 54 meses X 3 mil reais. Ou a bagatela
de 162 mil reais ! A brincadeira vai custar aos cofres públicos,
em estimativas ainda preliminares, entre 800 milhões e 1 bilhão de
reais. Pagos, evidentemente, por todos os cidadãos brasileiros. Sem
exceção.
Que me desculpem os juízes -- e penso que entre eles os
honrados, justos e de caráter devem reconhecer isso -- mas
é muita disparidade salarial e um rombo muito profundo no orçamento da
União.
Disparidade num país onde o governo mantém arrochado o Salário Mínimo
num vergonhoso patamar de 200 reais e os mesmos parlamentares da base
governista, que acabam de conceder o absurdo aumento retroativo aos
juízes federais, relutam em aprovar um reajuste de apenas 40 reais
para os milhões de trabalhadores que sobrevivem, Deus sabe como, com o
Salário Mínimo. E isso para vigorar somente em abril de 2.003...
E o mais cômico, se não fosse trágico, é
que o rombo no orçamento federal provocado pelo aumento aos
juízes vai ser pago por todos os cidadãos-contribuintes. Ricos,
os da classe-média, os remediados e os pobres. Mas sobretudo os
pobres, que ganham o SM, ou menos, e imaginam que pagam pouco de
impostos. Mal sabem eles que pagam a grande carga de milhões em
impostos quando compram o quilo de arroz , feijão e farinha;
embarcam espremidos nos ônibus ou adquirem, fiado, na farmácia
da esquina, um caro remédio. De marca ou genérico...
...E que pesa mais para eles, pobres, qualquer elevação na carga
tributária -- ou qualquer desvio de impostos de programas
sociais para pagamento de salários estratosféricos -- do
que para os mais abastados, a quem um percentual de imposto a mais ou
a falta de um posto de saúde na periferia não faz a menor falta.
É injusto!
Agora, ainda resta uma esperança que essa injustiça aprovada no
Senado não seja colocada em prática. O projeto de aumento retroativo
aos juízes da União tem que passar pela sanção do presidente da
República, Fernando Henrique Cardoso, que tem, constitucionalmente, o
poder de vetar o projeto no todo ou em parte.
Quem sabe FHC -- estimulado pelo espírito das festas
juninas, que lembram sempre humildade e igualdade entre os homens nos
arraiás -- não tenha um lampejo dos tempos em que,
apenas professor de Sociologia da USP, defendia e pregava com vigor
que não deveria haver tantas desigualdades sociais, nem tanta e
tamanha disparidade de renda e vete o projeto. É uma esperança. Nunca
é tarde. Ele, ainda, tem a caneta nas mãos e poderia usá-la em favor
de uma causa justa!!
Uma boa semana para todos -- será
que o Lalau, que exercia o cargo de juiz em 98, também vai se
locupletar com a bolada salarial retroativa??...
-- terça-feira (02/07)
eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 18 a 24 de junho de 2.002
CARA-DE-PAU DAS INDÚSTRIAS DE PAPEL HIGIÊNICO
DEIXA CONSUMIDORES COM CARA-DE-BUNDA ! !
Podem apagar a velinha. Está
completando exatamente um ano que as três maiores fabricantes de papel
higiênico formaram um cartel e impuseram ao mercado e aos
consumidores brasileiros uma brutal diminuição de 1/4 na metragem dos tradicionais
rolos de 40 metros.
E neste caso a cara-de-pau das indústrias foi tanta que elas nem se
preocuparam em "maquiar" a embalagem -- como aconteceu com
tantos outros produtos. A estratégia, condenável, também
não veio acompanhada da correspondente redução de preços, como seria o
óbvio, lógico e natural. Se houvesse respeito, é óbvio também, ao
consumidor. Ao contrário, os preços foram mantidos e, pior, depois
ainda aumentaram !
As gigantes que se mancomunaram -- Klabin-Kimberly, a
Melhoramentos e a Santher, que dominam cerca de 80% do mercado --
aplicaram um pequeno-grande golpe, que passou e ainda passa
despercebido por muita gente. Até porque o assunto/produto não é dos
mais agradáveis e, infelizmente, ainda é comprado, pela grande
maioria, como um "mal necessário". Nos supermercados é uma das
gôndolas onde menos se demora e menos se compara preços...
Mas, na verdade, o pequeno plano arquitetado e planejado de forma conjunta é
um golpe milionário! Dos 40 metros foram subtraídos
25% (10 metros) , e os rolos passaram a ter, da noite para o dia, 30 metros. Olhando e
apalpando as embalagens, parece insignificante, parece que nada mudou,
parece pouco. Mas, não é !! Significa que os fabricantes passaram a
faturar a mesma coisa, ou muito mais, empregando apenas 3/4 da
matéria-prima utilizada anteriormente!
Para se ter uma idéia do rombo que se tornou o fato no seu orçamento
doméstico,
basta registrar que hoje nós, na realidade, levamos 3 rolos e pagamos
4. Isso mesmo! Raciocinem comigo: o pacote tradicional, com 4 rolos de
40 mts cada, tinha 160
metros. Agora, são 4 rolos de 30 mts cada e apenas 120 metros, no
total. Menos 40 metros, ou melhor 1 rolo subtraído do seu bolso.
Uma cilada, absolutamente indecente!!
Em dinheiro, a malandragem rendeu uma fortuna.
Segundo cálculos preliminares da Secretária de Acompanhamento
Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, em 6 meses, só as três
indústrias citadas, tiveram lucro adicional de 60 milhões de reais,
Conseqüentemente, neste primeiro ano da maracutaia, as
três fabricantes embolsaram a bagatela de algo em torno de 120 milhões de reais
em dinheiro fácil.
Iniciado pela Klabin-Kimberly, fabricante das marcas Neve e Nice; pela
Melhoramentos (Sublime); e pela Santher (Personal e Pétala) --
as três irmãs com penetração nacional -- o cartel
foi ampliado com a "adesão" de indústrias de âmbito regional. Caso da
Facepa, do Pará, que produz as marcas Le Blanc e Floral; e da
Ondunorte, de Pernambuco, que fabrica as marcas Novo e Leve, que
também diminuíram o rolo de 40 para 30 metros.
O desrespeito, a imposição e a busca pelo lucro fácil por parte
dessas indústrias em prejuízo de milhões de cidadãos são tão
humilhantes e abusivos que não é desproporcional dizer que elas estão,
literalmente, fazendo os consumidores de palhaço. Deixando-nos, a
todos, com cara-de-bunda !! Com a complacência de órgãos
governamentais. Cadê o CADE , Conselho Administrativo de Defesa
Econômica que, passados um ano, permite esse descalabro? Por que a
Secretaria de Direito Econômico (SDE), a quem é ligado o CADE, apesar
de ter poderes para tal, não determina a imediata volta à produção
pela metragem anterior? Ao invés de apenas aplicar, como fez no ano
passado, uma multa de 2 milhões de reais. O que significa este valor
para cada fabricante?, se eles dividiram, ou melhor repartiram
cerca de 120 milhões do lucro fácil obtido??
Além de pequenos fabricantes que não aderiram ao cartel --
exemplo da Alpes, do Maranhão, que continua fabricando o Rosa do
Campo, em rolos com 40 metros -- passa despercebido mas
algumas Marcas Próprias de redes de supermercados, que são
fabricadas, na verdade, pelas três grandes, mantêm os 40 metros.
Exemplo do papel BomPreço, da rede HiperBompreço, que é fabricado sabe
por quem? Justamente, pela Klabin-Kimberly ...
Desamparados como estão, só resta aos consumidores utilizar sua melhor
arma: o boicote. Não comprar as marcas cartelizadas; optar por papéis
mais simples mas que dignamente não reduziram a metragem; ou
simplesmente usar a duchinha ao invés de papel -- faz bem
para a saúde, é de graça e ainda previne o aparecimento ou
alivia a dor de quem tem hemorróidas...
Uma boa semana para vocês --
com o perdão da palavra, os fabricantes de papel
higiênico estão tratando o consumidor como um monte de m...
-- terça-feira (25/06)
eu volto.
Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 11 a 17 de junho de 2.002
APOSENTADORIA MÁXIMA DO INSS
AINDA É MUITO BAIXA E INJUSTA !
Neste mês de
junho o Ministério da Previdência Social anunciou as tabelas de
reajuste das aposentarias pagas pelo Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS), entre elas o teto
máximo, que ainda é muito baixo e extremamente injusto: já
atualizado passou para apenas 1.561 reais.
Mesmo assim, esse teto é recebido por pouquíssimas pessoas. De um
universo de cerca de 20 milhões de aposentados e pensionistas do INSS,
apenas 70 mil deles têm direito ao benefício máximo. Na
outra ponta, mais de 13 milhões recebem apenas -- e tão somente
-- o minguado salário mínimo que, ano após ano, vem perdendo
dramaticamente o seu poder de compra.
Só para se ter uma noção da perda
do poder aquisitivo dos trabalhadores que sobrevivem com o "salário"
é suficiente registrar que desde a década de 40, quando foi criado
durante o governo de Getúlio Vargas, o SM acumula perdas sistemáticas
e sucessivas. Naquela época o valor corrigido corresponde hoje a 660
reais. Na década de 50 chegou a atingir, em valores atuais, 1 mil
reais. Em 1.940, o trabalhador gastava apenas 40% do SM para comprar a
cesta básica do mês. Hoje, gasta 73% do SM com a mesma cesta para se
alimentar com dignidade mínima. Sem nenhum trocadilho.
Pois é com esse Mínimo que 65% dos
aposentados, aqueles mais de 13 milhões que citei lá em cima,
têm que sobreviver atualmente. Para se ter uma idéia da injustiça
social que isso representa, há oito anos, em 1994, esse
percentual era de apenas 32% . Portanto,
68% recebiam, naquele recente período, mais do que um Salário
Mínimo...
É a prova mais contundente de que alarga-se no Brasil o fosso das
desigualdades socioeconômicas. Não só entre a população economicamente
ativa mas também -- e muito pior -- entre os
trabalhadores aposentados. É indigno trabalhar a vida
toda, recolhendo religiosamente contribuições para o INSS e, na
velhice, 2/3 de nossos aposentados ganharem apenas minguados e
humilhantes 200 reais mensais.
Por outro lado não é menos difícil, nem menos injusto, para algum pai
ou mãe-de-família que sustenta a casa há muitos anos com um padrão
salarial, digamos por exemplo, de 4 mil reais mensais, e se veja
na contingência de passar a receber proventos de aposentadoria
limitados ao teto, atualmente, de 1.561 reais. Ora as contas não
diminuem, quando alguém, seja trabalhador assalariado,
micro-empresário ou autônomo, atinja, depois de 35, 40, 45 anos de
trabalho, o justíssimo direito ao descanso, à aposentadoria ou o
recebimento de pensão por morte do companheiro ou companheira.
É olhe lá, são apenas 0,35% dos beneficiários
-- aqueles cerca de 70 mil cidadãos, que mencionei no começo
deste artigo -- que conseguem receber do INSS o benefício
"máximo" . Francamente...
Não bastasse isso, com a reforma de\ Previdência -- idéia
fixa do governo federal e aprovada à toque-de-caixa no Congresso
Nacional, pela esmagadora maioria de deputados e senadores da base
governista -- milhões de brasileiros que começaram a
trabalhar mais cedo foram penalizados. Com a instituição da idade
mínima de 48 anos para as mulheres e 53 anos para os homens se
aposentarem pelo INSS, muitas pessoas vão ter que trabalhar cinco,
seis, anos à mais, mesmo tendo completando os 30/35 anos previstos na
legislação anterior...
Portanto,
meu jovem-velho leitor, se você já passou dos 40 anos trate de
se precaver e se associar a um plano de aposentadoria privada para
complementar o rendimento pago pelo INSS. Mas procure um dos grandes
bancos, para evitar alguma surpresa negativa no final de sua carreira,
quando você, merecidamente, for desfrutar do afastamento do trabalho
diário.
Uma boa semana para
vocês--
é melhor se precaver desde cedo, porque a fila
do antigo INPS
ainda continua longa e as aposentadorias
desumanas
--
terça-feira (18/06) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 04 a 10 de junho de 2.002
EXIJA DESCONTO NA ANUIDADE.
SE NÃO, TROQUE DE CARTÃO DE CRÉDITO !!
Todo santo ano é a mesma coisa.
Você recebe de seu, ou seus, porquanto muita gente tem mais de um cartão de crédito, o extrato
das compras do mês já lançado o valor da
anuidade. Num prato feito, fato consumado.
Não aceite de cara o valor que tentam lhe impor. A grande maioria
deles, para não dizer a quase totalidade, aplica , na
renovação, anuidades incompatíveis com os preços de mercado. Sobretudo
em relação às
anuidades de adesão.
Explico: a estratégia dos cartões é oferecer uma anuidade inicial, com
descontos vantajosos e depois, na renovação, aplicar não o que seria
justo mas sim um valor absurdamente alto, apostando na acomodação
do cliente. Funciona mais ou menos na base do se colar, colou --
e o pior é que acaba colando em milhões de clientes, que não
ligam para reclamar e acabam pagando.
Não caia nessa
!! Ligue para a central de atendimento da
administradora e reclame, dizendo que está insatisfeito e que se for
aquele valor você prefere cancelar, ou melhor, não renovar o contrato
do seu cartão. A atendente vai transferir você
imediatamente para o setor de "cancelamento".
Lá, o atendente, que já tem mais autonomia para tentar dissuadir
o cliente a não concretizar o cancelamento, vai enrolar um pouco
porém
tem autorização para dar 30/40/50/60% de abatimento, dependendo da
administradora. E vai dizer para você algo do tipo: "com base no seu tempo como cliente; ou como o sr. sempre paga em dia a fatura; ou como o sr. sempre honrou a dívida
renegociada; ( só faltam falar "como o sr. nos paga muitos
juros") vamos lhe dar um desconto de 40%...
Negocie e só aceite se oferecerem no mínimo 40% ou 50% ,
este último percentual, o mais indicado. Até porque os concorrentes
oferecem descontos de 50%, 60%, 70% na primeira anuidade --
valor que você também pode e deve renegociar, depois de 1 ano, quando
da renovação, caso opte por mudar de cartão.
E caso a sua atual administradora se
mantenha irredutível em chegar num desconto significativo na
renovação, não titubeie, não tenha dúvidas, nem pruridos. Troque de
cartão, afinal as empresas tem lucros exorbitantes e ganham de todos
os lados : do cliente e do comércio e serviços em geral. Aliás os
comerciantes pagam taxas e percentuais altos sobre tudo o que você
compra ou consome.
Trocar de cartão não lhe causa problema
algum. Basta negociar o desconto um pouco antes do vencimento (e isso
ficou mais fácil com o advento da Internet onde 15 dias antes você já
pode checar o valor lançado da anuidade) , de modo a não ficar sem
cartão por uns dias, caso você só tenha um. Diferentemente do
cheque -- onde um cliente com 5, 10, 20 anos como
correntista do mesmo banco obtém mais credibilidade junto aos lojistas
-- não faz a menor diferença para os hotéis, empresas
aéreas e comerciantes em geral se o seu cartão de crédito foi emitido
há um mês, 1 ano ou 10 anos. O que vale para eles é a autorização
on-line ou pelo telefone dada pela administradora do cartão no ato da
sua compra ou consumo.
Portanto,
não tenha receio de negociar a anuidade, pedir bom desconto e, se for
o caso, trocar mesmo de cartão!! Há dezenas de propostas no mercado. O
seu banco mesmo deve ter alguns pré-aprovados para você, consulte o
site ou seu gerente. O ideal é ter dois cartões com espaço de
vencimento de 15 dias, nos quais você possa jogar as gastos de
cada quinzena e estar coberto quando da renegociação. Porém, mesmo
tendo só um, não hesite: exija desconto !!
Uma boa semana para todos, torcendo para a seleção derrotar também os
chineses --
E lembre-se: parcelamento no cartão só sem
juros. Caso contrário, você vai pagar mais de 200% ao ano de
encargos financeiros --
terça-feira (11/06) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 28 de maio a 03 de junho de 2.002
DEUS NOS LIVRE
DE UMA GUERRA COM A ESPANHA !!
Poucos se deram conta mas
devagarzinho, devagarzinho, os espanhóis foram aproveitando a brecha
das privatizações e avançando seus tentáculos financeiros
na Economia brasileira. Sobretudo em segmentos essenciais para a Vida.
O avanço dos espanhóis, que de bobos nada têm , é veloz e ao mesmo
tempo discreto. Diferentemente de seus antepassados, que saiam
cantando aos quatro ventos suas conquistas e descobertas -- e
talvez por isso mesmo tenham perdido o Brasil para Portugal, depois de
terem conseguido dividi-lo meio-a-meio através do Tratado de
Tordesilhas -- os espanhóis modernos são conquistadores
pela inteligência de investir em países e em setores de retorno
garantido.
Além do retorno, líquido e certo, os espertanhóis
abocanharam nossas mais importantes e estratégicas empresas
públicas. Estratégicas e essenciais, em tempos de paz ou de
guerra...
Vejamos lá alguns
exemplos: na área de gás canalizado para residências, o grupo
espanhol GasNatural tem 33,5% e opera todo o sistema de fornecimento
no Rio de Janeiro. Com mais 17,5% de outra sócia espanhola, a
Iberdrola, controlam toda o segundo maior Estado do país.
Na distribuição de energia elétrica eles dominam grandes aglomerados e
extensas regiões. Através da mesma Iberdrola ganharam a concessão e
atendem de forma cativa os Estados da Bahia (Coelba) ; Pernambuco
(Celpe) e Rio Grande do Norte (Cosern). Outra empresa espanhola, a
Endesa, detém o fornecimento de eletricidade nos Estados do Ceará
(Coelce) e Rio de Janeiro (Cerj).
Já no setor da telecomunicações a Espanha tem várias participações. A
principal delas é através da Telefonica que controla toda a telefonia
fixa em São Paulo, Estado que concentra cerca de 50% da produção e do
PIB brasileiro.
Na
importantíssima -- e fundamental para a saúde popular --
área de saneamento básico, os espanhóis estão de olho para abocanhar
as concessões de água e esgoto que estão em processo de
privatização em várias capitais e grandes cidades brasileiras. Assim
como o gás canalizado residencial e a energia elétrica, a água
é outro filé que os hispânicos não vão dispensar:
monopólio onde o consumidor é compulsório, não tem para onde correr, e
os detentores da concessão não precisam disputar mercado com nenhuma
empresa, como é salutar para a qualidade dos serviços em qualquer
ramo.
O ditado espanhol diz "que venha o touro, mas que venha morto" . No
caso das privatizações brasileiras eles, espanhóis, querem que os
touros venham "bem vivos". E aguardam outras possibilidades --
pela atual conjuntura um pouco mais remotas -- como as dos
Correios, Petrobras e Banco do Brasil. Até porque em bancos
brasileiros eles já têm experiência e os pés bem fincados...
E a Espanha agora conta duplamente com um aliado de peso: o presidente
FHC que não nega que é hispanófilo. A partir de janeiro de 2003, FHC
vai presidir, convidado com toda pompa, o Clube de Madri. Não o Real
Madri, do futebol, mas uma entidade recém-fundada que vai reunir
ex-governantes influentes. Ou influenciáveis ??
Por tudo isso, e algumas coisitas mais, Deus nos livre de uma
guerra com os espanhóis. Eles cortariam nossos telefones, nosso
gás encanado, nossa luz e até nossa água de beber...
Coincidência 1: Brasil e Espanha só se defrontam na Copa do Japão
e Coréia do Sul, quaisquer que forem seus resultados, na grande final ou
na disputa do terceiro lugar.
Um bom feriado prolongado, ótimo início de Copa para vocês --
Coincidência 2: há exatos 20 anos o Brasil
perdia a final no estádio Sarriá, na Espanha, lembram-se? --
terça-feira (04/06) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 21 a 27 de maio de de 2.002
SEGURO-APAGÃO PODE DOBRAR.
O LUCRO DAS CONCESSIONÁRIAS,TAMBÉM !
Não
e à toa que o candidato do governo à presidência não decola nas
pesquisas, mesmo com o aparato oficial. Em várias áreas o governo federal toma medidas
que prejudicam os cidadãos e beneficiam grandes conglomerados
empresariais. Muitos deles, grupos internacionais. Caso típico do setor de energia elétrica,
onde os desatinos e os desrespeitos batem recordes. Acompanhem e
relembrem comigo:
Primeiro foi a privatização desastrosa de um segmento essencial para a
vida,
transformando a distribuição de eletricidade de monopólio estatal
em monopólio privado -- o resultado é que a qualidade no
atendimento ao usuário caiu, as bruscas oscilações na voltagem e
constantes interrupções no fornecimento danificam aos poucos,
quando não queimam de vez, eletrodomésticos e equipamentos. As tarifas,
promessa governamental de que seriam reduzidas com a privatização, aumentaram bem acima da
inflação...
Depois foi aquela
desculpa esfarrapada do presidente Fernando Henrique de ter sido "pego de surpresa" após 6 anos e
meio de mandato, com a crise batendo na porta, e a imposição de
um racionamento de guerra a que todos os brasileiros foram submetidos...
No
transcorrer do
prolongado racionamento foi aquele terrorismo.
Imposto pomposamente chamado de
sobretaxa, cortes de fornecimento ilegais, sacrifícios,
constrangimento de trabalhadores e empresários perdendo tempo,
enfrentando longas filas para justificar consumo e "solicitar" revisão
de metas estipuladas sem critérios específicos...
Depois
foi aquela idéia de jerico de mais feriados prolongados do que
já existem no calendário brasileiro, sob o argumento de que reduziriam
o consumo de energia e o risco de (tasque terrorismo) apagões
programados...
Logo mais veio, através de Medida Provisória, é claro, um aumento de
2,9% para os consumidores residenciais e 7,9% para os
não-residenciais, para cobrir as "perdas" das concessionárias,
tadinhas, com o racionamento. Perdas, grife-se, porque prejuízo
elas nunca tiveram. O tal aumento-extra, decidido em dezembro passado,
era para durar de 36 a 40 meses mas, já em março, a tal da Câmara de
Gestão da Crise de Energia concluiu que os custos "não-gerenciáveis"
das distribuidoras, tadinhas, foi maior e decretou que o aumento-extra
será cobrado dos consumidores pelo período de 48 até 58 meses. Só 5
anos...
Além do aumento
acima, também no final de 2001, o governo federal já havia determinado
ao BNDES (lembram-se?) uma linha de financiamento, à perder de vista,
para repor imediatamente as "perdas" das concessionárias. Coisinha
pouca, foram cerca de 6 bilhões e agora em maio serão mais 1,5
bilhão de reais... E como ainda era pouco, o governo autorizou
novo aumento de 1,85% nas tarifas a partir de 22 de abril. Evidente e
Indevidamente aplicado, no caso da concessionária do RN, COSERN, em
todo consumo do mês e não proporcional como é o correto...
Com o fim do racionamento, em 28 de fevereiro, o governo FHC criou o
tal Seguro-Apagão, para confundir lançado em sua conta de luz como
"Encargo de Capacidade Emergencial" , com o objetivo de contratar
usinas termelétricas e a promessa de que isso impediria novo
racionamento. Em março, o tributo foi cobrado à base de R$ 0,0053 por
Kwh. Em abril foi cobrado à base de R$ 0,0059 por KWh. Parece pouco
mas, cheque aí na sua conta, representa cerca de 2,5% do valor
consumido no mês. Mais do que a multa em caso de atraso no pagamento,
que é de 2% ...
Agora, o
governo federal alega que errou nos cálculos do seguro-apagão e que o
correto seria algo em torno de R$ 0,0087 por KWh, quase o dobro do
valor inicialmente anunciado de R$ 0,0049. E, para evitar resistências
ao aumento, os diretores da ANEEL já estão dando entrevistas: "não
estamos livres dos apagões" . Enquanto isso, as tadinhas das
concessionárias, mesmo com o racionamento, não deixaram de apresentar
lucros -- a EletroPaulo, de SP, fechou o balanço de 2001
com meio bilhão de reais de lucro líquido e a COSERN, do RN, com cerca
de 250 milhões de reais de lucro...
Enquanto isso, a qualidade e regularidade do fornecimento pioram a
cada dia. E o que pode fazer o cidadão, consumidor-compulsório??
Mandar desligar os fios da casa e trocar de fornecedora? Não, pois só
existe uma empresa em cada cidade/região. O monopólio agora é privado,
com as bênçãos estatais!!
Cômico, se não
fosse trágico: justamente quando eu terminava de redigir este artigo
faltou energia. Terminei à luz de velas e com o auxílio do No-Break,
que impediu que o computador desligasse e permitiu que eu terminasse o
texto. Eram
exatamente 02:55 hs da madrugada de 21 para 22 de maio... vamos ver se
o aparelhinho da propaganda da Aneel na TV funciona e registra a
ocorrência...
Uma ótima semana para vocês --
antes dependíamos de Santa Clara. Ainda bem que
agora já temos a primeira santa brasileira, Madre Paulina, quem sabe
ela nos dê uma luz nessa novela da luz --
terça-feira (28/05) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 14 a 20 de maio de de 2.002
O SONHO DE CONSUMO DO PRESIDENTE
E A DURA REALIDADE DOS BRASILEIROS
Cada um de nós tem um
sonho de consumo em determinado momento da vida. O atual sonho de
consumo do presidente FHC -- além é claro de se tornar
imortal na Academia Brasileira de Letras -- é imaginar que ele possibilitou aos brasileiros aumentar o
consumo no dia-a-dia. E que esse fato, por si só, representaria
substancial melhora na distribuição de renda no país...
Baseado no fato do Censo/2000 ter constatado aumento no consumo global
e também alargamento do fosso das desigualdades econômicas entre
os habitantes, Fernando Henrique usou o primeiro para tentar contestar
o segundo dado, colocando em dúvida o levantamento do IBGE.
Ora, senhor presidente, o
consumo pode aumentar, como de fato aumentou, sem que isso signifique
necessariamente melhoria na distribuição da renda! Ao contrário, no
caso tupiniquim o que os números indicam é que os ricos ganharam muito
mais e passaram a consumir muito mais. Já a classe média e os pobres
ganharam menos, pagaram mais impostos, muitas categorias não tiveram
sequer reajuste anual de salário e o pior: muitos passaram a recolher
imposto de renda por conta do congelamento de 7 anos nas tabelas
do leão. Conseqüentemente, na melhor da melhor das hipóteses,
essas famílias conseguiram estagnar seu consumo. Aumentar, jamais .
Aqui um parênteses, o presidente da República contestou os dados
do Censo realizado pelo IBGE, que é um órgão do governo federal.
Imaginem só se fossem dados de alguma instituição independente ?? E
justiça seja feita, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas
apesar de ser estatal, tem credibilidade e realiza um trabalho
extremamente sério. Seja na coleta de dados, com todas as dificuldades
de um país imenso como o nosso; seja na tabulação e cruzamento das
bilhões de informações, seja na divulgação sempre criteriosa dos
resultados, independentemente se eles agradem ou não os governantes. A
função e responsabilidade do IBGE é radiografar e revelar, em
números, a realidade socioeconômica no Brasil.
E a análise destes números
é suficiente para colocar por terra as "dúvidas" palacianas e
atestar que realmente a distribuição de renda piorou: 1/4 da
população, ganha menos que do que 1 Salário Mínimo. Apenas 3%
dos brasileiros ganham acima de 20 salários Mínimos, ou 4 mil reais
por mês. Na outra ponta, contrastando negativa e perversamente com
esse quadro, 65% de toda riqueza nacional está concentrada nas mãos de
apenas 1% . Trocando em miúdos, o "resto" da população, 99%,
cerca de 168 milhões de brasileiros, tem que dividir os 35% da renda
que sobra...
Nem é preciso avançar
muito na comparação de dados para se perceber que as disparidades de
rendimento são massacrantes. Só miopia política proposital é que não
deixa alguém enxergar a verdade. Mas vale ainda comentar outro
argumento usando por FHC para "provar" que teria havido melhoria na
distribuição de renda no país: o aumento do número de carros por
família. Francamente, até 95 não existiam automóveis populares, de
menor potência em compensação com preços, 10/11/12 mil reais, e prazos
de pagamento em até 5 anos, que permitem a milhares de famílias de classe
média adquirir um segundo carro para a esposa/filhos. Mas espremer o
orçamento doméstico para pagar uma nova prestação também
não quer dizer que a renda melhorou.
Assim como bolsões de aumento de consumo
identificados pelos Censo em determinadas faixas mais pobres não
representam melhoria salarial ou distribuição mais eqüitativa das
riquezas nacionais O que acontece é que a estabilização da moeda e o controle
da inflação fizeram surgir centenas, milhares de novas marcas e
produtos baratos, sobretudo nas gôndolas dos supermercados. Muitos de
qualidade péssima ou duvidosa, que nem sempre cumprem com eficiência o
que prometem. Porém, em contrapartida, encaixam dentro da minguada
renda familiar . E, em volume, jamais em qualidade, engordam as
estatísticas de consumo !
E já que nosso
presidente -- como bem garantem os caros comerciais na TV
dos 8 anos de seu governo -- está mesmo convencido de
que a massa salarial teria aumentado, determinou ao ministro Pedro
Malan que compense a "perda" na arrecadação com a interrupção da CPMF,
cortando 1 bilhão de reais do Fundo de Combate à Pobreza.
Pobres dos
pobres !!
Uma
boa semana para todos -- o
reino cor-de-rosa de FHC, mais do que sonho de consumo é sonho de uma
noite de verão. Daquelas em que a gente acorda suado, vai ao banheiro
e volta para continuar sonhando gostosamente, em alguns casos fugindo da realidade --
terça-feira (21/05) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 07 a 13 de maio de de 2.002
PAIS-DE-ALUNOS SÃO ESPOLIADOS
POR ESCOLAS PARTICULARES
Não é apenas o
desemprego que grassa no país e beira os 20% em várias regiões que leva
um pai ou mãe a atrasar a mensalidade escolar do filho . Outros
imprevistos também contribuem para a inadimplência e não podem ser
levados a ferro e fogo pelas escolas particulares, como está
acontecendo em todo país.
Doença em família, acidentes, despesas inesperadas tem que ser
priorizadas em relação a outras contas, inclusive a mensalidade de
escolas privadas, independente de proporcionarem ensino de qualidade,
ou não. O que não pode existir é o atual esbulho financeiro de uma boa
parte de estabelecimentos, que apesar de cumprirem a lei não
impedindo o aluno de realizar as provas por falta de pagamento, em
contrapartida aplicam juros e multas completamente escorchantes e
ilegais.
Num destes casos que
ganhou divulgação na mídia nacional, a escola insiste, mesmo sendo
denunciada na imprensa e no judiciário em cobrar de uma mãe
desempregada multa abusiva de 10% e juros, pasmem, que chegam
aos 20% ao mês. Completamente ilegal, ferindo não só o Código de
Defesa do Consumidor --- que é muito claro no sentido de que
multas não podem ultrapassar 2% -- mas a própria
Constituição Federal que determina que instituições e empresas
não-financeiras podem aplicar, no máximo, 1% ao mês para
corrigir dívidas resultantes da aquisição de bens e serviços.
E são milhares de casos como esses denunciados
diariamente e outros tantos milhares em que os pais acabam não
reclamando, nem denunciando aos órgãos de defesa do consumidor. Por
vergonha, falta de tempo, para evitar constrangimentos para os filhos
ou ainda porque as escolas públicas, infelizmente, atingiram níveis
tão elevados de violência e patamares tão baixos na qualidade do
ensino, que eles, pais, não têm outra alternativa .
Agora o que causa mais estranheza e
indignação nessa triste página da história educacional no Brasil é a
posição arrogante da CONFENEN - Confederação Nacional dos
Estabelecimentos de Ensino, e de vários sindicatos estaduais ligados à
entidade (?), que advogam, estimulam e defendem com unhas-e-dentes o
"direito" das escolas associadas esfolarem os pais com mensalidades
altas e, além disso, cobrarem injusta e ilegalmente juros e multas
extorsivos em caso de inadimplência temporária, de apenas um mês, ou
prolongada por fatores mais graves que independem da vontade dos
casais, das famílias.
Ora, qualquer entidade de classe, seja patronal, de trabalhadores ou
de usuários, tem o dever de defender seus associados. Mas tem também a
obrigação de lutar para corrigir, orientar e punir, com a severidade
necessária, filiados que cometam abusos, injustiças e, neste caso de
uma boa parcela de escolas particulares, extorsão financeira e
verdadeira agiotagem educacional...
E o argumentos usados pelos diretores e dois últimos presidentes
da CONFENEN chega a chocar: "o Código de Defesa do consumidor não se
aplicaria às escolas e os altos custos com estrutura e folha de
pagamento dos professores forçariam a cobrança de multas e juros mais
altos do que os estipulados em lei e praticados, atual;mente, pela
maioria dos segmentos da economia".
Nada mais falacioso! Os custos com estrutura e laboratórios são
altamente compensados com o verdadeiro amontoado de estudantes
por sala de aula: 50,60, 70. Há mesmo "estabelecimentos de educação"
que chegam a empilhar 120/130 alunos por salão... Quanto ao
alegado gastos com a folha, pobres dos mestres: nunca os salários
foram tão baixos nas escolas particulares.
Um caso recentíssimo acontecido em escola privada no Rio de Janeiro
bem ilustra a impropriedade da argumentação da CONFENEN: pressionada
pelos problemas ocasionados pelo baixo salário e por centenas de
provas para corrigir, uma professora deixou escapar o erro e colocou
como alternativa certa a resposta assinalada por um aluno dando conta
de que "o Sol não tem uz própria"... E o pior é que o presidente do
sindicato carioca das escolas particulares e a diretora-executiva da
ABE - Associação Brasileira de Educação, em entrevista radiofônica,
defenderam não a professora mas sim o fato"normal e aceitável" de um
profissional ministrar aula numa sala com 40/50/60 alunos. O
presidente do sindicato, José Antônio de alguma coisa, afirmou ipsis
literis ao microfone da rádio CBN, em rede nacional: "eu mesmo
já dei aula para classe de 150 alunos"...
E pensar que há apenas cerca de 20 anos a
Escola Pública era a melhor e a mais disputada: totalmente gratuita,
os professores se orgulhavam da profissão, tinham salários justos e a
qualidade do ensino era excelente. Bons tempos aqueles. Nas classes,
30 alunos, no máximo, estourando. Já, na maioria das escolas
particulares -- haviam as sérias, justiça seja feita
-- eram matriculados os mais atrasados ou os que corriam o risco
de repetir de ano. Nelas, as mensalidades, naquele tempo, já eram
caras mas sempre havia um "jeitinho" de melhorar as notas e o
mau-aluno acabava passando de ano...
Uma
ótima semana para vocês -- se a
escola de seus filhos abusar na multa e juros, não se envergonhe,
coloque a boca no trombone --
terça-feira (14/05) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 30 de abril a 06 de maio de de 2.002
O TAL DO
SPB
VAI OBRIGAR
MUITA GENTE A ENGOLIR SAPOS...
O tal do SPB - Sistema
de Pagamentos Brasileiro --
palavrão que o correto seria grafar como Sistema Brasileiro de
Pagamentos (SBP) -- que já
está em vigor no atacado desde o último dia 22, por enquanto não muda
nada na sua vida e na maioria das empresas. Por enquanto só afeta as
megas corporações e as grandes empresas, que emitiam cheques com
valores acima de R$ 5 milhões de reais. Por enquanto !!
A partir de outubro, quando realmente o SPB entra em
operação no varejo e pagamento de valores de 5 mil reais para cima
somente serão permitidos através de transferências eletrônicas
disponíveis (TED), aí sim seu dia-a-dia e o das empresas começa a
complicar. O sistema vai beneficiar os bancos e prejudicar os usuários.
Sejam eles pessoas físicas ou jurídicas.
E mais: não é nem de longe essa maravilha toda que o
Banco Central está alardeando aos quatro ventos, sobretudo em belos
comerciais nas televisões de todo Brasil. Belos nos formatos, porém
dúbios e pouco ou quase nada explicativos. Senão, vejamos :
O Banco
Central pretende com a medida diminuir a circulação de cheques e,
conseqüentemente, o imenso volume de compensação dos mesmos. O que, na
prática, diminui o custo dos bancos mas não beneficia os correntistas,
nem com "grandes facilidades", tenham certeza, nem com redução das
atuais pesadas tarifas bancárias.
Confiram daqui seis meses, um
ano, se o seu banco diminuiu os valores da extensa lista de taxas e
tarifas cobradas...
Como a
idéia do BC e gradativamente baixar o limite de 5 mil reais para
cheques forçando, cada vez mais, o correntista a usar o cartão de débito
instantâneo em suas compras diárias, isso significa que nós,
correntistas, teremos que ter saldo suficiente, em tempo real, no exato
instante do ato da compra do bem ou serviço. Exemplificando, se você
abastecer o carro ou fizer o supermercado às 4 horas da tarde de um dia
perderá, pelo menos, as 24 horas de tempo que hoje dispõe para cobrir o
cheque emitido. Se for numa sexta-feira ou véspera de feriado
prolongado, você perderá o benefício de 3 ou 4 dias de tempo. E se tiver
que cair no cheque especial, pior ainda: os juros escorchantes começam a
ser aplicados no mesmo minuto da compra. Ótimo para as corporações
bancárias. Péssimo para os cidadãos...
Sem contar que o bom e velho cheque, possibilita a
milhões da famílias brasileiras realizarem as compras de alimentos
fundamentais na sexta-feira, quando o patrão só vai efetuar o pagamento
do salário, atrasado ou não, somente na segunda-feira. Ou se for dali a
15 dias, ainda há a possibilidade do salvador cheque pré-datado. E os
casos de emergências de saúde que acontecem nas noites e nos
fins-de-semana ? Como pagar on-line a "continha" do pronto-socorro e
minutos depois os "baratinhos" remédios na primeira farmácia de plantão
na volta para casa?? Os cheques nestes e em dezenas de outros casos
sempre foram a justa salvação da pátria.
Já para as
indústrias e para os comerciantes a paulada do SPB será mais rápida.
Em pouco tempo terão que dispor de muito mais capital de giro, de
dinheiro vivo no banco. O que convenhamos, não está nada fácil. Pagar as
contas e os fornecedores significará para os empresários, sobretudos os
micros, pequenos e médios, o fantasma de ter o valor disponível
exatamente no mesmo minuto do vencimento do título, da duplicata. Mesmo
sem receber dos "clientes de caderneta" no mesmo momento da venda. É
como necessitar ter cash no bolso, a diferença é que ele será
de plástico, virtual. Mas na consulta on-line, o dinheiro tem que ser
real. Tem que estar lá. Exemplificando o pequeno comerciante, que tem um
faturamento mínimo e garantido, digamos, de 3 mil reais por dia, não
vai mais honrar no vencimento e pagar às 16 horas de um dia uma conta de
1 mil reais, com um cheque que podia tranqüilamente cobrir no dia seguinte.
É meus caros leitores, por tudo isso é que no
título eu citei os sapos. Patrões e empregados vão ter que ouvir e
engolir muitos sapos, com o tal SPB.
Sapos
Para os
Brasileiros.
Soluções
Para os
Bancos !!
Uma
ótima semana, bom feriado do Dia do Trabalho para vocês --
o SPB, que nada tem a ver
com Som Popular Brasileiro, vai fazer empresas e trabalhadores
rebolarem. Já os bancos... vão continuar ouvindo a sinfonia dos lucros
exorbitantes
--
terça-feira (07/05)
eu volto. Traduzindo a Economia para o seu
dia-a-dia!
Brasil,
23 a 29 de abril de 2.002
OS CORPOS INSEPULTOS DE
CARAJÁS
E A RESPONSABILIDADE DE CADA UM
DE NÓS !
Aparentemente o tema
não é econômico. Só aparentemente.
Neste abril completam-se seis anos do massacre de Eldorado dos Carajás,
no Pará -- cujo julgamento ainda patina por conta de
pressões, adiamentos, troca de juizes, jurados e etc...
Aproveitando o "aniversário" eu queria analisar com vocês a
questão da responsabilidade e da culpa por esse e outros desastres
socioeconômicos.
Só
para citar as mais conhecidas nacionalmente,
as tragédias dos sem-terra no sul do Pará ( 19 mortos ) ; dos
pacientes da clínica de hemodiálise de Caruaru/Pe ( 47 mortos ) ; dos
velhinhos da Clínica Santa Genoveva, no Rio de Janeiro (99 mortos)
e a dos freqüentadores daquele
shopping que explodiu em Osasco/SP (42
mortos ) devem nos levar a uma séria reflexão. Sobre a
responsabilidade e o papel dos governantes investidos do poder público,
mas também, e sobretudo, acerca da responsabilidade de cada um de nós
enquanto cidadãos que os elegemos.
À
luz de uma análise mais aprofundada e serena é possível avaliar e
concluir que em todos aqueles episódios lamentáveis
-- que denigrem a
imagem da Nação interna e externamente
-- a raiz da
culpa está em órgãos e instituições públicas corruptas,
governadas e chefiadas por mandatários não menos corruptos,
oportunistas, desprovidos de caráter e, em grande parte, completamente
despreparados para o exercício de poder.
Os sem-terra foram massacrados em Eldorado dos Carajás porque
houve pressão e ordens claras para isso. O comandante da PM
local -- sem querer eximi-lo de culpa, que também
tem -- autorizou a operação com apoio, conivência ou,
para dizer o mínimo, omissão dos então secretário de Segurança Pública
e do governador do Estado. Os
pacientes com problemas renais em Pernambuco e os idosos cariocas foram
vítimas não só dos inescrupulosos
donos das respectivas clínicas, mas também e em maior escala e grau de
culpabilidade das autoridades de saúde
em níveis municipal, estadual e federal, que permitiam o
funcionamento ao não exercer rigorosa fiscalização naqueles
“estabelecimentos de saúde”. Não foi diferente no caso da
explosão que vitimou centenas de inocentes no shopping paulista. Um
empreendimento de tal porte que modifica
o meio ambiente e transforma a vida da comunidade que passa a
nele consumir e gerar lucros fartos, teria que ter não só alvarás prévios
para funcionamento , mas vistorias e fiscalizações
periódicas dos diversos órgãos municipais e estaduais
incumbidos de zelar pela segurança e qualidade de vida.
Mas assim como é verdade que os desastres e matanças acontecem, na
maioria absoluta das vezes, por descaso e omissão dos governantes, também
é igualmente verdade que todos nós, eleitores, temos a parcela maior
de responsabilidade por tantas mortes, na medida que por omissão,
acomodamento, troca do voto por cargos e benesses, desinteresse ou
interesses pessoais , mesquinhos e imediatistas, acabamos elegendo
corruptos e despreparados. Gente
que, depois de eleita, nomeia, indica e empossa nos ministérios,
secretarias, órgãos e instituições vitais para a segurança da
população, apaniguados corruptos e incompetentes. Temos que nos
conscientizar que só o voto correto em partidos sérios e em
pessoas honestas, competentes e de caráter será capaz de
modificar esse quadro negativo. E isso vale em qualquer eleição. De
vereador a presidente da República; de síndico de prédio à diretoria
de clubes esportivos; de presidente da associação dos moradores do
bairro à direção de sindicatos de classe.
Às
tragédias que citei no começo do artigo se juntam as da boate
em Belo Horizonte, da chacina da Candelária, massacre do Carandiru e a
chacina de Vigário Geral. E outras tantas que a memória nacional
insiste em esquecer como os incêndios no prédio da Pirani e no edifício
Joelma, ambos em São Paulo; o desabamento de supermercados em Belo
Horizonte e no Rio de Janeiro; as explosões em São Paulo e Rio; e a
queda do Elevado Paulo de Frontin, também no Rio de Janeiro.
Chacinas,
tragédias e massacres que mutilaram e mataram milhares de inocentes.
Corpos Insepultos a reclamar de nós, vivos, mais do que punição e
justiça, consciência na hora de votar e escolher nossos mandatários !
Da
mesma forma, as esquizofrênicas políticas e planos mirabolantes
que conduzem a grandes desastres econômicos -- basta
lembrar o que já passamos no Brasil e o que os portenhos amargam
de três anos para cá na Argentina -- são também
culpa direta dos governantes e de nós que mal elegemos quem vai
nos governar.
Uma
boa semana para todos -- pense
e repense seu voto nas próximas eleições. Jogá-lo fora ou votar em
corruptos é compactuar com crimes e desastres socioeconômicos
-- terça-feira (30/04) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 16 a 22 de abril de 2.002
VOCÊ
É PALHAÇO ?? CLARO
QUE NÃO .
MAS O GOVERNO PENSA QUE SIM !!!
É de doer.
Novamente, e desta feita de forma mais açodada e arrogante, a equipe
econômica do governo federal, capitaneada pelo ministro da Fazenda
Pedro Malan, ocupa o meios de comunicação para ameaçar com aumento
dos existentes e até a criação de novos impostos,
caso o Senado não aprove a prorrogação da provisória CPMF.
Além
do tradicional terrorismo sócio-econômico que o governo costuma
empregar nessas horas -- "vamos ter que cortar investimentos
na área da educação, da saúde, da segurança..." --
desta vez a chanchada vem pintada com tintas mais carregadas e com
ingredientes politiqueiros.
Malan, ao estilo "ponto final" de Zélia Cardoso de
Mello, declarou aos jornalistas e à nação que "não permitiremos
em hipótese alguma a queda da arrecadação. Não vamos deixar de
cumprir nossos compromissos fiscais. Sem a CPMF, vamos aumentar outros
tributos" . Só faltou dizer: Eu sou o Rei. Eu determino os
tributos e os percentuais. Vocês, súditos, apenas pagam !
Ora, antes de aceitar resignadamente a imposição como um fato
consumado, é preciso que façamos uma análise mais cuidadosa da situação:
Primeiro é preciso deixar claro que o aumento de
alíquotas ou criação de novos impostos, de acordo com a Constituição
Brasileira, só passa a valer no ano seguinte ao da sua criação. É
portanto INCONSTITUCIONAL, com todas as letras, a pretensão para este
ano de 2002. E nestas questões sobre vigência e arrecadação,
o governo FHC utiliza dois pesos e duas medidas. Foi assim com a correção
das tabelas do Imposto de Renda, congeladas por 7 anos em
detrimento dos cidadãos. Lembram-se ? O governo empurrou com a barriga,
num empenho pessoal do presidente da República, deu rasteiras até em
políticos aliados, e conseguiu que o Congresso Nacional protelasse para
apenas este ano a aprovação da matéria. Portanto, apesar de justíssimo
e de já estar aprovado pelos parlamentares, o descongelamento dos
valores das despesas que o cidadão pode abater no IR só entra em
vigor no próximo ano..
Depois é necessário parar de embarcar nessa
balela, nesse discurso oficial -- e aí o Arnaldo Jabor, que
me desculpe -- de que o governo deixa de
arrecadar 400 milhões de reais por semana com a interrupção da cobrança
da CPMF. Ora, ora, o imposto do cheque -- "Contribuição"
que já vai completando 8 longos anos de provisoriedade -- já
deveria estar enterrado há muitos anos, conforme foi idealizado para
vigorar temporariamente. Portanto o governo não "deixa" de
arrecadar PORQUANTO JÁ ARRECADOU COM A TAL CPMF EM EXCESSO, muitos bilhões
de reais à mais do que deveria !!!
Se
a nefasta CPMF for sepultada definitivamente, o que acontecerá será um
ato de justiça. Justiça com todos os brasileiros que apesar de arcarem
com uma carga tributária das mais altas do mundo, senão a mais alta,
ainda recolhem compulsoriamente um imposto escorchante, perverso e em
cascata, como nenhum outro. Exatamente isso, pois incide em cima de
todos os outros impostos. E paga o empresário, o trabalhador, o
correntista e até quem não tem conta bancária, uma vez que ele é
repassado ao consumidor no preço final de todas as mercadorias e serviços.
E
se couber ao PFL o voto de extrema-unção -- o que é
duvidoso, porque de Santo Expedito das Causas Impossíveis o partido não
tem nada -- ele será bem-vindo. Se assim o fizer o PFL
estará prestando, mesmo que por vias transversas e interesseiras, um
grande serviço aos cidadãos brasileiros. Quem sabe ? Sexta-feira (19)
se comemora justamente o Dia de Santo Expedito...
Mas divagações pefeléticas à parte, é
importante ressaltar um aspecto paradoxal que passou meio despercebido
pela grande imprensa. O mesmo Malan -- que
arrogante tratorou até os líderes do governo no Congresso e não os
avisou do anúncio da idéia de aumentar o IOF, COFINS e outros impostos
-- contraditoriamente antecipou, no mesmo dia, em cinco meses o
pagamento de uma parcela de 4,2 bilhões de dólares para o FMI...
Isso porque ele afirma que o Brasil não pode suportar nem um dia sem a
CPMF, que termina em 16 de junho. Só o valor antecipado ao FMI daria
para "suportar" mais de 10 semanas antes da prorrogação
da nefasta....
Durma-se com um barulho desses! Como diria
um caipira de Minas : estão me fazendo de palhaço. É muita enganação,
é muita malandragem,
sô ...
Uma
boa semana para vocês -- o
governo pode, até, ser o dono do circo. Isso não significa que os
contribuintes são palhaços --
terça-feira (23/04) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 09 a 15 de
abril de 2.002
A VIDA E A ECONOMIA
REVOLUCIONADAS PELA
INTERNET !!
Ao longo da história
da humanidade várias revoluções econômicas foram acontecendo de
forma silenciosa e seus significados só foram realmente avaliados com o
passar das décadas:
Foi
o caso da passagem da era da pedra lascada
para a do o metal; da revolução mercantilista; da revolução
industrial, da revolução tecnológica. Foi assim também com a tantas
invenções sensacionais. Como a
roda; o telégrafo; o rádio; o telefone; a televisão e, mais
recentemente, com os computadores e os robôs: "vão causar
desemprego em massa, substituir o Homem"
...
Mas
não tem sido e nem será assim com a revolução
econômica processada
com o advento da rede mundial de computadores, a
Internet.
A
agilidade, rapidez e facilidades criadas com a interligação de
simples computadores pessoais está causando literalmente uma turbulência
positiva na vida e na economia das pessoas, das
empresas, das
instituições e das nações , como um todo. De forma nem um
pouco silenciosa.
E muito melhor que a tal
globalização de mercados
--
que apenas tem gerado lucros e riquezas para os países ricos e
desenvolvidos
--
a Internet é uma revolução econômica acompanhada de outra
revolução principal e fundamental para a evolução e independência
dos seres humanos: a cultural !!
Exatamente
isso. Ao mesmo tempo que gera desenvolvimento econômico às quase 1 bilhão
de empresas e pessoas conectadas no mundo todo, a Internet permite a qualquer mortal o acesso à Cultura.
Democratizando o que antes era privilégio de poucas camadas e
classes sociais.
Mais
do que ter acesso à história, para a compreensão da humanidade, o
internauta (como se convencionou chamar quem "navega" pela
Rede) pode, de sua própria casa ou trabalho,
aprender técnicas, ofícios, profissões e conhecimentos que
elevem seu grau de cultura e seu grau de competitividade no
mercado de trabalho.
Essa é a grande vantagem, o
grande diferencial da Internet
-- ainda não percebido, ou captado
por todos
que já conhecem ou trabalham com a Rede:
possibilitar o desenvolvimento econômico concomitantemente com o
desenvolvimento sócio-cultural !
O que no início do mais novo meio de comunicação era privilégio de
experts no assunto, já está disponível ao grande contingente de
leigos, que passa a conviver com os "internautas". Pessoas ávidas
de informação, estudantes, leitores, enfim cidadãos comuns que mesmo
sem técnica, mesmo sem dominar a Internet são conquistadas,
diariamente, aos milhares no Brasil e milhões no mundo. Calcula-se que
cerca de 2 milhões de novas pessoas sejam incorporadas ao sistema, todo
santo dia, em todos os rincões do Planeta.
E sem ter que pagar
interurbanos caríssimos, só o custo de ligações telefônica locais,
os chineses podem acessar dados da USP, no Brasil;
os potiguares podem adquirir conhecimentos na Universidade de
Boston; os
russos podem trocar idéias
com árabes e os africanos diminuírem as distâncias sociais que
ainda os separam de grande parte do mundo.
Por outro lado com os serviços
e facilidades oferecidos pela Internet, sobra mais tempo ao cidadão
comum para começar a adquirir ou
ampliar a
sua bagagem cultural acessando enciclopédias, dicionários,
biografias, pesquisas, estudos, tratados, teses, manuais, técnicas, notícias
e muita, muita informação. Tudo rápido, num mesmo lugar, bem à sua
frente numa tela de computador. Computador que já não mete mais medo
nem em criancinhas e já não é, há muito tempo, nenhum
bicho-de-sete-cabeças...
A
cada dia surgem novidades e facilidades na Internet. Seja
para comprar sem sair de casa, seja para vender, seja para pesquisar,
seja para se comunicar com um parente distante em questão de segundos. Enfrentar as intermináveis filas bancárias , onde o cidadão
perde tempo e dinheiro, vai virando coisa do passado. A maioria dos
bancos já está Internet. Aqui mesmo, através da capa (página
principal) do NATAL
JÁ! você
pode acessar os maiores bancos brasileiros e movimentar sua
conta-corrente, imprimir extratos, pagar boletos, mensalidades de
planos-de-saúde, cartões de
crédito. Baixar os programas e declarar o Imposto de Renda, Verificar
suas multas de trânsito e
IPVA em vários Estados. Só para ficar em alguns exemplos.
A possibilidade de negócios, aliada a democratização do acesso
à Cultura tornará a Internet um meio de comunicação de massa
econômico, fundamental e irreversível
!!
Uma
boa semana para vocês -- Ainda
bem que a candidata Roseana Sarney não inventou a desculpa que os 1
milhão e 340 mil reais foram "doados" por adeptos e fãs via
Internet. Isso poderia denegrir o que deve vir a ser o maior meio de
comunicação do planeta -- terça-feira (16/04) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 02 a 08 de
abril de 2.002
COM NOMES ESTRANHOS, CIDADES GARANTEM
INTEGRAÇÃO MAS NÃO SAÚDE E EDUCAÇÃO
Entre as mais de 5
mil cidades espalhadas pelas 27 unidades da Federação que garantem a
integração econômica do vasto território brasileiro algumas guardam
nomes bastante estranhos, engraçados, sugestivos e até exóticos.
Num país continental como o nosso seria inviável que só
existissem grandes cidades. Sem o apoio das pequenas não seria
possível "transportar" o desenvolvimento para as
metrópoles e para todos os rincões. Os pequenos municípios servem
de ponte, de base, de dormitório, de micro-produtores e até de refúgio para
o stress dos grandes centros. Tudo isso não garante à eles,
entretanto, saúde e educação, dentre outras necessidades. Mas
direcionei meu artigo para estes dois direitos básicos porque entendo que
sem eles o cidadão não tem condições de viver de fato de forma
digna nem ter razoável independência e estabilidade financeira. As
cidades com nomes "diferentes" servem como fio-condutor,
é claro que centenas de outras tantas
com nomes "normais" também enfrentam problemas e
cumprem papéis semelhantes, desamparadas pelos governos. Façam comigo
essa viagem:
Amargosa, com 31 mil habitantes, na Bahia, amarga com o perdão do
palavra, o fato de 26% da população ser de
analfabetos. Mesmo tendo 76 escolas e 2 hospitais...
Bady Bassitt
, está encravada no interior de São Paulo mas é completamente
desconhecida. A imensa maioria dos brasileiros nunca dela ouviu
falar. Apesar do pomposo nome e do baixo percentual de
analfabetos, apenas 6% da população, os 11 mil e quinhentos habitantes
de "Bady" não contam com nenhum hospital...
Passa e Fica
é no Rio Grande do Norte. Muitas pessoas passam por seus exatos 43 KM2,
mas a verdade é que poucos ficam: são apenas 8 mil habitantes. Deles,
38% são analfabetos, apesar do município ter 21 escolas e 1
hospital...
Milagres , dos quais os brasileiros tanto
precisam, são duas. Uma no Ceará outra na Bahia. A do Ceará tem 2
hospitais e 26 mil habitantes, dos quais 32% não são alfabetizados,
não obstante a cidade contar com 74 escolas, só do Ensino
Fundamental... Já Milagres na
Bahia, tem 12 mil habitantes, 1 hospital e 29 escolas de
Ensino Fundamental. Milagrosamente,a taxa de analfabetismo é um
pouco melhor: 25% ...
Ulisses Guimarães; Mário Covas e o doutor
Barbosa Lima Sobrinho, entre outros estadistas íntegros e respeitados,
mesmo depois de mortos não foram homenageados com seus nomes
transformados em cidades. Já políticos sobre os quais pesam
sérias denúncias e outros em que a Justiça comprovou
envolvimento em fraudes; torturas na época da ditadura militar; e malversação
de verbas públicas, paradoxalmente tem seus nomes imortalizados
em municípios. Eis alguns casos:
Presidente Sarney, claro no
Maranhão, cidade onde 13 mil habitantes sobrevivem numa área de
724 KM2 sem um único hospital. Apesar do padrinho famoso. Não
bastasse isso, quase metade da população -- para ser exato
47% -- é completamente analfabeta...
Presidente Médici -- aquele do pra frente Brasil:
ame a ditadura ou deixe o país -- existem logo dois
municípios. Um, também no Maranhão, com cerca de 300 KM2, 5 mil
habitantes, 34% de analfabetos e nenhum hospital e o
outro Presidente Médici em Rondônia, com 26 mil
habitantes (16% de analfabetos) vivendo numa extensão maior
de 1600 KM2, mas pelo menos tendo 2 hospitais...
Presidente Figueiredo -- aquele que
assumiu publicamente que preferia o cheiro dos cavalos do que o cheiro
do povo -- também foi homenageado e hoje é nome de
cidade no Amazonas. O município de Presidente Figueiredo conta com
2 hospitais mas é enorme: tem 25 mil KM2 de área para apenas 17 mil
habitantes. Na matemática simples significam 1 quilômetro e meio para
cada habitante desamparado. É muito pasto...
São
muitas outras cidades com nomes pitorescos. Existe Unha de Gato
(MA) ; Não-me-toque (RS) ; Papagaio (PE) ; Vendaval
(AM). Tem Tanque (MA) ; Tanquinho (PE) e Tanque Velho
(PI) . Tem Viração (PE) e Viração Grande
(MA)... E se tem Natal (RN) não poderia deixar de existir a Feliz Natal
(MT)... Mas o espaço é curto e eu voltarei ao tema em outra
oportunidade!!
Um
boa semana para vocês -- Deus
nos livre de alguém querer banalizar o nome da própria cidade criando
ou rebatizando-a
de Casa dos Artistas ou de Big Brother Brasil. Era só o que faltava...
-- terça-feira (09/04) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 26 de março a 01 de abril de 2.002
MERGULHADO EM
CRISE ÉTICA E MORAL,
BRASIL ESCAPA DA CRISE ECONÔMICA ARGENTINA
Inexplicável
e felizmente
o Brasil está conseguindo
atravessar quase que incólume a crise da vizinha Argentina, que está
respingando internacionalmente e já assume proporções gravíssimas de um
desastre sócio-econômico.
Desde 98 que nosso país recebe ondas e efeitos
negativos dos problemas econômicos vividos por outros paises. Foi assim
nas na crises asiática; mexicana; duas ou três anteriores da própria
Argentina; a da Rússia, e mais recentemente a vivida pelos Estados
Unidos. Mas desta feita, a situação de insolvência financeira e
convulsão social por que passa a Argentina, nosso maior parceiro
comercial no continente vai passando ao largo do Brasil, apenas com
ventos suportáveis.
O
furacão em que a Argentina está mergulhada, abandonada pelos vizinhos
-- entre eles o próprio Brasil, que negou ajuda em espécie -- e pelo
Fundo Monetário Internacional (FMI) que sugou os portenhos até o bagaço
e agora se nega sistematicamente a injetar um pouco do muito dinheiro
que tirou de lá, vai chegando ao auge do seu furor. Ironicamente na
semana Santa, onde a Páscoa está sempre a nos lembrar uma nova vida,
novas oportunidades... O dólar disparou atingindo, na última
segunda-feira(25), a cotação de 4 pesos. Comprovando o quanto foi
errado represar, durante quase 10 anos, o câmbio livre, e manter uma
paridade monetária completamente artificial. Política, aliás, apoiada e
acalentada pelo mesmo FMI...
Mas contrastando com o fato de
conseguir superar e escapar dos efeitos da crise no Cone Sul, o nosso
querido Brasil não consegue superar a crise ética que de muito
acompanha, pari-passu, grande parte de nossos governantes , políticos e
parcelas, em menor escala é certo, de segmentos profissionais da
sociedade.
Vou pincelar alguns
episódios, só à título de exemplo, porquanto o espaço seria ínfimo mesmo
para analisar apenas os mais importante e absurdos. Temos pelo menos 3
governadores literalmente flagrados com a boca na botija, ou a mão na
botija: José Ignácio, do Espírito Santo; o "Mão" Santa, do Piauí, já
afastado pela Justiça; e a filha do senador José Sarney, ex-presidente
da República, Roseana Sarney, do Maranhão. No Rio Grande do Norte não
foi o governador, Garibaldi Alves, mas o cunhado dele envolvido em
tráfico de influências.
Os deputados estaduais de Minas Gerais acabam de aumentar seu próprios
salários e já receberam, agora em março, a bagatela de 34 mil reais
líquidos... Desembargadores, no Rio de Janeiro, são denunciados por
desviar milhões de reais do TRF do Estado...
Policiais e militares trocam de
papéis com bandidos e vice-versa. Servidores públicos corruptos a história
sempre registrou. Desde os tempos do Quinto e dos santos do Pau Oco,
agora porém os casos aumentaram. Erros médicos, até por vezes admissíveis,
porquanto errar profissionalmente também é humano, a vida também sempre
anotou. Porém, e mais recentemente, cirurgiões plásticos que ao invés de
embelezar, matam suas pacientes. Pediatras que aos invés de curar abusam
sexualmente das crianças -- e ainda gravam tudo em vídeo. Isso nunca se viu
tanto na medicina !!
' Parlamentares e governantes -- eleitos pelo voto
direto e popular -- comprovadamente envolvidos em corrupção descarada
também nunca se viu em tanta e tamanha quantidade, por todos os Estados da
federação como agora. Nem é bom lembrar do presidente e dos senadores e
deputados cassados por corrupção, porque elles , infelizmente vão
voltar eleitos para legislar para todos nós, mortais brasileiros !!
É ou não uma crise moral e ética?
É ou não muito pior do que a crise econômica? É ou não muito pior do que o
efeito Tango ??
Essa completa inversão
de valores, é claro, vem um pouco das raízes, da colonização, da cultura
brasileira, da lei-de-Gérson. Mas carrega também uma boa parcela da
herança da ditadura militar implantada no Brasil em 1964 -- que
concentrou poder na mão de políticos biônicos, suprimiu direitos
elementares dos cidadãos, e institucionalizou o "por fora" -- a falta de
ética no trato e gestão do patrimônio público.
Neste domingo de Páscoa, 31 de março, se completa mais um aniversário do
golpe militar, pomposamente intitulado de "Revolução de 64". Na verdade o
golpe, que durante mais de 20 anos amordaçou o regime democrático
brasileiro, efetivamente aconteceu já na madrugada do dia primeiro de abril,
mas como era o Dia da Mentira...
Quanto aos nossos irmãos
portenhos é torcer para que as Forças Armadas de lá não ensaiem outra
aventura, como em triste passado, e usem de pretexto a crise para mais um
golpe e a implantação de nova ditadura militar na Argentina...
Uma ótima Páscoa, bom
feriado prolongado para você -- para aquele
governante que conta mentira todo dia, aproveite a próxima segunda-feira,
não é pecado: minta que vai votar nele --
terça-feira (02/04)
eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 19 a 25 de março de 2.002
SE
CADE PERMITIR COMPRA DA GAROTO,
NESTLÉ
E LACTA VÃO MONOPOLIZAR 91% DO MERCADO !!
Já
sob os ventos do Outono, que começa nesta quarta (20); provavelmente no
Dia do Cacau, que se comemora na próxima terça (26); mas coincidente e
justamente na semana da Páscoa, a
Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça promete dar
o primeiro parecer sobre a anunciada venda da capixaba Garoto
para a suíça Nestlé. Essa análise inicial da SDE vai
servir de base para o julgamento do CADE
(Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no sentido de aprovar
-- e em que bases -- ou vetar a transação.
O problema do negócio milionário, que pode chegar a casa de 1
bilhão de reais e que envolve a última grande empresa nacional do ramo
de chocolates e o conglomerado líder mundial no ramo
alimentício, não é a questão da manutenção da qualidade.
É, sim, a ameaça à saudável concorrência e o
inevitável desrespeito aos direitos do consumidor. Neles
incluído, principalmente, o direito ao preço justo.
A Nestlé é reconhecida mundialmente por fabricar não só
chocolates mas dezenas de alimentos de excelente sabor, higiene e
qualidade. Basta abrir a despensa de qualquer casa de classe
média-baixa para cima para se encontrar pelo menos meia dúzia de
produtos Nestlé. O problema reside na alta concentração que ela
passaria a deter: cerca de 55% do imenso mercado brasileiro de
chocolates, estimado em cerca de 400 mil toneladas/ano. Imenso
e oligopolizado...
...apenas os três maiores fabricantes de chocolate detêm 91% do
mercado. A Lacta -- que outrora foi brasileira, da família
do ex-governador paulista Ademar de Barros e que acabou vendida pelos
filhos, com a morte do patriarca, para um grupo estrangeiro
-- é a atual líder com 35,4% , seguida da própria Nestlé com
31,6% e da Garoto com 24% .
De oligopolizado, o que já e ruim, o nosso chocolate, em barra ou pó,
complemento alimentar de cada dia; e o ovo de Páscoa anual,
com que celebramos uma nova vida na ressurreição de Cristo, caminha
para um péssimo bi-monopólio entre Nestlé e Lacta. E o problema pode
se agravar caso a Nestlé -- num lance perfeitamente
factível, porquanto a gigante mundial dos alimentos tem poder de fogo
para isso -- resolva fazer uma proposta irrecusável para
adquirir, seja diretamente ou através de subsidiárias, o controle
acionário da Lacta. A Nestlé dominaria, assim, 91% do mercado
brasileiro. O que seria ainda mais desastroso para o consumidor.
Monopólios são maléficos. Sejam eles públicos ou privados.
Já nos bastam os serviços públicos e essenciais que o governo federal
privatizou, sobremaneira os de Energia e os Água e Esgoto; que
pioraram, encareceram e nos deixam dependentes de uma única
empresa.
Agora
para isso, justamente, existe o CADE. Para impedir que os cidadãos
fiquem nas mãos de um, ou apenas alguns fabricantes nos vários
segmentos produtivos. Ou melhor, para isso deveria existir. Por que nem
sempre o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
julga pedidos de fusão ou incorporação sob a ótica do mercado e do
consumidor.
Basta lembrar o caso da fusão das cervejarias Brahma e Antarctica --
que resultou na criação da AmBev e passou a dominar 14 marcas e nada
mais nada menos que 70% a 75 % de todo volume de cerveja consumido pelos
brasileiros. E naquela época eu alertava que "a decisão do CADE deixava muito a desejar e
estava eivada, repleta de
erros e contradições" : leia
em Seleção de Melhores, o meu comentário CADE DERRAPA NA FUSÃO DA
BRAHMA E ANTARCTICA, de 03 a 09 de abril de 2.000.
Deu no que deu. Devagarzinho, devagarzinho os preços da cerveja pularam
de R$ 1,00 ; R$1,20 para R$ 1,70 e até R$ 2,00 para o consumidor. Isso nos
bares mais simples. E os distribuidores, revendedores e varejistas
amargam, além de preços altos, práticas e condições comerciais
não-muito éticas. Tanto é assim que vários deles já entraram ou
ensaiam entrar na Justiça protestando contra os abusos cometidos.
Vamos esperar e torcer para que o CADE,
desta vez, não derrape e analise não apenas a aquisição em si e o
percentual de concentração da Nestlé, mas sim como ficará o mercado
como um todo, dominado em mais de 90% por apenas dois fabricantes.
O resultado pode ser ainda pior do que o caso da cerveja e os
brasileiros levarem literalmente um "chocolate".
Uma
boa semana para todos -- aproveitem
esta Páscoa porque na do próximo ano... talvez os preços
proibitivos só permitam comprar ovos do tamanho dos de
galinha -- terça-feira
(26/03) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
12 a 18 de março de 2.002
Na língua do "P", a sigla é CPMF,
CPMFHC
ou CPMF
?
Ou ainda: CPTMF,
CPMFL,
CPMFCR
ou CPMFdoB
??
A sigla da nefasta
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF
ou mais popularmente o famigerado imposto-do-cheque, tem se entrelaçado
e acabado, nos últimos tempos, por se confundir com outras abreviações e siglas, tão ou mais
conhecidas no cenário
tupiniquim. Senão vejamos:
A primeira delas e talvez a mais famosa é com a abreviação do nome do
presidente da República, Fernando
Henrique
Cardoso,
da qual a CPMFHC
é a própria cara. Afinal, FHC não é o pai da
idéia -- que justiça seja feita, foi idealizada pelo
ex-ministro da Saúde Adib Jatene, que ingênuo e de boa fé a criou
provisória, mesmo, para combater as doenças de nosso povo
-- mas o
presidente é padrinho da CPMF e foi por ela apadrinhado...
Depois vem a
confusão com o nome e cargo do ministro Pedro
Malan,
da Fazenda,
que defende com unhas-e-dentes a CPMF
. É não é para
menos: o volume de dinheiro da CPMF, cerca de 18 bilhões de
reais/ano, já responde por volta de 9% do total de impostos
arrecadados pela Receita Federal -- algo em torno de 200/210
bilhões de reais/ano...
Do Executivo pulamos
para o Legislativo, onde o PT,
que sempre lutou, com razão, contra o imposto, agora apóia e incluiu
emenda tornando permanente a CPTMF,
com alíquota "simbólica" de 0,08%. E
a intenção do PT aqui não é perpetuar a CPMF para ajudar a
fiscalizar a vida dos contribuintes, mas sim, vislumbrando uma vitória
de Lula para presidente, poder contar, nos cofres públicos,com os
"simbólicos 4 bilhões de reais/ano" que a CPMF a
0,08% vai gerar ...
E por conta do
imbróglio criado com o rompimento "ético" do PFL
com o governo
federal -- que teria agido de forma
"antiética" na apreensão de documentos e um dinheirinho,
através da Polícia
Federal,
na empresa da governadora Roseana Sarney -- o partido está protelando a
votação da MP que prorroga a CPMFL.
Quem sabe o PFL não
seja o salvador de nós, contribuintes espoliados, e acabe
sepultando a nefasta CPMF ? Bobagem, é mais fácil não chover em São
Paulo, no Rio de Janeiro e em Belém do Pará durante 90 dias seguidos...
O PFL deve acabar mesmo é abandonando Roseana à sua própria (e
merecida) sorte e voltar aos braços, à aliança, e aos cargos que
tinha no governo FHC...
Aliás, neste
lamentável episódio, amplificado pela Imprensa sensacionalista, que
envolve o genro do ex-presidente Sarney, Jorge Murad
e sua esposa Roseana
Sarney, em Campanha
para presidenta da República, já está tudo esclarecido e explicado
pela própria CPMFCR
. Os 1 milhão e 340 mil reais, em dinheiro vivo, encontrados no
escritório da firma do casal nada mais são, ou eram, do que Contribuições
Para
Murad
Financiar Campanha
Roseana...
E finalizando a
série de confusões com a sigla, o Everardo Maciel --
aquele que era da Receita Federal
e agora vai para o Ministério da Previdência (mesmo sendo do PFL)
tentar repetir os recordes insaciáveis de arrecadação de
impostos -- criou a CPMFdoB,
lembram-se? É
aquela excrescência jurídica, adotada através de Medida Provisória,
que deu poderes para a RF vasculhar a conta bancária dos cidadãos, sem
necessidade de ordem judicial, implantando o Cadastro
das Pessoas
Mais
Fiscalizadas do
Brasil....
Pelo
exposto e de se concluir que o presidente FHC deve ter a barriga bem dura, apesar de não ser
saliente nem muito grande. Afinal, foi com ela que o
presidente empurrou, durante seus dois mandatos a questão do fim
da "provisória" CPMF e a correção das
congeladas tabelas do Imposto de renda.
Bom humor à
parte - que todos nós devemos ter um pouco para não envelhecer
precocemente e para poder
enfrentar os absurdos desmandos dos governantes -- é
preciso refletir e analisar com olhos críticos não só a CPMF mas
também o caso do Imposto de Renda e a situação enfiada goela adentro
da Nação:
1- os brasileiros conviveram nestes oito anos de governo FHC com
sistemáticas prorrogações do imposto do cheque que devem acabar por
torná-lo definitivo. 2- só vão poder
abater despesas corrigidas na declaração do IR de 2003. Quando o atual
presidente já estiver curtindo as suas várias aposentadorias. Ou se
utilizando da tribuna do Senado Federal para eloqüentes discursos
-- não mais chamando aposentados de vagabundos, é claro
-- caso seja aprovada o esdrúxulo projeto-de-lei que
transforma, a partir do atual, ex-presidentes da República em senadores
vitalícios...
... Contrastando com isso, os cidadãos brasileiros
de há muito já foram transformados de "pagadores provisórios" em "pagadores
vitalícios" da nefasta CPFM...
Falta apenas mudar, na letra da lei, na língua do P , o
significado do
P para Permanente.
Uma
boa semana para todos -- Xô,
xô CPMF. Xô, xô Medidas Provisórias, Xô, xô Tabelas do IR
Congeladas -- terça-feira
(19/03) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
05 a 11 de março de 2.002
TRIPLA JORNADA, 34% MENOS DE SALÁRIO...
É
A MULHER NA DURA DISPUTA COM O HOMEM !
O salto profissional
das mulheres e a inserção delas no mercado de trabalho têm acontecido
nos últimos anos com velocidade meteórica.
É inegável e todos os indicadores e pesquisas apontam
nessa direção. Galgaram novos postos, antes reservados aos
homens, e também posições de destaque. Tornaram-se executivas,
doutoras, comandantes-de-Boeing e até chefes-de-Estado. Por pura competência.
Isso não significa, todavia, que
conseguiram conquistar a justa equiparação salarial!
Estudo
mundial
sobre o Papel da Mulher no Desenvolvimento, realizado pela
ONU revela que as mulheres conquistaram enormes espaços no mercado
-- seja nas áreas de produção,
seja nas áreas administrativas. Mas em
termos de remuneração não foram, ainda,
reconhecidas:
ganham, em média, apenas
dois terços do que recebem os trabalhadores do sexo masculino.
O antigo "sexo frágil"
--
que de muito tempo foi à luta
--
é encarado pela grande maioria das empresas como qualificada e
competente mão-de-obra.
Competente e barata ... Realizando as
mesmas funções e tarefas, produzindo tanto,
quando não mais que o homem,
porém com salário bem menor !
O relatório final dos levantamentos realizados pela ONU ao redor
do mundo, detecta que em vários países o mercado de trabalho feminino
cresceu consideravelmente. Caso da Indonésia, Filipinas, República
Dominicana, Coréia do Sul, Tunísia , Taiwan e Bangladesh. Neste
último, em
1995, existiam 2.400 indústrias de confecções, empregando 1 milhão e
200 mil pessoas. 90% delas eram mulheres. Mas,
à exemplo de outras nações, a média
salarial das mulheres gira em torno de 66% dos salários que são pagos
aos homens.
A pesquisa mostra também que em alguns países, como Estados
Unidos,
El Salvador e Sri Lanka, o fosso salarial entre homens e mulheres
diminuiu, em compensação em outros, como Japão,
Cingapura, e na própria Taiwan a diferença aumentou em favor dos
homens.
Mulheres que enfrentam dupla jornada de trabalho. Tripla na
verdade, pois trabalham fora, administram a casa,
e ficam com a parte pesada da gestação,
amamentação, e os fundamentais cuidados iniciais com os filhos.
E ainda são "presenteadas" ao encabeçar as listas de demissões,
como revela o Levantamento. No pós-crise asiática,
em 1997, elas foram as primeiras a serem despedidas.
E no Brasil, além de demitidas primeiro, demoram também mais
tempo para conseguir novo trabalho. Estudo do IBGE, concluído no
início do ano 2000, comparava que o homem
desempregado demorava, em média, 15 meses para voltar ao
trabalho. Já as trabalhadoras brasileiras levavam
até 23 meses para conseguir um novo emprego...
Coincidência invertida e perversa:
o
desempregado brasileiro levava apenas 66% do tempo gasto pela mulher
para conseguir voltar ao mercado de trabalho!
Um
amplo, importante e detalhado estudo intitulado Mulher e Trabalho no
Rio Grande do Norte, que acaba de ser realizado pela seção
potiguar do DIEESE , revela que apesar de ser maioria no Estado (52% da
população); e ter maior nível de instrução e escolaridade; a
Mulher ocupa normalmente postos mais precários e quando realiza as
mesmas tarefas, recebe salário bem menor do que o do Homem.
O trabalho do DIEESE/RN encerra com uma
constatação para a qual cada um de nós deve atentar: "a
desigualdade social no Brasil, e em particular no Rio Grande do Norte,
se constrói sobre bases diversas. Uma delas é a discriminação das
mulheres no trabalho".
Por tudo isso, e outras questões,
neste
8 de março, Dia Internacional da Mulher, e ainda por alguns
anos -- que esperemos não sejam muitos --
Elas precisam continuar empunhando suas
bandeiras
de luta...
... e mostrando que são tão competentes e que podem exercer tarefas e
cargos
tão pesados ou intelectuais quanto os exercidos pelos homens. De gari
à executivas de grandes corporações.
Mas querem, podem, precisam e têm o direito de ganhar o mesmo que Eles
!!
Uma
boa semana para todos -- a
diferença salarial imposta às mulheres rima menos com machismo e
mais com esperteza, mesmo -- terça-feira
(12/03) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
26 de fevereiro a 04 de março de 2.002
FIM DO RACIONAMENTO FOI PRESSÃO
DE GOVERNADORES E CONCESSIONÁRIAS
Não
foi só São Pedro, ou São José, o santo das chuvas no nordeste, nem
tampouco "São FHC" que foram determinantes para o fim do
racionamento de energia, que acontece efetivamente neste 1* de
março.
Os dois primeiros colaboraram, é certo, com boas chuvas que melhoraram
os níveis dos reservatórios, mas o terceiro foi pressionado
-- e muito -- pelos governadores e pelas
concessionárias distribuidoras de eletricidade dos Estados atingidos
pelas medidas.
E não foi pressionado porque os executivos estaduais e os empresários
do setor queriam livrar os brasileiros do transtornos a que foram
submetidos pela verdadeira economia de guerra. Explico: com os nove
meses do plano de racionamento houve a desejada redução no consumo de
eletricidade mas com ela caíram brutalmente e de forma indesejável
três outras fontes fundamentais. O faturamento; o lucro das
concessionárias e, por tabela, a arrecadação do ICMS (imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços) por parte dos governos
estaduais.
E sobretudo nos Estados nordestinos -- onde a atividade
econômica é fraca, e em alguns casos incipiente -- a
arrecadação de ICMS provenientes de serviços essenciais como luz,
água e telefone é fundamental para o orçamento público. Sobretudo em
ano de eleições para governador e presidente.
Só à título de exemplo, no Rio Grande do Norte deixaram de entrar nos
cofres públicos cerca de 8 milhões de reais de ICMS ( 6,2 no ano
passado e mais uns 2 milhões este ano, em números ainda não
consolidados). Isso só com a queda do recolhimento de ICMS da
Cosern, a empresa distribuidora local. Sem contar, porquanto
imensurável, o que se deixou de arrecadar de impostos com a queda do
nível de atividade da indústria e comércio. Por sua vez, a
mesma Cosern informa que deixou de faturar cerca de 30 milhões de reais
com o racionamento. Isso num Estado pequeno como RN, que têm
apenas cerca de 10% da população de SP e algo em torno de apenas 2% da
produção industrial paulista...
Daí o furor dos governadores; o chororô das concessionárias,
que precisam apresentar lucros para os grupos estrangeiros que as
controlam, e o intenso lobby de bastidores que foi realizado
pelos dois segmentos para forçar a Câmara de Gestão da Crise
Energética, e mais diretamente o presidente da República no sentido de
antecipar o fim do racionamento. Mesmo que técnicos e especialistas
tenham defendido que o plano deveria se estender um pouco mais.
Primeiro para que os reservatórios atingissem realmente níveis seguros
e segundo para que o programa de construção das usinas termelétricas,
movidas a gás natural, pudesse sair definitivamente do papel. Afinal, a
grande maioria das termelétricas projetadas ainda está em fase inicial
de obras. E por mais rápido que deslanchem, a construção e entrada em
operação de cada uma delas vai demorar pelo menos de um ano e meio
para dois.
Mas o lobby das
empresas que monopolizam o setor de distribuição de energia não parou
por aí. Conseguiram que o presidente FHC autorizasse o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES) a realizar para
elas empréstimos com juros escandalosamente baixos e prazos à
perder de vista. De acordo com o governo federal "para compensar
perdas com a diferença do que foi arrecadado com a sobretaxa e o
pagamento dos bônus" . Na verdade, uma conta-caixa-preta que nunca
foi muito transparente para a sociedade.
Conseguiram mais: um aumento imediato de 2,2% nas contas de luz e a
promessa do governo de autorizar novos aumentos que podem chegar aos 19%
até o término do mandato presidencial no fim deste ano. Contra uma
inflação projetada de apenas 3,5 % ...
Para completar, some-se aos aumentos o tal "Imposto-Apagão , que
foi criado pelo governo para remediar o que ele
deixou de prevenir ...
Meus caros
leitores, não se iludam. Quem vai pagar a conta da irresponsabilidade
do governo federal -- que deixou, mesmo alertado, o país
chegar ao ponto do racionamento -- são vocês, sou eu,
somos nós
consumidores !!
Portanto,
acendam
as luzes mas não exagerem. A "facada", mesmo debaixo dos
holofotes, vai ser grande. As concessionárias, quase todas já
privatizadas, vão querer descontar e esfolar os consumidores. E para
isso vão contar com vistas grossas dos governos estaduais e federal,
interessados em também recuperar os milhões em impostos que deixaram
de arrecadar...
Uma
ótima semana para todos -- Há
luz. Mas é o caso de se perguntar: o fim do túnel está próximo
?? -- terça-feira (05/03) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
19 a 25 de fevereiro de 2.002
MÉDICO-PACIENTE:
UMA RELAÇÃO TAMBÉM DE CONSUMO !
Podemos
substituir e não ser consumidores compulsórios dos serviços de
dezenas de profissionais liberais. Mas de uma categoria, a dos médicos,
ninguém de nós pode prescindir !
Há quem seja advogado e consiga realizar, na própria chácara, os
serviços de jardineiro. Existem donas-de-casa que, muito bem, pintam
suas casas. Há jornalistas que sabem fazer a manutenção na parte
elétrica da casa em que residem. Existem milhões de mulheres
-- vendedoras, gerentes, arquitetas, tradutoras,
-- que dispensam a ida ao salão de beleza e tingem cabelos,
fazem as próprias mãos e os pés. Há químicos e
professores que
conseguem, com tranqüilidade, realizar em suas residências os serviços de
encanador...
... Porém dos serviços prestados pelos médicos, mais dia menos
dia, mesmo se auto-medicando, vez por outra, nenhum ser humano consegue deixar de ser consumidor. Nem
mesmo os próprios médicos !!
No momento em que
o brasileiros tomam conhecimento, estarrecidos, do caso desse cirurgião
plástico Marcelo Caron que, na melhor acepção da palavra, já matou 5
mulheres, no exercício da profissão, entendo ser importante
refletir sobre os aspectos econômicos que norteiam --
ou também deveriam nortear -- a relação médico-paciente.
Pouco pensada e
analisada desse ângulo, mas é uma relação de consumo direta: é um
cidadão contratando os serviços de um profissional autônomo. E que
paga, muitas vezes preços justos, muitas vezes preços elevados pelos
serviços. Seja através de plano de saúde; seja de forma particular,
seja mesmo de forma indireta, quando de atendimentos em postos e
hospitais públicos, através da pesada carga de impostos que os
governos impõem que todos paguem.
Por isso mesmo, a relação médico-paciente, deve ser baseada além
dos princípios éticos, do respeito mútuo, da confiança, também nas
boas normas de relacionamento de consumo, do relacionamento entre
cliente e prestador de serviços. A Saúde é um bem maior. E
justamente por isso é preciso haver respeito e observância da lei
também no tocante as determinações contidas no Código de Defesa do
Consumidor. A partir do momento que o paciente, fragilizado ou não pela
doença, senta na frente do médico para uma consulta; realização de
um exame ou qualquer outro procedimento ambulatorial ou cirúrgico,
está estabelecido, iniciado, um processo de consumo.
E isso deve e precisa ser encarado, por ambas as partes, sem hipocrisia,
de maneira responsável e absolutamente natural !! Os médicos ganham a
vida, o sustento, de forma legítima, atendendo pacientes. Cidadãos que
têm direitos como pacientes e também como consumidores.
Tomando como
exemplo
o caso do médico Caron -- e apenas como exemplo, pois são
milhares os casos que não são denunciados e milhares os casos que são
denunciados mas não chegam ao conhecimento do grande público
-- foi preciso que acontecesse a quinta morte, já em Brasília,
para que fosse pedida a prisão preventiva dele (infelizmente, já
revogada). Por que o Conselho Regional de Medicina de Goiás, que
"apurava" há anos mais de 30 denúncias e 3 mortes de
pacientes causadas por Marcelo Caron no Estado, não encaminhou
ofício ao Ministério Público, já lá em Goiânia, solicitando a
prisão preventiva do Médico ? Impedindo assim que ele continuasse a
tomar dinheiro e a vida de pacientes??
Os CRMs e o Conselho Federal de Medicina (CFM) precisam abandonar o
corporativismo exacerbado. Julgar com agilidade os erros e abusos
econômicos cometidos por médicos; tomar medidas severas; tornar as
decisões públicas e, nos casos mais graves, encaminhar as conclusões
para o Ministério Público, solicitando as punições criminais
cabíveis.
Como todo e qualquer Conselho de categoria de trabalhadores
-- e isso vale para engenheiros, jornalistas, advogados, dentistas
e etc -- os CRMs têm, além da obrigação de
defender o mercado de trabalho para seus associados, o dever ético e
cívico de defender os cidadãos, individualmente, e a sociedade
coletivamente, contra os maus-profissionais e contra fatos que estimulem
a negligência no exercício profissional. Caso de um comercial da
Ford que está sendo veiculado nas TVs, em que um "médico"
comanda uma cirurgia, à distância, pelo celular...
Boa parcela dos médicos, e já ouvi de vários deles, concordam com
uma postura menos corporativista e com atitudes mais severas por parte
dos CRMs. Até porque os maus-médicos denigrem e arranham a profissão.
E quanto mais cedo eles forem punidos e afastados, melhor será para a
imagem e o respeito da categoria como um todo !
Uma
ótima semana para todos -- a
boa relação médico-paciente pressupõe ética e respeito mútuo. Ao
prestador e ao consumidor dos serviços --
terça-feira (26/02) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
12 a 18 de fevereiro de 2.002
APÓS
AS CINZAS DA FOLIA OU DO DESCANSO,
CORRA PARA COBRIR A CONTA BANCÁRIA
Antes
de cair na folia para rasgar a fantasia ou de viajar para descansar
neste carnaval, você se lembrou de deixar saldo suficiente na sua conta
bancária para cobrir os cheques emitidos durante o feriadão de momo??
Mais : você atentou para o fato de que a farra começou no dia 8 e as
contas com vencimentos nos dias 9, 10, 11, 12 e 13, e estão em débito
automático, vão ser debitadas de uma paulada só -- se
houver fundos é claro -- logo na ressaca da quarta-feira de cinzas ?
Quando os bancos voltam a abrir as portas, apesar de muita gente só
voltar ao trabalho, à vida normal, na quinta-feira. E uma boa parcela
da população emendar é só voltar na segunda-feira dia 18, quando o
ano realmente começa no Brasil...
Se não se lembrou corra para o banco ou
para o computador para resgatar algum investimento via Internet. Mas tem
que ser rápido, porque, quando você "se der conta" ,
pode ser tarde e a sua conta já poderá estar "estourada" ;
alguns cheques devolvidos ; ou estar correndo os juros absurdos do
cheque especial em cima do saldo devedor.
Com mais um detalhe: os bancos na quarta-feira de cinzas vão abrir em
curto período de apenas 3 horas nas agências do interior e de 4 horas
nas capitais. Tem cidade do interior em que às 13 horas os bancos já
estarão fechados. Quando muita gente ainda estará dormindo depois da
última madrugada nos bailes, nos desfiles de escolas e blocos ou
embarcada em ônibus e aviões de volta para casa...
E se suas contas não estão em débito
automático bancário, os prejuízos podem ser ainda maiores. Contas de
luz, celular, água, telefone e faturas de cartões de crédito não
quitadas no primeiro dia útil subseqüente ao feriadão passam, além
da multa de 2%, a serem corrigidas com juros aplicados desde o
vencimento. Se tiver, por exemplo, seu cartão de crédito vencido no
domingo, dia 10, e não for pago na quarta (13) e sim, digamos, na
segunda (18), a administradora do cartão vai socar na sua goela abaixo
8 dias dos escorchantes juros de 11, 12% ao mês ...
Não há tamborim financeiro que resista !!
Portanto não perca o compasso do samba nem a batida do surdo.
Tampouco deixe o enredo da Escola ou aquela cervejinha à mais
-- sempre, com muita razão, coibida no
carnaval por algum sargento Henrique, do batalhão de trânsito
da PM por esses brasis afora -- inebriar e
paralisar a sua mente: corra para cobrir o banco !!
Um
bom final de carnaval para vocês -- cuidado
para seu cheque não voltar como cheque-fantasia: só serve para os 4
dias de folia, quando os bancos estão fechados, na quarta-feira de
cinzas pode jogar no lixo --
terça-feira (19/02) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 05 a 11 de fevereiro de 2.002
CHEQUE
ESPECIAL:
NÃO É PARA USAR,
MAS É PARA
TER !
Os
bancos, apesar do alarde de muitos deles, não deram muita folga para
os clientes e os juros do cheque especial continuam nas alturas.
Os juros cobrados eram e prosseguem absurdos e escorchantes. Variam de
5% a 9% ao mês. Absurdos, se levarmos em conta a
estabilização da moeda, desde a implantação do real. Escorchantes, se levarmos em conta que a
inflação fechou o ano passado em cerca de 7,5% no índice adotado
pelo governo e no máximo em 10,5% nos outros não-oficiais.
É certo que alguns deles -- caso por exemplo do Itaú e
Bradesco -- , que disputam palmo-a-palmo os clientes; a
aquisição de bancos menores; e a
própria liderança do mercado como um todo; criaram alguns mecanismos
para reduzir as taxas de juros para clientes especiais.
Mecanismos baseados, é claro, na reciprocidade do cliente, que
deve concentrar seus investimentos no banco para conquistar a redução
de juros.
A verdadeira bola-de-neve em que vai se transformando a dívida dos
cheques especiais, beirando em um ano entre 110% e 150% deveria, por si
só, desaconselhar os correntistas "vip's a usar sem critérios
o cheque especial. Nem sempre é o que acontece!
Porém se carregam consigo uma carga
negativa, os cheques especiais tem pontos positivos que devem ser
levados em conta. Sobremaneira analisados sob a ótica de que são
instrumentos para facilitar a vida do cidadão e socorrê-lo em momentos
difíceis , de tragédias pessoais, ou ajudá-lo a ganhar dinheiro no
surgimento de oportunidades.
.
O cheque especial traz consigo um ambigüidade, que o correntista
deve e precisa saber administrar, saber explorar. Não é para
usar, mas é para ter...
Como fazer para não ter que "correr o chapéu" para
sobreviver no momento de um acidente grave? de uma cirurgia
inesperada? Na hora dura do carro furtado? da morte em família? ?
O cheque especial é a saída !!
E dos males o menor. Se você não tem no mês dinheiro
para pagar o total das compras no cartão de crédito, não hesite
em quitar o débito utilizando o cheque especial. No saldo devedor do
cartão você vai ser literalmente estuprado
financeiramente com juros de 10% a 12% ao mês. No Cheque, pelo
menos, você vai arcar com 5% a 7%.
Outro aspecto positivo do
Especial, que muita gente deixa passar, são as oportunidades que surgem
de bons negócios. Um terreno, por exemplo, que vale 30 mil sendo
vendido por 10 mil. Vale comprar, usando o Cheque para vender mais a
frente. O lucro cobrirá, em muito, o juros pagos. Os exemplos são
muitos: imóveis, automóveis, bens duráveis.
Apesar de relutar muito, parcela expressiva
dos brasileiros que se utiliza de cheque Especial precisa atentar para o
fato de que apesar de não ser para usar
cotidianamente, o cheque especial é necessário e imprescindível
Uma
boa semana para todos-- reserve o
cheque especial para situações realmente especiais --
terça-feira (12/02) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 29 de janeiro a
04 de fevereiro de 2.002
GASTADORES COMPULSIVOS
ESTOURAM QUALQUER ORÇAMENTO
Passadas
as festas de fim e começo-de-ano -- período em que
normal e naturalmente todos nós nos excedemos nas compras,
estimulados pelo espírito natalino -- pergunte se você mesmo; alguém de
sua família ou algum amigo(a) continua comprando no mesmo ritmo
frenético. Se
a resposta for sim é preciso refletir. Pode se
tratar de um típico consumidor compulsivo!
Aliás o ato de comprar, de gastar de
forma equilibrada é tão importante e influi de tal forma nos
orçamentos doméstico, empresarial e público, que a matéria
planejamento financeiro deveria ser lecionada desde os bancos escolares
do primeiro grau.
Assim
fosse, não teríamos tantos casamentos desfeitos; tantas famílias
destruídas, tantos suicídios cometidos e tantas empresas e governos
atolados em dívidas. Literalmente quebrados!!
Vira e mexe aparece algum deputado apresentando um projeto de lei para
instituir nos currículos escolares alguma disciplina do tipo Canto
Orfeônico, uma quarta língua , além de português, francês e inglês; Artes
Manuais e por aí afora. Seria de muitíssimo mais valia que algum
parlamentar apresentasse no Congresso, sim, a proposta
da disciplina Planejamento Financeiro ou Administração de Orçamentos.
Gastar
menos do que se ganha no caso das pessoas físicas, ou do que se fatura
no das empresas , ou do que se arrecada no caso de
administrações públicas, é uma regra óbvia e lógica. Mas nem
sempre é o que acontece. Ou melhor, na maioria dos casos, não é o que
se verifica, não é o que acontece!
Estima-se que 8 de cada 10 brasileiros são ou apresentam tendências
consumistas. Daí pode-se concluir que o hábito -- que aos
poucos vai se tornando um vício -- de gastar além da capacidade
de pagar, vem de berço, do que é transmitido voluntária ou
involuntariamente no próprio lar, pelos pais. E se filho de peixe,
peixinho é, filho de gastador...
É aí o que se verifica é que a criança, depois o adolescente e
depois o adulto, acaba incorporando o perigoso costume de comprar além
da conta. Ganhar salário de 800 reais mensais e gastar 1.000. Faturar
na empresa 70 mil e ter custos da ordem de 75 mil. Arrecadar de
taxas e impostos 3,5 milhões e tocar obras faraônicas que,
somadas às despesas mensais da prefeitura, representem 3,8 milhões de
reais. Não significa, respectivamente, ser mal remunerado; vender
pouco; e ter nível baixo de arrecadação. Significa, sim, na maioria
dos casos, comprar mal, administrar mal o orçamento pessoal ou
doméstico, o comercial, ou o público.
Na verdade, muita gente compra, por pura compulsão, o que nunca vai
usar. Reparem...
É claro que em determinados momento da vida ou da história, por força
de contingências que independem de nossa vontade, temos que gastar mais
do que "entra" . Mas isso são, ou deveriam ser,
exceções. Daí que entendo que os pais devem designar uma mesada, por
menor que seja, para os filhos aprenderem, desde cedo, a administrar um
orçamento. Mas a mesada tem que ter caráter educativo, para amanhã,
na falta dos pais, eles saberem se virar sozinho. Não vale o filho
estourar a mesada e o pais darem mais 10, mais 20, mais 30 reais.
Se a mesada é 80 reais, o correto é ensiná-lo a gastar 65 e poupar 15
reais para necessidades e mesmo aspirações
futuras.
Mas como essa cultura, infelizmente, ainda
não existe entre os brasileiros, o que se verifica entre os
consumidores, compradores e gastadores compulsivos é um eterno dilema
de acordar no dia seguinte, ou na semana seguinte à "farra
financeira" sem ter como pagar as contas. Das mais leves e
necessárias, como as da água, luz, telefone e plano de saúde; como as
mais pesadas e nem sempre necessárias como as da boutique; acessórios
automobilísticos, salão de estética, boates e presentes inúteis.
Estas últimas, jogadas, quase sempre, no cartão de crédito ou
no cheque especial, que cobram juros exorbitantes pelas dívidas.
Dívidas que vão crescendo, virando uma bola-de-neve e terminando por
dar um nó na vida e no relacionamento das pessoas. Muitas delas acabam,
tristemente, entrando em "parafuso". Vale refletir
!!
Uma
ótima semana para todos-- do
saudável equilíbrio entre despesas e receitas pode depender o equilíbrio
mental, o equilíbrio dos relacionamentos, da família, da comunidade e
de toda uma nação --
terça-feira (05/02) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
22 a 28 de janeiro de 2.002
POSTOS DE GÁS NATURAL
EXAGERAM NOS LUCROS
Não
bastasse a queda de braços dos postos com o governo federal na
questão da redução dos preços da gasolina -- sempre
envolta por trapalhadas e por jogos de esconde-esconde e
empurra-empurra de ambas as partes -- a parcela deles que
comercializa gás natural veicular (GNV) está praticando margens de
lucro absurdas.
A grande mídia em nível nacional tem
abordado à exaustão o caso da gasolina esquecendo, ou apenas
tangenciando, a questão não do preço mas do lucro exagerado em cima
do varejo do gás natural para uso automotivo. Inimaginável e
inaceitável
na maioria das atividades econômicas, os postos que revendem GNV estão
aplicando quase 200% de lucro em cima do combustível. 185% para ser
mais exato. Já descontados o ICMS...
Isso mesmo, vejam só: as distribuidoras colocam o produto
no posto ao preço de R$ 0,23 o metro cúbico, acrescido do ICMS -- com
alguma variação do imposto por Unidade da Federação -- o
preço vai para cerca de 0,27 centavos. Na maioria das bombas, o preço
ao consumidor final gira em torno de R$ 0,769, na verdade 0,77centavos,
por conta de que são precisos 10 m3 para que a "diferença"
seja de apenas 1 centavo. Portanto, o dono do posto ganha cerca de 0,50
centavos por m3. Num simples cilindro de 20 m3, o lucro é de 10
reais... Convenhamos, um ganho em completo descompasso, fora da
realidade do quadro econômico brasileiro!!
E a atuação das distribuidoras merece um parágrafo de análise. Por
enquanto apenas uma por Estado -- algumas já privatizadas,
caso da CEG/gásNatural, no Rio de Janeiro, algumas ainda estatais,
caso da Potigás, no Rio Grande do Norte -- elas funcionam,
pelo menos no caso do gás natural veicular como simples atravessadoras,
apenas encarecendo o produto que vem direto dos gasodutos e
instalações da Petrobras e poderia ser entregue diretamente nos
postos. As distribuidoras se justificam nas cidades aonde existe ou se
pretende instalar rede de gás natural canalizado para
residências, indústrias e comércio em geral. Aí, sim, as distribuidoras
são necessárias.
É claro que o fato dos postos revendedores de GNV estarem se
locupletando com lucros exorbitantes, não invalida as vantagens da
instalação do gás natural em carros: ( leia em Seleção de Melhores, o meu
Comentário de 18/12/01: GÁS
NATURAL: NÃO HESITE EM ADAPTAR SEU VEÍCULO).
Mas que atenta contra a economia popular e deixa o consumidor
indignado, isso não tenham
dúvidas.
Sobretudo levando-se em consideração alguns fatores. Desde 01 de
janeiro que o mercado de exploração, extração, refino,
distribuição e comercialização de petróleo, derivados e gás natural está
completamente livre e aberto à concorrência nacional e internacional,
encerrando o ciclo de abertura que começou com a quebra do monopólio
da Petrobras. Muito bem, os preços do gás natural, na bombas,
independentemente de tudo isso e de estarem completamente liberados
justamente para
estimular a disputa , continuam de uma uniformidade de
dar raiva. Raríssimos são os postos que praticam preços mais baixos e
diferentes... Nesse caso, sim, é flagrante a cartelização !
Na tentativa de justificar o
injustificável, alguns proprietários de postos ensaiam que "os
investimentos e os custos são altos " . O que, mesmo que fosse uma
verdade absoluta, não explicaria a uniformização de preços . Depois,
a adaptação de um posto de combustíveis ou construção de um
específico para gás natural não envolve investimentos bilionários.
Além de bombas e compressores especiais, o restante são
equipamentos tradicionais. Outra questão que envolve até menos custos
do que com relação à gasolina e outros combustíveis líquidos, é
que a mão de obra -- os frentistas -- não necessita qualificação
profissional, nem tampouco acadêmica. Com nível primário e duas horas
de treinamento qualquer trabalhador fica apto a desempenhar as
funções. Mais ainda: um só frentista atende 2 bombas simultaneamente,
quando não mais. Pelas características, engatado o bico a bomba
desliga automaticamente ao completar o enchimento do cilindro de
gás. Liberando o funcionário para outro atendimento.
Por tudo isso, e muito mais, até pensando em estimular o crescimento do
mercado de adaptação dos carros para o gás natural, a chamada
"conversão", os proprietários de postos e os representantes
dos sindicatos de classe bem que poderiam pensar em aplicar uma
redução no preço de, digamos, 10% . O gás passaria para R$ 0,69;
manteria a relação de economia de 1/3 comparada ao gasto com gasolina; não causaria nenhum rombo no balanço dos empresários
do setor; e a margem de lucro ainda continuaria num ótimo patamar. De
dar inveja para dezenas e dezenas de outros segmentos empresariais. Sem
contar que o gás natural só é vendido no cash. À vista. Só entra
dinheiro vivo ou cheque para o dia. Diferentemente do álcool e da
gasolina, nem cartões de crédito, nem cheque pré-datados são
aceitos...
Uma
ótima semana para todos-- ganhar
um pouco menos no unitário para lucrar mais no volume total
vendido. É uma estratégia antiga, mas que os proprietários de postos
de GNV poderiam "descobrir" --
terça-feira (29/01) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
15 a 21 de janeiro de 2.002
COM O REI NA BARRIGA E OS
COFRES CHEIOS,
FHC QUER SER VITALÍCIO E
DEPOIS IMORTAL
No
apagar das luzes do ano que passou e começo deste, os
brasileiros em geral e até alguns políticos da base governista, em
particular, foram brindados com uma série de medidas,
omissões e até algumas traições por parte do presidente
Fernando Henrique Cardoso, que afetarão a economia popular em
2002.
A mais flagrante, grave e acintosa delas foi, sem sombra de dúvidas,
o teatro armado entre o gabinete presidencial; o insaciável
secretário da Receita Federal, Everardo Maciel; e parcela dos
líderes políticos aliados para, novamente, pelo sétimo ano
consecutivo não corrigir as tabelas do Imposto de Renda Pessoa
Física. Foi uma verdadeira rasteira:
Depois de aprovada pelo congresso
Nacional -- com a participação do próprio governo que
comandou "exaustivas" negociações; definiu o percentual de
17,5% e orientou seu parlamentares para votar a favor --
FHC que havia prometido sancionar, simplesmente usou o poder de veto e
não sancionou a lei que corrigia as tabelas do IRPF. E anunciou,
"para corrigir erros de redação no texto da Lei" a
edição de uma Medida Provisória (MP) com o mesmo percentual de
correção. Pequeno detalhe: para valer apenas para as declarações
que serão apresentadas em 2003...
Repito: uma rasteira. Nos contribuintes e
até em deputados e senadores aliados. Parlamentares que, agora
traídos, deveriam ter a dignidade de derrubar o veto presidencial,
que retorna para ser apreciado pelo congresso.
A não-correção das tabelas do IR representa um verdadeiro confisco.
Eu mesmo já analisei e demonstrei isso em vários artigos. O
Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais há anos denuncia o fato e
estimou que em 2000 foram confiscados do contribuintes mais de 3
bilhões de reais; em 2001 cerca de 5 bilhões; e em 2002 serão cerca
de 7 bilhões de reais literalmente pungados do bolso dos
cidadãos. Ao contrário do que tenta iludir o governo FHC, não
haveria "queda na arrecadação", uma vez que o imposto vem
sendo cobrado à maior, há 6 anos... Se justiça fiscal houvesse, os
contribuintes deveriam eram ser ressarcidos !
E ontem (14) mesmo caiu a máscara da afinada dupla FHC e Everardo
Maciel nessa questão. Foi divulgado o total de impostos arrecadados
pelo governo federal em 2.001. Apesar do racionamento de energia; da
queda na produção; dos atentados em NY; do desaquecimento da
Economia; e da crise na Argentina o resultado foi recorde de
arrecadação na história do Brasil: 205,9 bilhões de reais.
Destes, nada mais nada menos que 197,6 bilhões de reais
entraram nos cofres públicos pelas "mãos" do Everardo, da
Receita Federal...
Mas os brindes de ano-novo não acabaram por aí. FHC jogou
duro e com tal açodamento que conseguiu com que a Câmara dos
Deputados "flexibilizasse" a CLT, as leis que protegem os
trabalhadores -- "flexibilização" que,
espera-se, o Senado deve engavetar. Prometeu o presidente
redução de 20% no preço da gasolina, percentual ainda não
atingido, mas em compensação determinou um aumento de mais de
20% no GLP. O gás de cozinha, que quase não pesa no orçamento
doméstico. Apenas um botijão passou a custar 12% do Salário
Mínimo...
E depois do racionamento de eletricidade, do imposto-apagão (
disfarçado de sobretaxa, para o cidadão que não cumpre as metas) e
dos ilegais cortes de energia, o governo já anunciou que vêm aí o
imposto anti-apagão. Um "seguro" que teremos todos que
pagar para evitar a escuridão que pode acontecer, não por culpa de
Deus -- como pretende fazer crer o ministro Parente
-- mas sim por conta da irresponsabilidade do governo
federal. FHC, alertado mais de um ano antes, foi pensar em
agir quando a crise e a água estavam, literalmente, nos
calcanhares...
Agora, para coroar com
chave-de-ouro, FHC apóia, inconfessadamente é claro, um projeto
esdrúxulo que tramita no Senado, criando o cargo de "senador
vitalício" para ex-presidentes da República. Valendo, é claro
também, apenas a partir do atual ocupante do Palácio do Planalto.
Estariam fora Sarney, Itamar Franco... Francamente...
E podem escrever aí: após o término deste segundo mandato, de posse,
ou não, de uma cadeira como senador vitalício, Fernando Henrique, com
o rei na barriga, vai colocar a tropa na rua para a conquista de uma
outra cadeira. A cadeira de imortal na Academia Brasileira de
Letras. Podem anotar !!
Uma
boa semana para todos-- enquanto
nosso presidente, com outro presidente, Putin, brinda com vodka de
primeira linha, feito um autêntico Czar da Rússia, o povo brasileiro
é brindado com cachaça. De segunda linha --
terça-feira (22/01) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 08 a 14 de janeiro de 2.002
TROCA-TROCA DE PRESIDENTES,
O ÚLTIMO
TANGO ARGENTINO
A
solução para os problemas econômicos da vizinha Argentina,
infelizmente, parecem longe do fim. Sobretudo se analisarmos a
troca-troca de presidentes, que aconteceu nos últimos dias e a que
acontecerá, novamente, em outubro do próximo ano.
Há exatamente 1 ano e 20 dias eu defendia aqui -- no
Comentário de 18 de dezembro de 2000, intitulado "SALVAR A
ECONOMIA ARGENTINA, SIGNIFICA MANTER A ESTABILIDADE BRASILEIRA"
-- que o Brasil
deveria ajudar os argentinos sob pena da crise lá, refletir cá e
prejudicar a nossa estabilidade econômica.
Naquela oportunidade, no chamado "Pacote de Blindagem", o
FMI; o Banco Mundial (BIRD) e vários instituições e países
-- entre eles a distante Espanha, com 1 bilhão de dólares
-- ajudaram nossos vizinhos. O governo Fernando Henrique se negou
, à época, em colaborar, em ajudar. Um erro crasso! Na medida
que a Argentina é o 2* maior mercado consumidor de produtos
brasileiros. E sem a Argentina, cá para nós , o tal do Mercosul não
decola, não saí do papel.
Há
cerca de 1 mês eu escrevi, também aqui, que se o governo
argentino persistisse na paridade artificial do peso com o dólar,
o desembocar da crise portenha só podia ser a moratória. E se nenhum
fato novo acontecesse -- como a rolagem da dívida com o
FMI, ou a ajuda externa de outras instituições e países --
no calote explícito.
Muito bem.
Desta feita, no auge da crise econômico-institucional que culminou
com a renúncia do ex-presidente Fernando De La Rúa, saques aos
supermercados e sangrentos
conflitos de rua, os papéis se inverteram e o FMI se negou a
colaborar, exigiu o pagamento das parcelas vencidas e abandonou o país
à sua própria sorte. Já o governo-tartaruga de FHC, finalmente,
acenou, acenou, com a possibilidade de ajudar financeiramente nossos vizinhos
argentinos. O problema é que, agora, pode ser tarde demais... A
saída de De La Rúa atirou a Argentina para um festival de
presidentes:
Após a renúncia, assumiu o atual presidente da Senado, Ramon
Puerta. 24 horas depois já estava eleito, pela Assembléia Nacional (
o Congresso deles), de maioria peronista, de oposição, um novo
presidente, o governador da Província de San Luis, Adolfo
Rodrigues Saá, para uma interinidade de pouco mais de 70 dias. Tomou
ele uma série de medidas polêmicas , entre elas decretou a moratória
geral, suspendeu os pagamentos ao FMI e criou uma nova moeda, o argentino,
que acabou não saindo, literalmente, do papel-idéia. Saá
não
rompeu o ano-novo. Atropelado pelos fatos e sem unanimidade nem dentro
de sua agremiação, o Partido Justicialista, também renunciou,
colocando mais lenha na fogueira da crise.
Assumiu o presidente da Câmara, o deputado Eduardo Camaño que, apesar
da curta passagem de alguns dias pelo cargo máximo, também teve que
tomar algumas decisões. A principal delas a de manter a Moratória,
decretada pelo antecessor. Na verdade até ali, e até esta altura, na
prática, o calote internacional.
Nova
reviravolta no quadro político, agravamento da crise institucional e as
eleições livres e diretas anteriormente marcadas para o próximo 03 de
março -- quando seria eleito pelo povo um presidente para
cumprir o mandato-tampão pelo que restava do tempo de gestão do
renunciante De La Rúa -- foram canceladas.
A
Assembléia Legislativa nas primeiras horas do segundo dia deste ano
elegeu mais um novo presidente argentino -- o quinto em
apenas 13 dias. Desta feita o senador Eduardo Duhalde, empossado
imediatamente com a "tarefa" de compor um governo de
"Salvação Nacional". Logo no primeiro discurso não teve
dúvidas, afirmou que "a Argentina está falida, quebrada".
Eleito com novas regras, diferentes da semana anterior, Duhalde será
agora o presidente-tampão, permanecendo (se não renunciar, é claro,
à exemplo dos antecessores) à meia-boca, até o final do próximo ano.
E só, uma vez que teve que assumir o compromisso de não ser candidato
nas eleições presidenciais diretas programadas para outubro de
2003. Duhalde, entre outras medidas de impacto, manteve a Moratória;
"desinventou" uma nova moeda, e, finalmente, promoveu a quebra
da falsa paridade do peso com o dólar, que amordaçava, já de alguns
anos, toda a economia portenha.
Sem entrar no mérito,
nem na análise de de cada uma delas, gostaria de enfocar a
problemática da interinidade dos presidentes e o caráter provisório
das medidas. Serão, agora,
cerca de 11 meses de ações de Dhualde e, em janeiro de 2003, a
Argentina já estará mergulhada, novamente numa campanha eleitoral, com
eleição em outubro e posse de mais um
novo presidente em 10 de dezembro do próximo ano. Que
e certamente imprimirá sua marca pessoal -- revogará e implantará novas
medidas...
...
Ufa! Serão 6 (seis) presidentes da República em 2 anos! Não há Economia, Gestão e
Planejamento de qualquer país que resistam ilesos a tantos mandatários!!
Será um verdadeiro milagre que a Argentina não venha a soçobrar
nessa troca-troca de presidentes e que os militares não se lancem em
nova aventura ditatorial, em novo golpe militar, como de passado bem
recente na Argentina.
Vamos
torcer para que não. Seria um desastre para a economia portenha, para
a brasileira e para a estabilidade democrática da América do Sul.
Uma
boa semana para todos-- Que os
argentinos não dancem o último tango. Isso não vai dar samba
para os brasileiros --
terça-feira (15/01) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
SEGUNDO
SEMESTRE DE 2.001
** Brasil,
18 de dezembro de 2.001 a 07 de janeiro de 2.002
**Excepcionalmente
a periodicidade semanal do artigo foi estendida, em razão de férias de
15 dias do autor.
GÁS
NATURAL: NÃO HESITE
EM ADAPTAR SEU VEÍCULO
Apesar do sucesso internacional do Gás Natural -- em todo
mundo já são mais de 2 milhões de veículos rodando com o combustível
-- muitas dúvidas ainda pairam na cabeça
do consumidor brasileiro e cercam a "conversão",
segurança, utilização e as reais vantagens da instalação do Gás
Natural Veicular (GNV).
E a primeira delas talvez seja o próprio equívoco cometido pelas
instaladoras ao anunciar, em suas propagandas, que realizam a "conversão"
do veículo para Gás Natural. Na verdade -- e aí
reside uma das grandes vantagens do processo -- o que se faz
é a instalação, a adaptação de um sistema a mais de
combustível. O cidadão continua a poder utilizar o combustível
original de seu automóvel, seja ele Gasolina ou Álcool, sempre
que quiser ou necessitar. O motor não é convertido, mas
sim adaptado !
Por
outro lado, há ainda um pouco de medo por boa parte dos motoristas ao
lembrar de explosões e acidentes que aconteceram -- e ainda
acontecem, em menor escala, já que continuam existindo carros rodando
de forma irresponsável e ilegal adaptados para uso de botijões de gás
de cozinha. E existem não só em cidades do interior, mas também
nas capitais. Todavia, são apenas medo e confusão
absolutamente compreensíveis. O do botijão caseiro, proibido para
automóveis, sim é de alto risco, uma vez que o Gás Liquefeito de Petróleo
(GLP), usado para cozinhar alimentos, é altamente inflamável,tóxico,
pouco volátil e muito explosivo. Justamente ao contrário do Gás
Natural, que é pouco inflamável e por ser extremamente volátil, mais
leve que o ar, em caso de vazamento ou acidente se dispersa rapidamente
na atmosfera. Reduzindo ao mínimo o risco de intoxicação e explosão.
Há
também um certo receio de que o Programa do Gás vá se
transformar em mais um ProÁlcool da vida, com prejuízos financeiros e
dores de cabeça para quem optou por comprar ou converter um carro de
Gasolina para Álcool. Não vai.
Sobretudo porque o Gás Natural além de reservas fartas, têm
excedentes que são queimados na maioria das plataformas marítimas e
refinarias. Não vai, porque o gasoduto Bolívia-Brasil, construído
e operado pela Petrobras vai ajudar a
suprir as demandas não só das termoelétricas que estão em construção;
e dos vários segmentos da indústria, como a de Cerâmica e Panificação;
mas também as demandas automotivas. Não vai, também porque a estatal
brasileira Petrobras é majoritária na empresa além de ser a operadora
da companhia boliviana de petróleo e gás. E finalmente o Gás Natural
não vai se transformar num novo ProÁlcool porque é rentável, não têm
o escandaloso subsídio governamental, nem tampouco está nas mãos de
usineiros. Alguns falidos, outros inescrupulosos como foi o caso daquele
programa.
E mais: com táxis rodando desde 1991, portanto há 10 anos, e
carros particulares desde o início de 96, quando foram legalmente
autorizados pelo Governo Federal, já está mais do que provado que o Gás
Natural não desgasta as peças do motor e não dá oficina
toda semana, como o carro a Álcool.
As vantagens são muitas. O retorno do investimento, por exemplo,
aparentemente alto -- entre R$2 mil e R$2,5 mil -- é
rápido e garantido. Basta checar com a economia feita. E para isso faça
uma conta simples, arredondada. Para baixo até dos 70% de economia que
as empresas instaladoras prometem: Seja qual for a marca de seu veículo,
Ford, GM, Volks, Fiat ou importado, some o seu gasto atual com gasolina
e divida por 3. Se estiver gastando 300 reais por mês, você vai passar
a gastar só 100 reais. Se gastar 600, vai passar a gastar apenas 200
reais, economizando 400 reais por mês. No primeiro caso, em 10/12 meses
você recupera tudo que investiu. No segundo caso em lépidos 5/6 meses
você já recuperou o que gastou e pode passar a colocar todo mês 400
reais na poupança ou num bom fundo de investimento !!
E as
vantagens não param por aí. Economia também no IPVA, que passa a ter
desconto. Redução na poluição; dispensa do rodízio obrigatório, no
caso de São Paulo; possibilidade de transferência do kit do carro
antigo para o novo adquirido; etc e etc..
Por tudo isso e muito mais, não tenha dúvidas de instalar o Gás
Natural em seu veículo particular, ou frota de sua empresa.
É
o combustível mais limpo, seguro, viável e econômico até agora
descoberto. O
Meio Ambiente vai agradecer ! Porém quem mais vai agradecer e ficar
satisfeito, mesmo, são seu bolso, sua poupança e a coisa mais
importante: sua família !!
Feliz
Natal e um esplêndido 2002 -- pode
ir com ir com todo gás para o carro a Gás Natural.
Esse sim, qualquer dia você vai ter um --
terça-feira **(08/01
) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 11 a 17 de dezembro de 2.001
CARTÕES
DE CRÉDITO INSISTEM
EM COBRAR JUROS EXTORSIVOS
As administradoras de cartões de
crédito não se corrigem!!
Fingindo desconhecer a estabilidade da moeda brasileira, continuam
a praticar juros abusivos entre 10% a 12 % ao mês. Percentuais que
atingem escorchantes e inconstitucionais 250% ao ano! Contra uma
inflação no mesmo período de cerca de 7% ...
"Pague qualquer valor entre o mínimo e o
total da fatura" . Esta estimulante e
aparentemente ingênua mensagem, grafada nos extratos dos cartões de crédito,
tem causado um rombo no orçamento, no nome e na vida de milhões de
consumidores brasileiros.
Não pagar o total significa, já no mês seguinte, um susto com os
encargos absurdos cobrados e pode ser o início de uma verdadeira dívida
bola-de-neve. Em muitos casos impagável.
É claro que o ideal é pagar o total da compras todo mês, mas
isso nem sempre é possível ao cidadão. Por várias razões. Entre
elas o crescente desemprego, motivos de saúde, acidentes, separação
de cônjuges, etc e etc, que podem tornar, involuntariamente, um bom
pagador em inadimplente.
Sem contar o descontrole consumista de algumas pessoas que --
numa sociedade democrática e de apelos diários ao consumo
-- não pode ser punido com juros ilegais, que proporcionam lucros
astronômicos às empresas de cartões.
Se
você está numa situação dessas, pressionado e ameaçado pela
administradora, não hesite em recorrer à Justiça. Por muitas boas razões
e com grandes chances de ganhar:
Vários tribunais de primeira e segunda instâncias já deram ganho de
causa a clientes inadimplentes que ajuizaram ações, acatando a tese da
ilegalidade da cobrança, uma vez que a Constituição do Brasil
estabelece teto máximo de 12% de juros ao ano. Por outro lado, alguns
dos ministros do Superior Tribunal de Justiça já manifestaram
posição favorável à causa. Fato que tem levado, inclusive, as
administradoras de cartões de crédito a recuar de recursos ou
simplesmente nem recorrer às instâncias superiores. Preferindo fazer
acordo com o cliente para evitar, estrategicamente, que se firme
jurisprudência tanto no STJ como no Supremo Tribunal Federal (STF) --
o que seria pior para eles, melhor e mais justo para os cidadãos.
Outra ponto que facilita aos clientes prejudicados o ajuizamento de ações
na justiça é que, ao contrário de alguns anos atrás, já existem em
alguns Estados associações específicas de defesa dos direitos
financeiros dos consumidores. E nas cidades onde não houver, é possível
recorrer às tradicionais associações de defesa do consumidor, aos Procons
municipais e estaduais e mesmo direto aos juizados de pequenas
causas.
Até porque, além da inconstitucionalidade dos altos juros, o próprio
Código de Defesa do Consumidor considera nula de pleno direito toda e
qualquer cláusula que estabeleça obrigações e cobranças abusivas.
Portanto, estando você inadimplente, não tenha dúvidas
em recorrer à Justiça. Para pagar a sua dívida, sim, mas com multa e
juros decentes. Justos e compatíveis com a realidade e em compasso com
o atual quadro de inflação controlada !!
Uma
ótima semana para
todos -- por
falar em juros extorsivos preste muita atenção nas "ofertas"
à prazo deste Natal. Os juros embutidos estão pela hora da morte --
terça-feira (18/12 ) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil, 03 a 10 de dezembro de 2.001
ARGENTINA
PENDURADA NA PARIDADE
ARTIFICIAL
DO PESO X DÓLAR
O presidente Fernando de La Rúa vai tentando, ou
melhor insistindo com seu ministro Cavallo -- que por vezes,
faz jus ao nome -- visando tirar a Argentina do buraco econômico.
Mas está difícil! Já são 11 pacotaços desde que assumiu o governo,
3 ministros da Economia, idas-e-vindas ao FMI, marchas-e-contra-marchas,
e nada do barco parar de fazer água. Nada do Risco Argentina
-- aquele em que os investidores e grandes corporações
internacionais se baseiam para aplicar num país -- pelo menos se
estabilizar. Ao contrário: o risco sobe dia-a-dia, afastando as poucas
tábuas de salvação.
Neste último pacote, mal costurado e embrulhado no último
fim-de-semana
-- que para a infelicidade do governo e felicidade de parte
dos argentinos a Justiça está concedendo liminares suspendendo os
efeitos -- o ministro Cavallo chegou muito perto do confisco e do
congelamento das economias populares, ao determinar que saques,
movimentações e pagamentos em dinheiro sejam limitados até 250 pesos
ou dólares. Passando disso, só em cheques ou cartão de
crédito.
Um constrangimento, uma imposição e uma sobrecarga no já apertado
orçamento doméstico dos portenhos. Sobretudo levando-se em conta que
sistema bancário argentino cobra altas taxas dos clientes. Para manter
uma conta corrente custa cerca de 30 dólares por mês. Por uma
simples folha de cheque os bancos de lá chegam cobrar 1 dólar
...
Para viajar ao exterior, o constrangimento e o sacrifício são
maiores ainda. O cidadão só poderá dispor de 1000 dólares em
espécie. Se for flagrado com mais, corre o rico de ser preso. Um
cerceamento das liberdades individuais e um baita problema para um povo
que não é acostumado a pagar e receber em cheques e sim em dinheiro
vivo.
Mas
será que mais estas novas medidas impopulares vão conseguir
solucionar o problema? Ou pelo menos apontar o caminho das pedras ?? É
pouco provável !! Até porque, nos 10 pacotes anteriores medidas
tão ou mais amargas adotadas pelo governo argentino não surtiram os
efeitos desejados. Nem reconquistaram a confiança de investidores,
governos e mesmo do Fundo Monetário Internacional. FMI que,depois de sugar o país nos últimos 3 anos
e meio, parece que vai abandonando a Argentina à própria sorte.
Na minha avaliação o que pode servir de base para se iniciar o
estancamento da sangria desatada seria o governo de La Rúa
abandonar a obstinada idéia de manter, artificialmente, a paridade do
peso com o dólar. Pode até haver um sentimento nacionalista implantado
na cabeça dos argentinos de que a moeda local vale tanto quanto, mas a
verdade não é essa. 1 peso não vale 1 dólar americano. Assim
como 1 real não valia 1 dólar, quando o governo brasileiro
implantou o Plano Real e tentou, também artificialmente,
equiparar a nova moeda ao dólar quatrocentão. Resultado: a
estabilização da Economia só se consolidou quando o Banco Central
resolveu adotar a política do câmbio flutuante.
Contraditoriamente,
o todo-poderoso ministro Cavallo que não admite falar em
desvalorização do peso, caminha à passos largos para dolarizar a
economia Argentina. No Pacotaço liberou os bancos e instituições
financeiras para realizar empréstimos em moeda americana e os saques
bancários em dinheiro também já podem ser convertidos em dólar...
Convenhamos, substituir a moeda nacional, seja ela qual for,mesmo de
forma parcial, por uma estrangeira, significa perda da identidade muito
maior do que a desvalorização do dinheiro e a liberação do câmbio!
E quanto aos reflexos da longa crise portenha no Brasil, é preciso não
ficar muito eufórico com a melhora em alguns de nossos
indicadores --- caso da cotação do dólar que recuou até
os R$ 2,45, na menor cotação dos últimos 4 meses -- e
imaginar que ela já deixou de nos afetar. Os reflexos vêm em ondas cíclicas.
É bom lembrar que a Argentina é o o nosso maior parceiro comercial no
MercoSul e o 2* maior mercado mundial para os produtos brasileiros e só
neste ano, as exportações brasileiras para lá já despencaram 41%. Qualquer
crise, Lá. Reflete, Cá. (leia em Seleção, meu comentário de
18/12/2000, "Salvar
a Economia Argentina, Significa Manter a Estabilidade Brasileira")
Uma boa semana para
todos -- ou
a Argentina
quebra a paridade artificial do peso/dólar, ou corre o risco de quebrar
a si própria, levando de roldão o sonho de um MercoSul forte --
terça-feira (11/12 ) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
27 de novembro a 03 de dezembro de 2.001
ABAIXO
A CLT !
A ÚLTIMA DE FHC !!
Nunca se viu tamanho açodamento de um governo
para mudar a legislação trabalhista como o país assiste perplexo a
ofensiva comandada pessoalmente pelo presidente da República.
Da noite para o dia, sem antes permitir o amplo debate necessário com
os vários setores da Economia e da sociedade que serão afetados por
matéria de tamanha importância, o presidente FHC resolve enviar à
Câmara dos Deputados um projeto mirabolante que "flexibiliza"
ou para dizer a verdade, reduz significativamente as leis, conquistas e
garantias trabalhistas. E o pior: para ser votado em regime de Urgência
Constitucional...
Como se fosse caso de vida ou morte. E é tal o constrangimento
das lideranças aliadas em defender o projeto, que fica patente que não
é uma decisão de governo e sim um gesto de caráter nitidamente
pessoal. Com a marca FHC.
Urgência que o governo não consegue ver, ou melhor não que
enxergar no caso da correção das tabelas do Imposto de Renda,
congeladas há 6 anos. E esta sim uma decisão de governo: o ministro da
Fazenda, Pedro Malan, Everardo, o insaciável da Receita
Federal e toda a equipe econômica falam e tocam o mesmo pito:
Congelamento. Sempre. Urgência Constitucional, da
"flexibilização da CLT" usada agora como
estratégia para empurrar com barriga o "congelamento do IRPF"
por mais um ano, na medida que pauta da Câmara fica trancada,
paralisada até a votação da tal "flexibilização".
Na prática, a iniciativa é um ponta-pé-inicial,
e brutal, para colocar por terra a CLT. Que é preciso que
se diga, apesar de ter sido promulgada pelo presidente Getúlio Vargas,
há 60 anos, a Consolidação das Leis do Trabalho sofreu
modificações, atualizações e incorporações ao longo dos anos . O
próprio advento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em
1967 é uma delas. É claro também que a CLT pode e deve ser
modernizada, como o Código Tributário, a Lei do Inquilinato, o Código
Penal e tantos outros, mas não à toque de caixa...
...E nem da forma proposta
pelo governo: os acordos e negociações coletivas entre sindicatos
patronais e sindicatos de trabalhadores prevaleceriam sobre as leis.
Ora, há acordos e acordos. Negociações e negociações.
Há sindicatos sérios, muitos. Mas há também sindicatos, federações
e centrais sindicais não-sérias. Muitas. E dos dois lados.
Por outro lado um acordo que prevalecesse sobre as leis poderia e pode
dar certo para categorias profissionais numerosas e fortes, como
metalúrgicos e bancários Mas e aquelas de menor número e sem força e
desmobilizadas ? Estarão fadadas à amargar revezes.
Hoje, com o apoio das leis, vários sindicatos patronais têm
"brindado " trabalhadores com reajustes anuais de
"zero" por cento. Imaginem num pântano sem-leis ??
Mas o açodamento do governo é
tanto que provoca defecções até na sua base aliada. O PMDB vota
contra. O PFL está dividido. E até no PSDB, do presidente Fernando
Henrique, existem muitos tucanos contra a pressa palaciana.
Nas entidades sindicais representativas, as posições em relação ao
projeto são naturais. A FIESP está à favor, até por dever de classe:
a maioria dos grandes empresários será beneficiada. CUT, também por
dever de ofício, é frontalmente contra: os trabalhadores perdem
direitos e força para negociar, tendo que partir do zero. A
Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) também é
contra, na mesma linha. Quem tem destoado nessa história é a Força
Sindical, que precipitadamente, saiu em apoio às mudanças. Utilizando
como argumento o acordo dos metalúrgicos do ABC com a Volks, que inicialmente
criticou. Mas aquele acordo foi conquistado por uma categoria forte, com
a CLT vigente. Sem o amparo da Lei, não se pode afirmar, com absoluta
segurança que o acordo que reverteu as três mil demissões na
montadora seria o mesmo.
A OAB é contra e vai ao STF se a medida for aprovada. A
Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas também é
frontalmente contra as intenções governistas e o presidente da
entidade, Luiz Carlos Moura, tem uma tese a ser levada em
consideração: na avaliação dele, "além de prejudicar os
trabalhadores, o projeto pode empobrecer também os pequenos e médios
empresários, que não terão como reduzir custos e tornar seus produtos
mais competitivos negociando com os trabalhadores com a mesma força ds
grandes empresas e multinacionais"
Por falar em empobrecer, os brasileiros, patrões
ou empregados, ainda são obrigados a ouvir do ministro da Fazenda,
Pedro Malan, que "se a tabela do Imposto de Renda for corrigida
quem vai pagar são os pobres" . Com ou sem carteira assinada,
durma-se com um barulho desses. Para ser educado e não dizer outra
coisa...
Uma boa semana para
todos -- Dirão
os getulistas: saudades da Era Vargas. Pelo menos GV,
assumidamente ditador, também chamado de o "Pai dos Pobres" ,
criou leis a favor dos trabalhadores... --
terça-feira (04/12 ) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
Brasil,
20 a 26 de novembro de 2.001
OS
ESTRAGOS NA ECONOMIA
CAUSADOS
POR "SIMPLES" GRIPES
Aparentemente inofensivas e passageiras aquelas simples gripes
contraídas, várias vezes ao ano, por milhões de brasileiros, causam
consideráveis rombos na Economia do país.
Seja nos Estados "frios", seja nos Estados de
clima quente. Seja no inverno, seja agora no verão, os surtos
causam enormes prejuízos às empresas, famílias e instituições.
Acometidas pelo vírus influenza -- que a cada surto
cria novas mutações para atacar e recebe um novo apelido por parte da
população -- as pessoas faltam vários dias
seguidos ao
trabalho. E o pior:
não raro em dias alternados por causa das aparentes
melhoras e súbitas recaídas no quadro gripal.
Por conta
disso, produtos deixam de ser produzidos, clientes deixam
de ser atendidos, mercadorias deixam de ser transportadas e
comercializadas e centenas de tipos de serviços deixam de ser
executados. Sobretudo aqueles prestados por profissionais autônomos,
como pedreiros, dentistas, eletricistas, encanadores, jornalistas, manicuras,
etc, e etc... Sem contabilizar, o que é gasto com remédios que servem
apenas de alívio e como paliativo psicológico, uma vez que enquanto
cíclico os vírus -- diferentemente das bactérias,
destruídas por antibióticos -- não são combatidos e eliminados
pronta e diretamente.
Nos Estados Unidos, onde existem levantamentos estatísticos de valores,
o rombo causado no caixa das empresas pelas faltas ao trabalho
motivadas pelas gripes e doenças em geral chega à casa de
centenas de bilhões de dólares.
De acordo com dados citados no livro americano intitulado
"Gerenciamento de Compensação e Benefícios", de
autoria de especialistas em recursos humanos, os EUA gastaram, no ano de
1973, 247 bilhões de dólares com a saúde. Esses números
saltaram , em 1993, para a espantosa cifra de 1 trilhão de dólares.
E o mais grave para a economia de mercado é que as empresas privadas,
arcaram com onerosos percentuais que variam entre 30% a 40% desses
custos médicos !
No Brasil não há levantamentos consolidados de valores e cifras.
Já a FUNDACENTRO, fundação ligada ao Ministério do Trabalho e
que cuida da segurança e medicina do trabalho, numa atitude louvável,
realiza sérios estudos e acompanha de perto a questão da
falta ao trabalho, na tentativa de melhorar o quadro com a indicação
de caminhos e saídas para o grave problema .
Mas a melhor saída é, com absoluta certeza, a
prevenção através da eficiente e rápida vacina contra a gripe, que protege
durante 1 ano. Muitas empresas já proporcionam há cerca de 3 ou
4 anos a vacinação para seus empregados. Mais até como
estratégia de redução de custos do que propriamente como benefício
social. Por vez que a gripe é infecto-contagiosa e, mais do que faltar
ao trabalho, antes disso, o funcionário gripado transmite a doença
rapidamente para os colegas, ocasionando queda na produção. Além
de que uma simples gripe pode evoluir,
ou melhor involuir, para uma fatal pneumonia, uma sinusite ou agravar um
já existente quadro de diabetes, asma e doenças cardíacas...
Agora se você é profissional liberal ou se sua
empresa não proporciona, já é possível tomar a vacina antigripe em
clínicas especializadas. O preço é bastante acessível, varia entre
20 e 30 reais. Se comparado com o custo/benefício de ficar imune por 12
meses; não se afastar do trabalho; ficar livre da tosse, dores no
corpo, febre, rouquidão; e economizar uma fortuna de farmácia; a
vacina é de graça !!
Uma boa semana com
saúde para todos -- Não
brinque com a simples
gripe. É
simples,
basta se vacinar.
É melhor prevenir, porque não há como remediar --
terça-feira (27/11 ) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
13 a 19 de novembro de 2.001
DEMISSÕES,
TRABALHO INFORMAL, APOSENTADORIAS
E
O "OLHO
GRANDE" DA
PREVIDÊNCIA ...
Na
semana
em que a gigante Volkswagen anuncia um enxugamento do quadro
funcional com a demissão de 3 mil metalúrgicos,
na fábrica da montadora em São Bernardo do Campo
é importante
analisar o mercado de trabalho informal como um todo. Sim,
porque é para lá que, fatalmente, são e serão despejados a
maior parte dos desempregados brasileiros.
O
mercado informal
--
aquele para o qual as pessoas acabam empurradas não só quando
se vêem desempregadas, mas também quando passam a ser discriminadas
por conta da idade "avançada" (logo após os 40 anos) e da
suposta
"improdutividade"
-- está
crescendo de forma assustadora em todo o Brasil.
O
fenômeno, não é mais privilégio só das megalópoles. Nas capitais
menores, e na imensa maioria das grandes e médias
cidades
do interior, também é visível
o aparecimento diário de ambulantes, flanelinhas, camelôs e
vendedores-de-tudo e de qualquer-coisa nos cruzamentos.
E não são só pessoas sem instrução acadêmica ou qualificação
profissional. Universitários e profissionais das mais diferentes áreas,
para sustentar a si e a família, enveredam por fazer pequenos
biscates ou vender de porta-em-porta, boca-a-boca; jóias, roupas, serviços
extras, perfumes, cosméticos etc e etc. Todos sem direitos trabalhistas
e sem direito à sonhada aposentadoria!
Para
que se tenha uma base de como é enorme esse
contingente, basta analisar os levantamentos e pesquisas do IBGE.
São cerca de 12 milhões de pessoas que estão sub-empregadas ou fora
do mercado de trabalho, sem registro formal e sem direitos previdenciários.
Além delas, existem registradas mais 9 milhões e meio de
micro-empresas, que são constituídas normalmente por dois amigos, ou
pelo marido e esposa. Quando muito, mais um filho ou dois.
Somados,
os dois segmentos respondem por 1/4 da População Economicamente
Ativa (PEA) do Brasil. E faturam alguma coisa perto de expressivos
8% do PIB - o Produto Interno Bruto
Mas, paradoxalmente, nesse mercado
informal que gera tanta riqueza,
as pessoas que nele trabalham não estão minimamente amparadas.
E o problema maior que esses 12 milhões de pessoas, e suas respectivas
famílias, vão enfrentar no futuro, residirá justamente na falta de
uma aposentadoria
digna.
Muito
bem, de um ano para cá o
Ministério da Previdência não poupa esforços nem verbas
publicitárias para convencer os autônomos sem carteira assinada a
recolherem INSS de forma individual, visando o " benefício da
aposentadoria". Mas não se iluda,
apesar do recolhimento ser importante para você,
por trás da atitude está o
"olho gordo" do governo.
Raciocinem e façam as contas comigo: se
aquelas 12 milhões de pessoas que não contribuem com o
INSS passarem a recolher
apenas pelo valor mínimo $ 36,00 ( 20% do Sal. Mínimo )
serão 432 milhões de reais por mês e fantásticos mais de 5
bilhões de reais
que vão entrar por ano nos cofres do governo federal...
Em apenas 3 anos o governo resolveria o rombo da Previdência no
setor privado. E a estratégia, negada é óbvio pelo Ministério
da Previdência, é clara: entrada rápida de dinheiro no caixa
--
subsidiando as fraudes, desvios e rombo por má gestão no INSS
--
e saída para pagar os "benefícios" aos futuros
aposentados só daqui a quatro ou cinco governos...
Para quem trabalha temporariamente sem
carteira assinada, ou não tenha condições financeiras eu sugiro mesmo
que se recolha o INSS mensalmente através de carnê como contribuinte
individual. Agora, para quem exerce, permanentemente, um trabalho autônomo
e tenha um pouco de condições eu sugiro como muito melhor optar por
fazer um plano de previdência privada -- modalidade de
aposentadoria que você escolhe quanto vai pagar por mês e quanto vai
receber quando se aposentar.
Vários
grandes e seguros bancos já oferecem o produto.
De
uma forma ou de outra o importante é não ficar descoberto.
Pense
seriamente nisso!
Uma ótima semana
para todos -- Aproveite
o feriadão e planeje
sua aposentadoria. Cá para nós,
ficar velhinho (a) sem aposentadoria, dependente de esmolas de parentes
e migalhas do governo
é degradante, não é mesmo ?? --
terça-feira (20/11 ) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
06 a 12 de novembro de 2.001
VIVE LA FRANCE !
VIVA O REINO COR-DE-ROSA DE FHC !
O
presidente brasileiro nem bem acabou de voltar de mais uma de suas
incontáveis viagens internacionais e já enceta outra, para
os EUA, nesta quarta-feira (07). E o problema maior não reside
nas múltiplas andanças. O que mais chama a atenção é que Fernando
Henrique Cardoso toda vez que viaja ao exterior exercita seus devaneios
mentais, além de ter lampejos de memória do tempo em que era
apenas sociólogo e defendia realmente teses sociais.
Agora, quando ele vai a Paris, onde esteve nestes
últimos dias, aí sim a "performance" de
FHC bate todos os recordes. Ele se sente verdadeiramente um rei.
Sobretudo depois de ter passado,
juntamente
com a 1* dama, d. Ruth Cardoso,
um
agradável fim-de-semana na casa-de-campo do Primeiro Ministro inglês,
Tony Blair , em companhia do proprietário e do ex-presidente dos EUA,
Bill Clinton. Conversando, de acordo com nosso presidente, sobre o
"tempo e o vento" ...
A imponência da Torre Eiffel, a grandiosidade histórica do Arco
do Triunfo, o glamour dos Champs Elisées, o exuberante Museu do Louvre,
com sua enigmática Monalisa, e a lembrança da intelectualidade da
Sorbonne, parecem contagiar o presidente. E aí ele "viaja",
literalmente!
Suas declarações e entrevistas sobre assuntos
brasileiros são verdadeiras pérolas. Para nós, dá
a nítida sensação que ele está falando de outro país. Não do nosso
Brasil e da conduta do governo por ele chefiado...
Foi o caso em junho do ano passado, quando FHC lá
esteve, e lançou aquele balão de ensaio ( lembram-se ? ) , aventando a
possibilidade do Brasil implantar, regionalmente, a redução da jornada
de trabalho das atuais 44 horas para 35 horas semanais, visando "combater
o desemprego", à exemplo do adotado, com relativo sucesso,
já de alguns anos pela França.
Quem
sabe o presidente francês, Jacques Chirac, ou o primeiro-ministro,
Lionel Jospin, tenham soprado a proposta nos ouvidos de FHC,
argumentando que se deu certo lá , dará aqui :
" c'est tout la même chose". Não
é tudo a mesma coisa!! Não
dá para comparar a economia francesa com a do Brasil, nem tampouco o
estágio da relações entre os sindicatos patronais e de trabalhadores
dos dois paises. E muito menos a qualidade de vida.
Foi assim agora, quando em discurso para "francês
ouvir" defendeu a criação de uma CPMF mundial e falou com
muita indignação da situação dos pobres no Mundo. Só se esqueceu,
providencialmente, de falar sobre os milhões de brasileiros que
estão abaixo da linha da pobreza sobrevivendo com menos do que o
já vergonhoso Salário Mínimo.
Mas neste sábado (10) o presidente Fernando
Henrique tem tudo para se redimir. Pelo menos na falação. Ele abre com
um discurso -- como tradicionalmente é reservado ao
presidente do Brasil -- a Assembléia Anual da ONU. São
todos os Chefes-de-Estado do planeta reunidos no mesmo local. Ele
poderia traçar um quadro mais real do nosso querido Brasil. Falar da
estabilidade conquistada, sem dúvidas, mas também falar das
desigualdades sociais que foram ampliadas.
Falar dos professores universitários, que há 75 dias estão em greve
por salários dignos. Do mar de lama e escândalos que atingiram seu
governo por conta de alianças espúrias. Falar da pesada carga
tributária imposta aos brasileiros. Das tabelas do Imposto de
Renda -- que não são corrigidas há seis anos
-- em cima do que o governo federal se locupleta arrecadando do
cidadão muito mais do que seria justo. Do Salário Mínimo que ele,
FHC, pessoalmente e documentado tinha prometido, durante a
campanha, dobrar em seu governo. E, ao contrário, pretende
conceder reajuste anual de apenas 5%. Contra uma inflação anual
que pode encostar no dobro disso...
Conjunto de fatores que contribuem para piorar a qualidade de vida no reino-cor-de-rosa
que ele julga mesmo que transformou o Brasil...
E por falar em qualidade de vida, a OMS - Organização Mundial da
Saúde, ligada a ONU, em relatório sobre a Expectativa de Vida nas Nações,
aponta o Brasil com uma expectativa de vida da população de apenas
59,1anos. Ocupando um indecente centésimo décimo segundo lugar
(112*) -- não obstante estar entre as 10 maiores economias
do planeta. Já a França está no topo, numa confortável 3* posição,
perdendo apenas para o Japão e Austrália, com 73,1 anos de longevidade
do seu povo. Uma diferença brutal de exatos 14 anos à mais de vida média
do que os brasileiros.
É um caso interessante. Fernando Henrique nas suas idas a Paris
leva sempre o "rei na barriga". Ainda mais agora que foi
aplaudido de pé na Assembléia Nacional Francesa, porque falou o que os
parlamentares queriam ouvir. FHC faz questão, é claro, de
esquecer dos graves problemas sociais tupiniquins e da Queda da
Bastilha, quando os franceses derrubaram a monarquia. Fica debaixo
dos holofotes se sentido assim não a belle de jour -- uma
vez que sua masculinidade e incontestável -- mas o
verdadeiro "belo do entardecer", ou melhor o
bau de jour ...
Uma ótima semana para você --
seria de bom alvitre que o presidente,
neste último ano de mandato,pelo menos, parasse de viajar
quando estiver em viagem oficial --
terça-feira (13/11 )** eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
30 de outubro a 05 de novembro de 2.001
REAJUSTE ANUAL SÓ DE
5% PARA O MÍNIMO
É PROPOSTA INDECENTE DO GOVERNO
!!
Novamente a equipe econômica
colocou na rua deputados e senadores da base governista para disseminar
a falsa polêmica e tentar convencer a opinião pública do indefensável:
para reajustar o Salário Mínimo, só em abril do próximo ano, acima
dos minguados 5% que o governo pretende, seria preciso
que os parlamentares de oposição criassem " fontes " de
recursos. Na prática algum novo imposto... Caso
contrário os assalariados mais aviltados vão ter que amargar um
percentual que não irá repor, sequer, a inflação do ano !!
Ora, essa linha de argumentação é tão incipiente, que revolta até
quem é de situação. É certo que vários deputados, fieis escudeiros,
defendem a proposta, mas é visível que a maioria dos parlamentares
governistas fala sobre o assunto de forma constrangida, sem nenhuma
convicção.
À exemplo de anos anteriores, o governo FHC vai transformar a
questão em verdadeiro cavalo-de-batalha. O
posicionamento merece, de todos brasileiros, envolvidos direta ou
indiretamente no assunto, uma reflexão e um análise mais aprofundadas.
O presidente Fernando Henrique Cardoso
alega, sempre, que "ele" não tem recursos para reajustar o
Salário Mínimo para um patamar um pouco mais digno. Foi assim no final
do ano passado, para incluir no orçamento o ainda muito baixo SM de 180
reais . Aliás SM que "ele" mesmo prometeu dobrar,
em programa de governo, e não dobrou, nos 4 anos do primeiro mandato.
Não cumpriu o compromisso de campanha no primeira gestão e deixa
claro, agora, que também não cumprirá neste final do segundo mandato.
Mas
contraditoriamente tem recursos sobrando para outros áreas e setores, não
é mesmo ? Basta ver o que o governo gasta com propaganda na televisão.
Alguém aguenta mais assistir no horário nobre os comerciais do
bolsa-renda ?? Já no ano passado -- lembram-se ? --
FHC dizia ser impossível dar reajuste digno para o SM pouco depois de
conceder exorbitantes 30% de reajuste salarial aos militares sem
buscar "fontes" . Logo para os militares que desfrutam de
tantos privilégios, são integralmente remunerados com o dinheiro dos
cidadãos e estão muito distantes da situação de penúria dos 25 milhões
de brasileiros que amargam viver com o aviltante salário mínimo. Só
para exemplificar a injusta disparidade de benefícios e privilégios,
você já ouviu falar de hospitais específicos para empregadas domésticas,
ajudantes-de-pedreiro , garis e etc ?, que são categorias que vivem
-- ou sobrevivem, Deus sabe como -- na linha da miséria
? Não, claro que não. Porém, em todas as Capitais e em várias
grandes cidades brasileiras , você encontra um hospital do Exército, ;
um da Aeronáutica, um da Marinha...
Por falar em Marinha, os parlamentares foram consultados para buscar
"fontes de recursos" para a compra, à peso de ouro, daquele
novo-velho porta-aviões francês, sobrevivente de guerras? E o rombo
que está causando ao Tesouro com as despesas dessa comitiva que faz um
tour pela França que inclui todos os lideres de partidos aliados ? Pois
é, para estes absurdos o governo federal tem dinheiro. Para um
minguado aumento, digamos, de 1 real por dia no vergonhoso SM , FHC não
tem. E oferece apenas 5% ; ridículos 9 reais ao mês ou exatos R$
0,30 centavos por dia...
FHC
salva bancos, empresários, e banqueiros falidos
fraudulentamente, mas alega não "poder" salvar
quem ganha SM. Sempre justificando, aterrorizando, com o tal
"rombo" de bilhões de reais nos cofres
Previdência Social, o "que levaria ao caos" .
Ora, tirando os aposentados e pensionistas que recebem mensalmente
proventos do INSS, o grande contingente de trabalhadores que percebe Salário
Mínimo está na iniciativa privada. Quem os paga, portanto, não
é o governo, não é a sociedade, não é o contribuinte , mas
sim o empresário ou a dona-de-casa no caso da empregada doméstica...
Portanto, o "rombo" na Previdência que o governo usa de como
arma intimidatória , vem sempre carregado de tintas mais sombrias do
que a verdadeira realidade.
E nesse campo minado pelo terror do risco
iminente de "quebra da Previdência", os estrategistas do
governo FHC vão lançando seus balões-de-ensaio para ver qual a opinião
pública engole como solução para o "problema das fontes de
recursos" . Claro que sempre acompanhados de cifras e cálculos
mirabolantes tirados da cartola e imediatamente reproduzidos diariamente
pelos jornais globais. O primeiro é sempre o facão em partes vitais do
Orçamento da União; depois vem a tradicional tentativa de elevar as alíquotas
do Imposto de Renda de quem ganha mais; depois a perpetuação da
nefasta CPMF...
CPMF da qual FHC e tão fã, que acaba de propor, em discurso para
"francês ouvir" , na Assembléia Nacional da França, a
criação de uma "CPMF mundial "
. São os devaneios de nosso presidente sempre que viaja para Paris. Mas
isso é assunto para meu próximo Comentário...
Um bom feriado prolongado de
Finados -- bem que o presidente podia ter
falado aos franceses sobre os heróis brasileiros que sobrevivem com o
Salário Mínimo e, mesmo assim, não ensaiam uma tomada da bastilha
-- terça-feira (06/11) eu volto. Traduzindo
a Economia, para o seu dia-a-dia !
Brasil,
23 a 29 de outubro de 2.001
EVERARDO, O
INSACIÁVEL,
QUER BISBILHOTAR ATÉ COMPRAS NO CARTÃO
O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel -- que de ingênuo
e caipira só tem mesmo o nome -- continua com sua
dupla fome e sede insaciáveis: aumentar cada vez mais a arrecadação
do Imposto de Renda e bisbilhotar, também cada vez mais, a vida e a
intimidade dos cidadãos brasileiros.
Além de manter congeladas as tabelas do Imposto
de Renda por seis anos consecutivos e desenvolver um trabalho de
bastidores visando bombardear o projeto-de-lei que visa estabelecer a
correção e "tramita" há mais de um ano e meio no
Congresso, como se verá mais abaixo;
Além de concentrar poderes, através da lei complementar 105
regulamentada pelo governo, que permite, na prática, a quebra de sigilo
bancário, independente de autorização judicial. Possibilitando, de
forma flagrantemente inconstitucional,pelo cruzamento dos débitos da
CPMF na conta-corrente, a invasão da vida do cidadão pela Receita
Federal que passou a decidir quem tem e quem não tem a movimentação
bancária investigada. Quem tem e quem não tem a vida vasculhada.
Tudo baseado num tal critério da "razoabilidade"
(leia meu
comentário de 15 a 21 de janeiro:
"Os
(agora) ilimitados poderes da Receita para bisbilhotar sua vida" )
;
O leão-chefe, Everardo, não satisfeito com todo esse poder, pretende agora passar a
controlar até as compras realizadas pelo contribuinte através de
cartão de crédito. Para mais este objetivo condenável --
que viola as liberdades individuais e fere, frontalmente, o artigo 5* de
nossa Constituição, que
garante a todo brasileiro a inviolabilidade de sua intimidade, vida
privada, honra e o sigilo de sua correspondência, telefonemas, dados
pessoais e financeiros, a não ser por autorização da Justiça
-- o sr. Everardo Maciel quer que as companhias administradoras de
cartões passem a enviar para a Receita os extratos detalhados de
compras por CPF de todos os clientes...
É um abuso; uma extrapolação de poder !!
Abuso que algumas seccionais da OAB já cogitam de contestar na Justiça
e que as entidades de defesa do consumidor, espalhadas por todo o
Brasil, deveriam de adotar o mesmo caminho.
A Receita Federal e o sr. Everardo que já tinham o controle de nossa
vida financeira, familiar e patrimonial através da Declaração
de Imposto de Renda que fazemos anualmente, e do cruzamento dos débitos
da nefasta CPMF, passará a ter total controle -- se
consumada tal excrescência
-- da maior parte do que compramos, para onde viajamos, em que hotel
ficamos hospedados, em que restaurante comemos, etc e etc... Repito é
um atentado ao direito constitucional da privacidade do cidadão!
Quanto
a correção das tabelas do Imposto de Renda -- que o sr.
Everardo mantém congeladas e que não era sem hora,
o projeto "adormecido" está sendo debatido na Câmara
dos Deputados -- é o mais justo, lógico e racional. Se tudo
aumenta, também ter que ser reajustados tanto o limite de isenção
quanto os limites de abatimento com despesas dedutíveis.
Seja pelos 35% propostos pelos deputados, seja pelos 28% propostos pelos
senadores quando o projeto tramitou no Senado Federal. Seja mesmo pelos
minguados 11% que o governo federal joga como balão de ensaio, apoiado
na balela de que para criar
"despesa" é preciso apontar a "fonte" de recursos. Não
está se criando despesa alguma e o sr. Everaldo Maciel sabe muito bem
disso. Por conta destes anos de congelamento das tabelas a arrecadação
do IR cresceu brutalmente!
Com essa balela, com esse terrorismo econômico -- essa é a
verdade e a verdade tem que ser dita -- o que o atual governo e o
sr. Everardo querem, mesmo, é empurrar o assunto com a barriga.
Se conseguirem que o projeto não seja votado antes do recesso de
fim-de-ano, os brasileiros vão ser obrigados a fazer a declaração em
2002 com as tabelas congeladas pelo 7* ano consecutivo, garantido,
novamente, recorde de arrecadação. Providencialmente, para eles, no
último ano de mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso...
Uma
ótima semana para todos --
a invasão na privacidade e a
insaciabilidade do secretário da Receita Federal em aumentar a
arrecadação de impostos, custe o que custar, são verdadeiros
atentados, violência contra o cidadão de bem --
terça-feira (30/10) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
16 a 22 de outubro de 2.001
FESTIVAL DE FERIADÕES
VAI AFETAR ECONOMIA DO NORDESTE !
O Brasil acaba de sair de um
final de semana prolongado e o Nordeste já mergulha em outro no
próximo sábado (20) !
Não bastassem os
desconfortos e os constrangimentos a que grande parte dos
brasileiros está sendo submetida com o racionamento; com
o imposto-apagão e com os cortes ilegais no fornecimento de energia --
tudo
por conta da irresponsabilidade de um governo "que foi pego de
surpresa" já no meio do segundo
mandato -- os nordestinos vão ter que
conviver, de forma autoritária, com a imposição de um verdadeiro festival
de feriados. Não de feriados simples, mas feriadões artificiais criados
justamente pelo governo através da Câmara de Gestão da Crise Energética
(CGE).
Sempre
ameaçando com "ou é isso ou são os
apagões-programados"
-- e colocando a culpa, primeiro em São José, santo das chuvas
na Região, e depois nos habitantes que não cumpriram as metas
impostas pelo Planalto -- o ministro do Apagão Pedro
Parente, decretou a imediata adoção do tal Plano B, que vai atingir
em cheio a já frágil Economia e aumentar o alto índice de
desemprego no Nordeste. Com reflexos na Economia brasileira como um
todo.
Não há dúvidas. Desse mato não sai coelho!
Produção é o que gera emprego. Seja no campo, na indústria, no
comércio ou na prestação de serviços. Os feriadões vão fazer
cair a produção e , conseqüentemente, gerar desemprego. Não há
como condenar o empresário que demitir por que fabricava, por
exemplo, 26 mil calças/mês e em novembro vai fabricar apenas 22
mil...
Sim, porque
daqui até o final do ano vai ser um fim-de-semana prolongado e outro,
não. Quando não, dois em seguida! Senão, vejamos:
Na última sexta-feira (12), tivemos o feriado da padroeira do Brasil,
N. Sra. Aparecida, emendando sábado e domingo; o próximo
fim-de-semana novamente será prolongado com a primeira segunda-feira
(22) decretada feriado-apagão no Nordeste. Resultado:
outubro, de 31, terá apenas 21 dias úteis...
Saltamos apenas uma semana produtiva e já na sexta seguinte (02/11)
temos o feriado nacional de Finados -- quando centenas de
cidades já param no dia anterior (01), Dia de Todos o Santos e
também Dia do Evangélico. Emendando quinta, sexta, sábado e
domingo. Pulamos apenas 8 dias úteis e vem mais 4 dias de
"parada obrigatória". É o feriado nacional da
Proclamação da República, numa quinta (15/11), emendando com a
sexta (16), feriado-apagão no NE, e o sábado e domingo (18).
Mais apenas dois dias de trabalho e, na quarta (21), se comemora o
feriado da padroeira de Natal, N. Sra. da Apresentação (e se o
Brasil tem padroeira, é porque milhares de cidades também têm
feriado municipal da padroeira). Mais apenas dois dias úteis e
novo fim-de-semana prolongado decretado pelo governo federal. Será
o feriado-apagão da segunda-feira (26) , engolindo o sábado e
domingo. Resultado: novembro
terá apenas 16 dias de trabalho...
Dezembro será outro desastre para a produção no Nordeste.
Tradicionalmente, por conta das festas de fim-de-ano, o Brasil todo
trabalha à meio-vapor. Imaginem quando o governo divulgar os feriados
do Apagão para o mês, cujas datas ainda não estão definidas
? Terminado novembro, pulamos apenas um final-de-semana e
-- como ocorre em dezenas de municípios no Nordeste e fora dele,
pipocam os carnavais-fora-de-época, as chamadas micaretas
-- no Rio Grande do Norte é o Carnatal que começa na
quinta (06/12) e paralisa boa parte da atividades produtivas até a
noite do domingo, início da madrugada de segunda (10). Trabalharemos
em seguida apenas 10 dias úteis é já será o Natal, emendando o
sábado (22), domingo, segunda (véspera) e a terça (25), o
feriado internacional pelo nascimento de Cristo. Na mesma semana,
retoma-se apenas 3 dias de produção e nova parada para o reveillon e
ano novo. Emendando o sábado (29), o domingo, a segunda (31/12) e a
terça (01/01/02), feriado mundial da Confraternização Universal. Resultado:
dezembro terá, até o momento, apenas 16 dias de trabalho
produtivo... Isso sem contar os feriados que poderão ser decretados
pelo ministério do Apagão e as centenas de cidade do Nordeste que
comemoram com o tradicional feriado, à exemplo de cidades do Rio, ou
de SP, a data de sua fundação em dezembro.
Por tudo isso, estão cobertos
de razão os governadores do Nordeste que se insurgiram contra a
imposição da medida do governo federal.
Sobretudo os de Estados que cumpriram a meta como o Ceará, Piauí e o
de Alagoas. Este último, Ronaldo Lessa, afirmou, com muita
propriedade, que poderá entrar na Justiça, caso não consiga
convencer a CGE a deixar o Estado fora da "punição".
Afinal as Alagoas têm sobra de energia.
Na
verdade, esses feriadões são sinônimo de desemprego. E mais do que
uma simples idéia de jerico, pretendem punir quem não tem culpa
e esconder o verdadeiro culpado: o governo comandado por FHC que
-- mesmo alertado mais de 1 ano antes da iminência da crise de
energia elétrica -- não tomou providências. Não
construiu Linhas de Transmissão que poderiam, comprovadamente, levar
para o Norte/Nordeste a energia que sobra hoje no Sul. E amanhã
poderiam fazer o caminho inverso. Nem tampouco acelerou o Programa
das Termelétricas, que anda à passos de tartaruga. Termelétricas que
amenizariam substancialmente a crise. Até porque vão utilizar o
Gás Natural, fonte de energia limpa, segura e que hoje sobra na
extração do petróleo...
Uma
boa semana para todos --
feriadão natural é ótimo para o
trabalhador recarregar as baterias, mas feriadão artificial descarrega
as já fracas baterias da Economia brasileira --
terça-feira (23/10) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
09 a 15 de outubro de 2.001
PREÇO SÓ NA GÔNDOLA É BURLA !
MAS SUPERMERCADOS INSISTEM
EM DESRESPEITAR...
Com falsos argumentos
-- verdadeira cortina-de-fumaça para desviar a atenção do
consumidor -- aliados à interposição de recursos
jurídicos que tramitam à passos de tartaruga nos meandros
burocráticos do Poder Judiciário, as grandes redes de supermercados
insistem em desrespeitar a lei; o Código de Defesa e os próprios
consumidores, não recolocando os preços em cada embalagem dos
produtos comercializados.
E
quando grifei o termo não recolocando é porque, à exemplo
dos maus-políticos, há muitas diretorias de grandes supermercados
que apostam na "memória curta" dos brasileiros. Na verdade,
não se trata de colocar mas sim de voltar a colocar os preços,
porque eles sempre foram etiquetados nos produtos e não nas
gôndolas, como agora. Antes e depois da implantação dos sistemas
informatizados. Antes e depois do advento do código de barras!
Foi muito depois do surgimento das tecnologias e da estabilização da
moeda brasileira, que a moda -- que não é moda é sim
política cartelizada e bem orquestrada -- que o
preço na gôndola foi adotado pelas grandes redes. Que argumentam que
etiquetar cada produto "representaria um custo muito elevado, que
teria que ser repassado ao consumidor". Ora, essa linha de
argumentação não
resiste à uma análise mais aprofundada. Senão, vejamos:
A adoção do código de barras,
inegavelmente um avanço fantástico, é um instrumento de controle e
instrumento facilitador para os empresários e não para os
clientes! Que gera economia, também fantástica, mas para
os supermercados, no controle de estoque; na emissão de novos
pedidos de mercadorias; nas estatísticas de fluxos de vendas; no
perfeito acompanhamento da sazonalidade de mercadorias específicas; na
racionalidade de procedimentos e mesmo no enxugamento da mão-de-obra
para realizar tais tarefas.
Inovação
que não deve, ou não deveria, em hipótese alguma, substituir as
etiquetas de preços individuais, porquanto elas garantem, por si só, o
direito inalienável do consumidor de, em cada prateleira, em cada
gôndola, comparar preços, com quantidade, peso, qualidades, medidas,
composição e acondicionamento das dezenas de produtos similares que
nos são apresentadas, no regime da livre e saudável concorrência...
Que humano é capaz, a não ser que fosse dotado de um chip de
memória de computador instalado no cérebro, depois do carrinho cheio
ao passar no caixa, com 40/50/60 itens, de se lembrar do preço de
cada produto para conferir com o preço que está aparecendo na tela,
ou mesmo já em casa quando for conferir a nota ? E depois de um
mês, quem é capaz de entrar na despensa da casa e comparar o preço
da massa de tomates comprada num supermercado com o adquirido em outro
concorrente ??
Convenhamos,
é de todo impossível !! E os
erros também acontecem, propositais ou não, e não são poucos. Mas a
maioria acaba passando despercebido...
Por
outro lado, além do Código de Defesa do Consumidor ser claro no
tocante a obrigatoriedade do preço estar bem claro em cada produto, há
várias decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo menos
uma no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) , determinando que os
supermercados voltem a etiquetar os preços nas mercadorias. Mas as
grandes cadeias varejistas quando não desafiam explicitamente a
Justiça, recorrem aos conhecidos expedientes e recursos jurídicos
protelatórios. Apelam e apelam em todas as instâncias. Empurrando com
a barriga...
As entidades e associações de defesa do consumidor, em cada Estado, em
cada cidade podem e devem, também usar do mesmo caminho para ir
revertendo a situação. Ajuizar ações regionais, com pedido de
liminar, para que os supermercados e suas associações locais cumpram a
lei. Há um bom exemplo a seguir: recentemente o Movimento das
Donas-de-Casa de Minas Gerais conquistou na Justiça uma decisão
favorável neste sentido, e outra que obriga os supermercados a
retirarem das prateleiras os produtos maquiados. Até que os fabricantes
voltem a fornecê-los com os pesos e quantidades que foram
subtraídos.
Agora
o interessante nessa história toda e que desmorona de vez a frágil e
fantasiosa argumentação das grandes redes , é que os pequenos
supermercados de bairro e da periferia conseguem, sem repassar
"custos", etiquetar todos os produtos -- além de
ter, em muitos casos, preços à vista muito melhor do que os
"gigantes" , basta pôr na ponta do lápis.
Outro "pequeno" detalhe é bom relembrar: as grandes redes
nunca reclamaram, nos tempos que a inflação atingia 30, 40 até 80% ao
mês e as maquininhas remarcadoras "trabalhavam" dia-noite.
Nunca se queixaram de remarcar um produto, aumentando o preço,
apenas três ou quatro dias depois da mercadoria estar na gôndola. Ao
contrário, quando a fiscalização foi intensificada, remarcavam na
calada da madrugada. Não reclamavam de nenhum "custo altíssimo
para etiquetar". Agora, com a inflação estabilizada, em que
apenas uma etiquetagem é suficiente, o consumidor é obrigado a ouvir
essa ladainha. Francamente, os supermercadistas estão aplicando dois
pesos e duas medidas.
Literalmente
!!
Um
ótimo feriado prolongado de N. Sra. Aparecida -- que
a Padroeira do Brasil dê força e fé aos consumidores para protestar e
fazer as redes de supermercados respeitarem seus direitos --
terça-feira (16/10) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
02 a 08 de outubro de 2.001
EXPORTAR É O QUE IMPORTA !
MAS
INDÚSTRIAS IMPORTADORAS DEVEM MORRER ?
Na euforia da alta
do dólar, que volta a bater na casa dos R$ 2,70, o governo FHC
proclama, parafraseando o controvertido D. Pedro, que a nova independência
do Brasil se dará pela exportação. É Exportar ou Morrer, é
Exportar para Viver brada bravaticamente o presidente Fernando
Henrique Cardoso.
E já comemora, juntamente com seu ex-porta-voz,
agora ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, o bom desempenho da
balança comercial brasileira que atingiu o superávit de 1,25 bilhão
de dólares no acumulado até 30 de setembro.
Na verdade, esse "bom desempenho" é completamente
artificial. A balança vinha era dando era dando seguidos déficits.
Só há questão de 4 meses para cá começou a reagir. Mas reagiu por
conta da alta dólar, não por incremento espontâneo no volume das
exportações. Ao contrário, há mesmo segmentos em que houve
queda substancial. Caso das exportações de aço para os EUA
-- que não é de hoje esbarram nas medidas protecionistas dos
americanos -- que sofreram queda de 16% no volume, no primeiro
semestre deste ano em relação ao mesmo período de ano passado,
representando perdas de nada mais nada menos do que meio bilhão de dólares...
E por que a alta exagerada do dólar
causa superávit artificial ? Simplesmente porque, só para
exemplificar, o exportador de canetas que produz cada unidade ao custo
final de 1 real e vendia cada caneta para exportação por 1 dólar,
no começo deste ano -- quando o dólar estava por cotado por volta de
R$ 2,00 -- ganhava 100% de lucro e, digamos, em cada lote
de mil canetas faturava 1 mil dólares, que convertidos significavam
2.000 reais. Hoje o mesmo fabricante, pode exportar cada unidade
por 0,80 centavos de dólar, no lote de mil canetas, faturar 800
dólares, convertê-los para 2.160 reais e ainda assim auferir lucros
maiores, da ordem de 116%. Consegue, portanto, colocar seu produto no
exterior a preços mais competitivos, conseqüentemente aumentar o
volume de vendas e ainda assim lucrar mais.
Ora para o empresário exportador isso é ótimo. Mas para o empresário
importador, para o consumidor brasileiro e para o governo federal nem
tanto. Ou melhor para as duas primeiras categorias é péssimo. E para
o o governo, na minha opinião, apostar na alta exagerada do dólar,
como forma de equilibrar a balança comercial brasileira, é uma
aposta suicida. é uma faca de dois gumes. Bem afiada dos dois lados
!!
Mas como ficam os importadores compulsórios ?
As empresas e indústrias que são obrigadas, dependem de produtos,
insumos e matérias primas importadas para realizar sua
atividade-fim??
Caso da indústria de panificação, que depende do trigo para fazer o
pãozinho nosso de cada dia, cada dia mais caro; a indústria de base;
a automobilística; os laboratórios farmacêuticos -- os
genéricos, tão maravilhosos nos resultados e nos preços, já
sofreram aumentos violentos -- e até mesmo o jornal
impresso que depende do papel-imprensa ( não é à toa que a Folha e
o Estadão de S.Paulo acabam de criar uma empresa para distribuir, no
mesmo caminhão, os exemplares dos arqui-rivais) e o simples sabão
em pó, Omo ou não, que depende da conhecida-desconhecida barrilha
leve -- barrilha leve, mas pesada nos custos finais e da qual o Brasil
poderia se tornar auto-suficiente se o Pólo Gás-Sal, no Rio Grande
do Norte, saísse do papel e a fábrica de barrilha, prevista no
projeto, pudesse decolar...
Todas essas indústrias e empresas e outras tantas micros importadoras
compulsórias -- como as famosas lojas de importados
a R$ 1,99 -- têm, inversamente do exemplo do exportador
de canetas, seus custos brutalmente aumentados e são obrigadas a
repassar essas elevações para o consumidor.
Até
porque não há como fazer mágica !!
E de micro-empresas não são só as lojas de R$ 1,99. Como bem
lembra Paulo Maurício, diretor do Serviço de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (SEBRAE) do Rio de Janeiro, que somam, só lá, cerca
de meio milhão de estabelecimentos : "a alta do dólar afeta
centenas e centenas de pequenas empresas que comercializam ou dependem
de produtos importados"
Uma boa
semana para
todos -- exportar é o que
importa, mas o governo precisa se importar com o caso dos importadores. Porque
não adianta dar independência para exportadores e sentenciar à morte
os importadores --
terça-feira (09/10) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
25 de setembro a 01 de outubro de 2.001
A INTERNET PODE
SUPLANTAR
MAS NÃO VAI
SEPULTAR
O RÁDIO; NEM A TV; NEM
TAMPOUCO O
JORNAL !!
Vários "midiólogos" de
plantão afirmam em artigos publicados na própria Internet e mesmo fora
dela, nos meios de comunicação concorrentes, que o Jornal, o Rádio e
a TV serão "engolidos" pelo crescimento revolucionário da
rede mundial de computadores. Na mesma linha, no ano passado,
durante um congresso estadual de jornalistas, um palestrante fez
uma profecia absurda e até certo ponto ingênua ao afirmar que "a
Internet vai fazer desaparecer os jornais impressos no máximo em
40 anos" .
Na semana em que o bom e velho Rádio comemora o seu Dia ( 25 de
setembro ) é preciso desmistificar essa questão, sobretudo para a geração
mais jovem, lembrando que a história é pródiga e documento vivo de
que os grandes meios de comunicação suplantaram
os que existiam anteriormente mas não
os sepultaram .
Foi assim com o advento do Rádio que apregoavam
iria "matar" o jornal impresso. Não matou. Da mesma forma, a
chegada da televisão logo levou muitos analistas mais afoitos a
prever que os jornais e o rádio sucumbiriam frente à nova mídia. Não
sucumbiram. E será assim também com a Internet, que pode --
e tem tudo para isso -- vir a superar em audiência e
distribuição das verbas do "bolo publicitário" as mídias
tradicionais, mas não vai, com absoluta certeza, decretar o fim dos
outros meios de comunicação!
Cada uma das grandes mídias -- e também as pequenas, as
alternativas -- vai disputar seu espaço e conviver dentro
do jogo democrático e competitivo do mercado editorial e publicitário.
E as verbas publicitárias destinadas à
Internet que ainda são pequenas -- por conta de que a
grande maioria da agências de propaganda e anunciantes ainda não
despertou para a importância e potencial do Meio -- irão
crescer paulatinamente, também com absoluta certeza! Aliás, apenas
repetindo o processo histórico que aconteceu com o nascimento dos
outros meios de comunicação.
Além do crescimento disparado e mais veloz do que todas as outras mídias
a Internet proporciona um volume de vantagens que nenhuma
das outras proporciona. A começar pela interatividade e pelo
democratização de acesso à Cultura. Através da Rede Mundial de
Computadores, só para exemplificar, é possível ao navegante,
sem necessidade de grande experiência e sem pagar nada mais do que
impulsos locais, escolher se quer acessar conhecimentos da Universidade
de Boston, nos EUA, de Navarra na Espanha, da USP, em São Paulo,
ou das três ao mesmo tempo. Da mesma forma, nenhum dos outros meios de
comunicação permite, instantaneamente, sem sair de casa e em tal
profusão de serviços, movimentação de contas bancárias, pagamentos
de contas, pesquisas científicas, solicitação de serviços em
concessionárias públicas, fazer o supermercado do mês, comprar
passagens, roupas, automóveis, receber e transmitir, em questão de
minutos, muitas vezes em segundos, fotos e documentos para qualquer
país do mundo, ou melhor para 99% deles....
Por outro lado, e diferentemente dos outros meios, a Internet tem
a característica única de abrigar, como de fato já abriga, os jornais
e revistas impressos, as rádios e as televisões. O jornal impresso,
através de si próprio, não pode oferecer ao leitor o acesso direto a
Internet, mas a Internet permite acesso, através dela mesma, aos conteúdos
dos jornais impressos. Tanto se consegue ler o Estadão, de S. Paulo,
como o O Mossoroense, 3* jornal mais antigo em circulação do Brasil,
editado na cidade de Mossoró/RN . O mesmo já acontece com o Rádio,
meio de comunicação fantástico na sua essência, que "faz
sonhar" e que agora já pode ser ouvido também através da
Internet. Já é possível ouvir através da Rede as grandes AMs
como Rádio Globo, CBN e Eldorado, além de uma centena de FMs
brasileiras. E será possível ouvir de qualquer rincão do país, por
exemplo -- e aí vai mais democratização --
o programa radiofônico "De Mulher para Mulher", da
resistente cidade de Alagoinhas, no interior da Bahia.
E a popularização da Internet é apenas questão de tempo. Seja aqui,
seja no exterior. Na Inglaterra, o governo, há cerca de dois anos, está
disponibilizando para famílias carentes 100 mil computadores. Nos
Estados Unidos o governo liberou,só no ano passado, 2 bilhões dólares
para permitir acesso à Internet aos pobres e minorias de baixa renda.
No Brasil, além de 20 milhões de consumidores potenciais das classes A
e B, detectados em estudo da empresa de consultoria Value Partners, o
ministro da Comunicações, Pimenta da Veiga, promete que verbas do
Fundo das Telecomunicações vão ser destinadas para programas de
acesso à Rede para classes menos favorecidas. E mais: acaba de anunciar
que até o final do ano será colocado no mercado um computador popular,
desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), já pronto para acesso à Internet, com prestações de apenas
cerca de 30 reais por mês...
Some-se à isso que o acesso não depende mais apenas do computador e
da linha telefônica convencional -- com preços bastante
reduzidos, após a competição no setor -- mas já é
realidade através do celular; TV à Cabo; TV Aberta; e ondas do rádio.
Some-se também os provedores de acesso gratuito; o grandes bancos, como
Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Unibanco e Caixa oferecendo aos
clientes acesso gratuito. E os orelhões/cabines públicas,
desenvolvidos pela UNICAMP, que permitem o acesso através de cartões
semelhantes aos telefônicos. públicas e financiamento de
computadores em longo prazo e juros baixíssimos para facilitar o
acesso.
Portanto, na minha análise e opinião, a
Internet não sepultará as mídias existentes, mas pode, deve
e tem tudo para ser o maior meio de comunicação de massa do Planeta!!
O tempo, dirá !!
Uma
ótima
semana para
todos -- o jornal impresso,
graças à Deus, está bem vivo. Prova disso foi o lançamento de mais
um novo diário, na semana passada em Brasília: Tribuna do Brasil. Que
já anuncia, para breve, também a versão on-line. Seja bem-vindo
! --
terça-feira (02/10) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
18 a 24 de setembro de 2.001
REFLEXOS KAMIKAZES E TERRORISTAS
NA ECONOMIA BRASILEIRA
A combalida Economia verde-amarela,
que já vinha ao sabor dos ventos da crise argentina, que ensaia o
''ultimo tango" -- agora com o ministro Cavallo,
querendo detonar o Mercosul para tentar uma aproximação individual da
ALCA e assim, conseqüentemente, agradar os EUA derrubando os
vetos aos empréstimos solicitados pelos portenhos ao FMI...
A combalida Economia tupiniquim, que já
vinha impactada pela crise de energia -- crônica de uma
morte anunciada, 1 ano antes, por técnicos e cientistas, mas irresponsavelmente
colocada em baixo do tapete pelo governo FHC, que alegou depois ter
"sido pego de surpresa"...
A combalida Economia cabocla, que já vinha sofrendo com os
solavancos na Economia do Tio Sam -- o que acabou por determinar a
decisão de frear o crescimento econômico norte-americano com
resultantes ondas de desaceleração na Economia internacional...
...Foi abalada, desde o fatídico 11 de setembro, pelos repugnantes
atentados kamikazes, ainda de autoria não-assumida, perpetrados em
território americano, e pode ser muito mais fortemente abalada
pela anunciada retaliação, não-kamikaze mas assumida por parte dos
EUA, que pretendem combater o terrorismo com terrorismo
sócio-econômico.
Não há quem possa, em sã consciência,
aprovar os atentados e a morte de milhares de inocentes americanos.
Mesmo que o que aconteceu venha sendo analisado por muitos como o
"troco" à política intervencionista dos EUA em
conflitos religiosos, notadamente no Oriente Médio. Nada justifica. Mas
igualmente não se pode aprovar que a resposta americana seja a
declaração de "estado de guerra contra terroristas em qualquer
parte do mundo" . E que isso simplesmente dê o direito aos EUA de
caçar, bombardear e invadir qualquer país em que estejam escondidos
supostos terroristas. Tal atitude beligerante pode resultar não em
milhares, mas em milhões de inocentes mortos !
E caso os Estados Unidos plantem uma guerra
de conseqüências imprevisíveis -- como tudo parece indicar pelas
declarações, gestos e atitudes do presidente George Bush e de seu
secretário de Estado, Collin Powel, conhecido por sua atuação
arrogante e belicista na Guerra do Golfo -- não só a
Economia brasileira , mas dezenas de outros paises vão ser levados de
roldão Mais ainda: pode atirar a economia globalizada num fosso
de recessão, nunca anteriormente visto.
No Brasil os reflexos já começaram e podem piorar, independente da
avaliação otimista do presidente do Banco Central, Armínio Fraga,
justificável até por dever de ofício. O Produto Interno Bruto
(PIB) -- que teve um crescimento de 4,2 % no ano passado
-- se crescer, na minha avaliação, entre 1% e 2%
este ano já será uma vitória.
Temos uma dependência econômica brutal dos EUA e das atitudes
deflagradas por eles. Além da rolagem dos juros da dívida externa; dos
intermináveis socorros financeiros do FMI; do dólar que volta a
atingir cotação mais elevada desde a implantação do real,
batendo na casa dos R$2,70; os americanos são, ainda, os maiores
consumidores dos produtos brasileiros. As exportações para lá, com
certeza, devem cair. E na balança comercial já estamos fragilizados
também porque o nosso segundo maior mercado mundial é, nada mais nada
menos, que a própria Argentina mergulhada numa crise sem precedentes...
Outro reflexo no Brasil será o preço dos derivados de Petróleo, que
de cerca de 26 dólares chegou a encostar na casa dos 31 dólares o
barril, no dia dos atentados, e depois recuou para cerca de 28
dólares.
Se os EUA bombardearem, como tudo indica, paises do Oriente Médio,
maiores produtores mundiais, não tenham dúvidas que o preço vai
disparar e a Petrobras, como adiantou o presidente da empresa, Phillipe
Reichstul, terá que desenvolver negociações para aumentar as compras
de petróleo da Argentina e da Venezuela.
A diminuição do fluxo dos investimentos estrangeiros para o Brasil,
outra
coisa negada pelo Banco Central, também já vinha acontecendo e se
acentuou, de acordo com a agência internacional de classificação de
riscos, Standard& Poor's. No ano passado os investimentos
estrangeiros foram da ordem de 33,5 bilhões de dólares. 2001
deve fechar com apenas metade desse valor.
A Inflação já vinha fugindo do controle e o governo admitia que
seria de todo impossível cumprir o meta-piso de 4% para este ano. Após
os atentados, o próprio staff governamental já afirma ser difícil
cumprir mesmo a meta-teto de 6%, e trabalha com a hipótese de 6,6%.
Como faltam ainda três meses e meio para o fim do ano e como alguns
índices já estão em 5% , imagino ser mais razoável pensar em 7% de
inflação. Podendo piorar, infelizmente, dependendo do tamanho e dos
efeitos da "guerra americana" .
Outro reflexo claro do comprometimento do quadro econômico: os
supermercados -- termômetro de consumo essencial -- que
cresceram 5% até abril deste ano, acabam de rever, através de
estimativa da ABRAS, a associação brasileira do setor que, na
melhor das hipóteses, devem fechar 2001 com crescimento de apenas 1%
.
Os únicos reflexos positivos foram as decisões do Fed, o banco central
americano em reduzir a taxa de juros de 3,5% para 3% ao ano, seguida do
Banco Central Europeu que baixou a taxa de 4,25% para 3,75%. É
esperar que isso possa levar o Banco Central do Brasil a também reduzir
, em reunião do COPOM, que acontece ainda esta semana, a taxa de
juros Selic que está no alto patamar de 19% ao ano...
E
o presidente Bush poderia se inspirar num brasileiro, nascido na pequena
cidade de Brodósqui (interior de SP) que, mesmo não sendo economista,
nem tampouco estadista, de pouco fazia muito. O grande pintor Portinari,
que conseguiu com meia-dúzia de pincéis e tintas "fazer da dor
beleza, pintando a guerra para exaltar a paz". Sem
"guerra" poderia, o presidente americano, unir os povos
do mundo inteiro contra o terrorismo e, ao mesmo tempo, retomar o
crescimento econômico dos Estados Unidos, do Brasil e do mundo...
Uma
ótima
semana para
todos -- nesta
quinta-feira(20) se comemora o Dia do Pombo da Paz; na sexta, o Dia da
Árvore; no sábado(22) é o início da Primavera. Bem que os EUA podiam
aproveitar datas tão significativas para plantar a PAZ e
não plantar uma guerra equivocada
e de dimensões imprevisíveis --
terça-feira (25/09) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
11 a 17 de setembro de 2.001
INSS COBRA
MULTA E JUROS
ABUSIVOS EM CASO DE ATRASO !
Faça
o que nós mandamos, mas não faça o que nós fazemos !!
Este parece ser o lema do Ministério da
Previdência e Assistência Social (MPAS) através do Instituto Nacional de Seguridade
Social.
INSS que conclama que os cidadãos e
empresas cumpram seus deveres; recolham seus impostos e
contribuições; sigam a Lei; respeitem os direitos trabalhistas
de seus empregados e promovam uma política justa de reajustes
salariais...
Mas que na prática, no dia-a-dia, faz exatamente o contrário. Com os
contribuintes pessoas físicas e jurídicas, de quem o INSS cobra multas
abusivas e juros extorsivos; e com seus próprios funcionários
-- 39 mil servidores que estão há 7 anos sem reajustes de
salários e há 30 dias em greve, justamente reivindicando melhores
salários, reajuste digno e condições de trabalho...
Há mais de 10 anos, desde do advento da Lei que criou o Código de
Defesa do Consumidor, que em mensalidades, boletos e contas em
atraso só podem ser aplicadas multa única de 2% . Mas a Lei, que vale
para toda sociedade, que é respeitada por todos, não vale, não
é respeitada pelo INSS, como se o instituto estivesse acima da própria
lei!
O atraso de apenas 1
dia no recolhimento do INSS -- seja da folha de pagamento de
uma grande empresa, seja da empregada doméstica que existe em milhões
de lares brasileiros -- resulta na cobrança de 4% de multa
acrescida de mais 1% de juros de mora.
Como o vencimento do INSS é todo dia 02 para as empresas e todo
dia 15 para autônomos e empregados domésticos, menos de 30 dias para o
primeiro caso e apenas 15 dias depois para o segundo, a multa
arbitrariamente aplicada já pula para 7% mais 2% de juros. Num
total de 9% . Um abuso !!
Mas ainda não pára por aí. Se você não puder pagar, por exemplo, o
INSS de agosto de sua empregada doméstica agora no dia do vencimento,15
de setembro, e o fizer até o dia 30 vai recolher com mais 5% (4%
de multa e 1% de juros). Se puder pagar em 01 de outubro, já salta par
9% (7% de multa mais 2% de juros). Agora, se puder pagar só em 01 de
novembro -- apenas 46 dias depois -- você já
arcará com quase 13% . A multa pula para 10% , mais o percentual mensal
correspondente da taxa SELIC,( atualmente 19% ao ano, 1,6% ao mês)
acrescida de mais 1% .
Extorsivos 13% por apenas 1 mês e meio de atraso !!!
É o Estado fazendo a
Lei ser aplicada para os cidadãos e para os empresários. Mas ele
próprio, Estado, descumprindo e aplicando multas, justamente através
do órgão público de seguridade social, convencionadas de forma
completamente aleatória e em completo descompasso com a realidade
econômica.
Uma situação absolutamente indecente. Além da multa ser exorbitante e
ferir a lei, os juros de mora cobrados, diferentemente de outras
contas, são "cheios", isto é ,cobrados pelo mês todo
( 1%; 2% ) e não divididos pelo número de dias em atraso, como é o
mais correto, mais justo e mais racional !! Sobretudo levando-se
em conta a já pesada carga de impostos no Brasil e os vários
tributos aplicados em cascata...
Uma
boa semana para todos --
mais chocante e revoltante do que as cenas do ataque ao World Trade
Center
foi ver expressiva parcela da população palestina comemorando nas
ruas, com bolo e refrigerante, a morte gratuita e estúpida de milhares inocentes --
terça-feira (18/09) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
04 a 10 de setembro de 2.001
BC JÁ ENTERROU
R$ 15,5 BILHÕES
PARA SALVAR BANQUEIROS FALIDOS
Questionável do ponto de vista ético, econômico e moral, esse tal de PROER
criado pelo governo federal
para "recuperar instituições financeiras" com o
dinheiro público é, no mínimo, escandaloso.
Na verdade, o programa
tem se prestado muito mais a tirar banqueiros inescrupulosos do buraco e
a abrir as portas dos cofres públicos para "salvar"
bancos falidos por má gestão, do que propriamente sanear
instituições sérias, que é o
que o PROER se propõe. Pelo menos no papel !!
Só para que se tenha uma noção do vem sendo feito com o dinheiro do
contribuinte é suficiente rememorar, mesmo que de passagem,
alguns casos e o quanto o governo neles já "depositou" à
fundo perdido.
O Banco Central encarregado de fiscalizar e normatizar o funcionamento
do sistema financeiro no Brasil é também quem administra e
decide para onde são canalizados os recursos que deveriam servir para
evitar uma quebradeira no setor, afetando em conseqüência os cidadãos
e as empresas em geral. Aquilo que, pomposamente, os economistas
do BC e o próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, chamam de
"risco sistêmico".
Muito bem, o Banco Central já contabiliza um prejuízo de, pasmem,
cerca de 15,5 bilhões de reais, vindos, obviamente, do bolso dos
contribuintes , para socorrer, entre outros bancos, o Nacional, o
Bamerindus, o Econômico. E os "gigantes" Bancos Marka e
FonteCindam...
Basta olhar os balanços dos bancos para saber, que razoavelmente bem
administrados os bancos, em qualquer parte do mundo, e muito mais no
Brasil onde os juros aplicados são escorchantes, são fontes
inesgotáveis de lucros. Estão a provar de forma cabal, os lucros
fantásticos auferidos pelo Bradesco, pelo Itaú e pelos bancos
estatais, do próprio governo, a Caixa Econômica Federal e o
Banco do Brasil.
Privados ou estatais, com a
complacência do governo federal, os bancos e as financeiras captam
recursos pagando entre 0,5% e 1% ao mês aos poupadores e
investidores. E emprestam o mesmo dinheiro à taxas
estratosféricas de 5% a 7% ao mês, chegando aos
escorchantes 150% ao ano na modalidade do Cheque Especial. Não ficam
nem na Taxa Básica de Juros -- estabelecida pelo governo e ainda
alta, 19% ao ano -- a
chamada Selic, na verdade para inglês ver utilizada
apenas para operações entre os próprios bancos e para corrigir
tributos, caso do Imposto de Renda.
Claro que por conta disso e de interesses, nem sempre confessáveis, o
medo e a pressão dos governistas contra a CPI do PROER é grande. E o lobby
orquestrado pelas corporações bancárias, maior ainda. Mesmo as
sérias, que acabam se locupletando com a política de completa rédeas
frouxas, implementada pelo governo FHC.
Agora se as instituições financeiras sérias são contra a CPI,
imaginem os banqueiros como Salvatore Catchiolla, centenas de políticos
envolvidos e o ex- presidente do BC, Chico Lopes, que autorizou a
injeção de bilhões de dólares para socorrer os "gigantes"
bancos Marka e Fontecindam , e "salvar" os indefesos
clientes. Nem é preciso pensar
muito para responder: Você já teve conta-corrente, pagou algum boleto
ou investiu algum dinheiro em alguma agência do Marka ou FonteCindam ?
Conhece alguém que foi "cliente" de qualquer do dois bancos
?? É mais fácil procurar uma agulha no palheiro.
Se quebrassem, naquela oportunidade, o Marka e FonteCindam levariam
apenas os banqueiros, já comprovadamente desonestos, porquanto
condenados pela Justiça; uma dúzia de mega-especuladores e,
claro, dezenas de políticos, e autoridades de primeiro e segundo
escalões da área econômica envolvidas no escândalo. Mas apesar de
tudo que já foi apurado, provado os desvios nos objetivos no PROER, o
governo federal insiste em socorrer, em "salvar"
maus-gestores.
E por falar em salvar, a News Week,
de circulação internacional, na edição desta semana, traz na capa o
presidente do Banco Central, Armínio Fraga. A revista afirma, com todas
as letras, que Fraga pode "salvar o Brasil" . Ele
defende a independência do Banco Central, mas também defende a
filosofia de salvar banqueiros. Pessoalmente, não acredito que, agindo
assim, Armínio possa ser o "salvador da Pátria"
!!
Um
ótimo feriado do Dia da Pátria para todos, --
Como diria o bom caipira, esse tal de PROER deve significar
Programa para Encobrir Rombos --
terça-feira (11/09) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
28 de agosto a 03 de setembro de 2.001
AVIAÇÃO CIVIL BRASILEIRA
EM ROTA DE COLISÃO COM PASSAGEIROS
!!
Um autêntico vôo cego em que o piloto, sem nenhum campo visual,
operando apenas por instrumentos, tenta modificar, em vão, a rota
que o faz colidir com milhares de
objetos voadores
bem-identificados : os passageiros.
Assim pode ser retratado, de maneira metafórica, o grave quadro de
crise em que está mergulhada a aviação civil no país. Tarifas
caras; atendimento em terra de baixa qualidade; atendimento no ar de
forma mecânica e mal-humorada, atrasos constante nos vôos; péssima
administração...
Em muitos casos os usuários são tratados
mesmo como verdadeiros objetos...
As
empresas brasileiras de transporte aéreo que detêm, por força de lei,
o monopólio das linhas domésticas, andam embaralhando as pernas e
colocando os passageiros em maus-lençóis. Senão, vejamos:
A TRANSBRASIL, metida da cabeça aos pés em sua pior crise financeira,
deixou de operar vôos para 6 capitais, além de suspender o
destino Portugal. Recentemente a General Eletric (GE), fabricante de
turbinas, requereu na Justiça a falência da Companhia, provocando um
efeito cascata nos outros fornecedores que se apressaram em apresentar
as faturas pendentes.
Não bastasse isso, a TRANSBRASIL, que já acumula dívidas da
ordem de 800 milhões de reais, só está conseguindo abastecer de
combustível suas aeronaves, pagando à vista. Além disso teve que dar
licença remunerada para cerca de 200 aeronautas, vai demitir cerca de
1.000 funcionários em setembro; e amargou um Boeing 767 --
da sua já pequena frota de apenas 12 aviões -- retido pela
Justiça em Miami...
A VARIG, que sempre foi padrão internacional de atendimento no Brasil;
que leva a bandeira brasileira em seus vôos para o Exterior
-- reconhecidos como de bom nível, até pela concorrência
-- começa a dar sinais de esgotamento e queda da qualidade
no atendimento. Atrasos no horários dos vôos, comissários que já não
atendem com a habitual cortesia e sorriso nos lábios, funcionários de
terra não tão motivados e lentos como nunca foram.
Para complicar o quadro, a VARIG acaba de apresentar novo prejuízo em
seu último balanço semestral. No ano passado, a empresa já tinha
amargado um prejuízo da ordem de 179 milhões de reais. A RIOSUL E A
NORDESTE, regionais controladas pela VARIG, apesar de financeiramente
mais saudáveis também enfrentam problemas e reclamações quanto ao
atendimento.
A VASP, dentre elas a mais problemática, agoniza e reluta em morrer, à
espera de poder ser vendida numa provável abertura do mercado para as
estrangeiras. Envolvida em denúncias e dívidas com o fisco, desde que
o controle acionário passou para as mãos do empresário Wagner
Canhedo, já foi socorrida em mais de uma ocasião pelo governo federal.
Apesar de ter apresentado, pelo menos na escrituração contábil, um
lucro de cerca de 114 milhões de reais no ano de 2.000.
Quem mais sofre com a situação caótica da VASP evidentemente são os
passageiros. Com os salários constantemente atrasados, a maioria
dos funcionários -- não que o fato justifique, em hipótese
alguma -- tem atendido pessimamente os clientes
em terra. No ar, é visível a má-vontade dos comissários,
alguns descambam mesmo para a grosseria ou indiferença. A alimentação
oferecida durante os vôos está fraquíssima: na maioria das vezes, a
ex-gloriosa Viação Aérea São Paulo, serve um pão murcho com 1
fatia de queijo e uma de presunto, quando não apresuntado.
Nem
é preciso falar dos atrasos e cancelamentos de vôos na VASP. Viraram
rotina e em muitas vezes o cliente nem é avisado por telefone do
cancelamento. Já aconteceu comigo.
A TAM a mais saudável e equilibrada do ponto de vista financeiro e
de bom atendimento ao passageiro, também anda tropeçando.
Pequenos tropeços, é certo, mas não anteriormente habituais . Com a
recente trágica perda de seu fundador, o carismático comandante Rolim
Amaro -- poucos dias antes da empresa completar 25 anos e
comemorar junto a conquista da liderança do mercado doméstico, com
29%, superando a Varig (28,5%) -- os funcionários
parecem ainda não ter assimilado o golpe.
As falhas na TAM tem sido pequenas -- atrasos em vôos e
informações desencontradas entre o pessoal de terra --- se
comparadas com a decadência explícita das antigas gigantes. É torcer
para que a TAM, agora sob o comando do cunhado, Daniel Mandelli, (mais pragmático e menos emotivo do que
Rolim) , não perca o
rumo certo, que o velho Comandante ensinou aos funcionários. O
passageiro
é tudo: faz o avião decolar, traz o lucro e o salário !!
No meio desse quadro crítico dos transportes aéreos, surge como
esperança, seguindo os passos da TAM e de Rolim, a GOL, que se intitula
Linhas Aéreas Inteligentes.
Presidida por Constantino Júnior, empresário oriundo do setor de
transportes rodoviários, a GOL está atendendo ainda poucos Estados,
mas com tarifas competitivas (algumas 40, 50% mais baratas)
e frota nova de Boeing 737-700. Vamos esperar que a GOL, que domina
ainda apenas 3,4% do mercado, seja realmente Inteligente
e adote não apenas
preços baixos, importantes, mas também o bom atendimento ao cliente,
fundamental. É a única pela qual
ainda não viajei. Não conheço o serviço.
Agora, no meu entendimento, a solução para a melhoria do setor e a
volta do respeito ao passageiro passa pela quebra do monopólio das linhas domésticas com
abertura total do mercado para as empresas internacionais. Seja
para comprar ou se associar às brasileiras. Seja para operar
diretamente. Só assim o consumidor terá concorrência,
competitividade,disputa, bom atendimento, serviço,preços e a
qualidade. Agora, as companhias aéreas brasileiras estão procurando o
apoio dos sindicatos de aeroviários e de aeronautas para "defender"
o mercado. Para eles, proprietários, é claro. Porque, não tenho
dúvidas, com quebra do monopólio, os profissionais terão mais
empregos e melhores salários.
Uma
ótima semana para todos --
Apertem os cintos porque o piloto sumiu faz tempo.
E, por enquanto, não há pára-quedas à bordo --
terça-feira (04/09) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
21 a 27 de agosto de 2.001
"MINISTÉRIO
DO APAGÃO" NÃO PODE
ESTAR ACIMA DA LEI E DA JUSTIÇA !!
Não bastassem as inúmeras medidas truculentas
impostas desrespeitando os consumidores brasileiros, a Câmara de
Gestão da Crise Energética deu agora também para não respeitar nem a
própria Justiça.
Ou melhor: não respeitar decisões da Justiça que lhe sejam desfavoráveis
!! Sim, porque as favoráveis além de "respeitar"
a GCE ainda com elas acena para intimidar a sociedade, como se verá
adiante.
Numa autêntica violência contra os cidadãos e os poderes constituídos,
o tal do "Ministério do Apagão" está pressionando e
ameaçando as concessionárias de energia elétrica para realizarem
rapidamente os cortes de energia dos consumidores residenciais que não
conseguiram cumprir as metas estabelecidas pelo governo, mesmo nos
Estados onde estejam em vigor liminares judiciais suspendendo ou
proibindo a medida de força.
Estamos por acaso em
guerra ? Onde o governo, em nome da segurança nacional, pode
suprimir direitos individuais e até se arvorar no direito de passar por
cima de decisões judiciais ??
O argumento usado pela Câmara de Gestão da Crise Energética é
ridículo: "que o fato do STF ter considerado constitucional, à
pedido do governo federal, a Medida Provisória do Apagão, impediria
que qualquer tribunal julgasse qualquer das centenas de
determinações contidas na MP.
Ora, a MP do Apagão, tem força de lei, é constitucional, na medida
que é prevista na atual constituição, não era nem preciso pedir ao
STF para declará-la constitucional. Mas é uma medida provisória,
como o próprio nome diz. Pode ser modificada, alterada e até
reprovada na íntegra pelo Congresso Nacional. E o fato do conjunto
de medidas que compõem a MP ser constitucional, não significa
que os dezenas de tópicos não possam ser contestados, isoladamente, na
Justiça. Seria negar o direito líquido e certo do cidadão e da
sociedade recorrer ao judiciário contra atos do governo que entendam
injustos e prejudiciais.
Mas, ameaçada pelo governo federal, a EletroPaulo, de São Paulo, já
começou a cumprir a ordem de cortar. Ou melhor, descumprir a liminar da
Justiça que determinou que estão suspensos os cortes de energia, bem
como a aplicação da sobretaxa, na verdade imposto-apagão. Foram
2 mil cortes iniciais e a concessionária, incorporando o discurso
oficial, já deixou claro que tem capacidade técnica para realizar até
10 mil cortes por dia. Uma violência contra famílias que vão ter
arranhada a dignidade, tomar banho gelado, não poder ler seus e-mails
na Internet, nem ver o noticiário na TV e ainda amargar perda
financeira com alimentos estragados no freezer e na geladeira, entre
outros absurdos. Mesmo estando com a conta de luz paga.
O Código de Defesa do Consumidor é claro: serviços essenciais não
podem ser interrompidos se o consumidor estiver adimplente, em dia com
suas contas. O cidadão que tiver a sua luz cortada, pode
-- e deve -- recorrer ao Procon. Nos Estados onde haja
liminar judicial proibindo os cortes, os Procons podem acionar o
Ministério Público para que este solicite da justiça, inclusive, a
prisão dos diretores da concessionária local por descumprimento da
liminar judicial.
Como nesta quinta-feira (23) se comemora o Dia da Luta Contra As
Injustiças,
talvez seja o momento ideal para os cidadãos protestarem contra esses
absurdos cortes de energia que por si só são uma violência, ainda
mais quando passam por cima de decisões da justiça brasileira. Afinal,
foi protestando que a sociedade conseguiu reverter o absurdo que
Agência Nacional de Saúde (ANS) queria fazer com os segurados dos
Planos de Saúde. Com os protestos, o governo federal voltou atrás e
retirou da MP as medidas que prejudicavam os associados. E as enviou,
como eu defendi em meu comentário da semana passada ( MP
que muda Lei dos Planos suprime direitos dos associados ) na forma
de projeto-de-lei para ser debatido no Congresso Nacional, com
acompanhamento das entidades e cidadãos.
Uma ótima
semana -- O Ministério
do Apagão não pode, nem tampouco tem o direito de levar os brasileiros
também para as trevas jurídicas. Só falta decretar o toque de
recolher às 22 horas...
-- terça-feira
(28/08) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
14 a 20 de agosto de 2.001
FIQUE
ATENTO: MP QUE MUDA LEI DOS PLANOS
SUPRIME DIREITOS DOS ASSOCIADOS
Criada
para regular o funcionamento harmônico do setor, fiscalizar as
empresas, mediar conflitos, mas sobretudo -- pelo menos
teoricamente -- defender o associados e segurados dos
planos e seguros-saúde, a ANS - Agência Nacional de Saúde está
trilhando justamente o caminho inverso.
Embarcou, ou foi embarcada, a ANS na defesa dos interesses das empresas e
seguradoras ao elaborar os
termos da nova Medida Provisória, MP 2177-43, que introduz profundas
alterações na Lei dos Planos de Saúde.
É bom relembrar que a Lei federal 9656/98 que regulamentou as
normas de operação dos planos e seguros-saúde foi fruto de anos de
discussão, idas-e-vindas, e significou avanços e conquistas para os
usuários dos planos privados. É bom também lembrar que ela
entrou em vigor só em janeiro de 99. Apenas há cerca de 2 anos e
meio...
Já sofreu tantas e várias emendas -- sempre através de
MPs -- sendo que a editada agora é a que pretende
alterá-la mais radical e profundamente. E que, concretizada, aprovada
pelo Congresso Nacional, vai transformar, de vez, a Lei numa enorme
colcha de retalhos.
E não é a toa que esta última investida está unindo até entidades
médicas e de defesa do consumidor que no passado tiveram divergências
entre si. Já se revoltaram e protestam contra o conjunto de
alterações, classificado de "imoral e truculento" , o
Conselho Federal de Medicina (CFM); a Associação Médica
Brasileira,(AMB); A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); a
Fundação Procon de São Paulo; o Instituto de Defesa do Consumidor
(IDEC), Procons de vários cidades; Sindicatos de Médicos e
Conselhos Regionais de Medicina de vários Estados, entre outros
órgãos e associações.
Repleta de dubiedades, a tal Medida
Provisória deixa margens à interpretações duvidosas e
possibilita que as seguradoras e empresas de assistência médica
busquem atalhos e desvios para otimizar lucros em detrimento do conjunto
de serviços prestados ao associado/segurado. Como, por exemplo,
permitir, à exemplo de passado recente, que as empresas criem planos
"segmentados" ou "regionalizados" que cubram
apenas determinados procedimentos médicos, excluindo doenças, ou
restringindo o atendimento à uma área geográfica e aos avanços
tecnológicos existentes somente naquela região.
Uma porta aberta na
contramão. Uma decisão absolutamente indecente, que coloca por terra e
em risco o maior dos direitos conquistados pelos usuários com a Lei
9656: a universalização de atendimento e a obrigatoriedade dos planos
e seguros-saúde cobrirem todas, sem exceção, todas doenças
reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Outra excrescência contida na nova MP é adaptação dos contratos antigos
às novas regras, até
dezembro de 2003. Ora, a Fundação Procon (SP), estima que dos
quase 40 milhões
de contratos existentes no mercado, 70% foram firmados antes da
aprovação da Lei, em janeiro de 99. Estão portanto amparados e regulados pelo Código de
Defesa do Consumido, muito mais amplo. Se vingar a nova exigência, os
planos e seguros, novos e antigos, passariam todos a serem regulados
pela atual Lei, que ora se tenta piorar com a edição da MP.
Mesmo quem têm contrato de assistência médica com a mesma empresa há
5, 10, 15, 20 anos. Seria uma perda, um retrocesso do ponto de vista
jurídico. O consumidor sofreria uma perda brutal de direitos e
redução do leque de instrumentos para recorrer de injustiças.
De forma sintomática, a ANS logo que foi duramente criticada saiu
em defesa das mudanças na Lei. Só não explicou -- até
porque não tem explicação lógica nem tampouco argumentos
convincentes -- porque tentar aprovar, novamente,
modificações tão profundas na Lei dos Planos de Saúde à toque de
caixa, através de Medida Provisória. Ora a MP é -- ou deveria
ser -- um instrumento de uso do presidente da
República, para ser usado apenas em casos de urgência ou emergência.
Por que a ANS não encaminhou uma proposta de projeto-de-lei que
pudesse ser debatido com calma seja nas comissões da Câmara e do
Senado, seja pelas entidades médicas, procons, usuários dos
planos de saúde, e a sociedade como um todo ??
Por tudo isso, FIQUE
ATENTO, MUITO ATENTO, mesmo que você receba uma proposta, um documento,
ou seja pressionado por sua empresa ou seguradora para assinar um novo
contrato ou repactuar seu atual contrato com base nas novas
medidas não assine nada de afogadilho. Espere para ver como evoluem os
debates sobre a nova MP no Congresso Nacional. Se a pressão for
muita, procure o Procon de sua cidade, o Juizado de Pequenas
Causas ou mesmo o aconselhamento de um advogado particular.
Uma ótima
semana -- se a MP dos planos de
saúde for aprovada como foi editada, salve-se quem
puder.
--
terça-feira (21/08) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
07 a 13 de agosto de 2.001
AS ÁGUAS DO VELHO CHICO
E AS CASCATAS DO "NOVO" FERNANDO
Não
foi nem promessa de campanha eleitoral -- dessas que o eleitor
fica revoltado, no princípio, mas acaba se resignando e aceitando o
descumprimento -- foi compromisso mesmo de um presidente
reeleito e exercendo o segundo mandato há mais de um ano.
Pois foi
assim que o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou em
braváticos discursos que estava encampando a idéia e que ele
faria, com toda certeza, a transposição das águas do Rio São
Francisco. O querido " Velho Chico" cumpriria, finalmente, com
a ajuda do novo "pai" , seu destino histórico de redentor da
Seca. Ou melhor da indústria da seca no nosso também querido Nordeste.
Em frente das câmeras, microfones e gravadores dos jornais impressos,
rádios, TVs e veículos na Internet de todo o país, o presidente
Fernando, prometeu, jurou de pé junto, que faria a obra pois ela
significaria a redenção econômica do Nordeste. E
"determinou" ao outro Fernando, o Bezerra, então ministro da
Integração Nacional, que colocasse em prática os estudos -- alguns
completando já 100 anos, outros recentes e atualizadíssimos
-- para viabilizar e concluir a obra nos três anos que ainda
faltavam para o término de seu novo mandato presidencial.
" Verbas não faltariam " ...
Mas não demorou muito, o pai adotivo, carinhoso,
coruja e que anunciava aos quatro ventos seu amor e confiança no filho
adotado, logo se transformou em padrasto cruel e algoz. Sempre se
"renovando" no estilo do vinho para a água -- com
o perdão do trocadilho -- FHC voltou atrás, menos de
um ano e meio depois, e envia balões-de-ensaio através de porta-vozes
e interlocutores dizendo que não poderá, ou talvez não possa mais,
realizar a transposição do São Francisco. "Há obstáculos
como a recuperação de partes do rio, que estão mortas" ,
argumentam constrangidos, sem convencer, os mensageiros do
presidente.
Um deles, quem diria, o novo ministro da Integração Nacional, o
ex-senador Ramez Tebet, justamente ex-presidente da Comissão de
Ética do Senado Federal, se contorce em malabarismos verbais tentando
explicar o inexplicável: "não é que o presidente não vá
mais realizar a obra. Este ano é que não vai dar mais. No próximo
ano, pode ser que dê. O que não quer dizer também que esteja
garantida" ...
Francamente... O compromisso firmado não passou
de mais uma cascata de Fernando Henrique. Como foram cascatas, entre
outras, a promessa de elevar o salário mínimo para um patamar digno; o
compromisso de extinguir a nefasta e "provisória" CPMF;
a promessa de efetivamente implantar programas transformadores da cruel
disparidade social brasileira; o compromisso de promover a Reforma
Tributária; a promessa de baixar os juros escorchantes aplicados aos
consumidores pelas corporações bancárias, cartões-de-crédito
e lojas de crediário em geral; e, bem recentemente, o
compromisso de pagar bônus para os cidadãos-consumidores de 100 até
200 KWh, que cumprissem as metas de
racionamento. "Mesmo que a multa (pomposamente chamada de
sobretaxa) de 20% imposta aos que ultrapassarem a meta não seja
suficiente para cobrir e para tal seja preciso utilizar dinheiro dos
cofres públicos" enfatizou Fernando Henrique e mandou os
ministro do Apagão enfatizar" ...
É
evidente que o dedo do Fundo
Monetário Internacional está
também presente nesta história toda. Para o novo empréstimo de 15
bilhões de dólares, o FMI exigiu do governo cortes de investimentos
públicos quase no mesmo valor: o Brasil terá que cortar 4,2 bilhões
ainda este ano e mais 10 bilhões no próximo ano. Fica claro que no
meio vai de roldão o que seria investido nas obras de transposição do
Rio São Francisco.
Uma pena. Poderia ter sido a grande obra. Ou melhor, a única grande
obra do governo FHC !
Mas
por certo há de chegar o dia em que um presidente tirará do papel e
realizará a sonhada transposição. Levando para as comunidades que
sofrem com a Seca, não as minguadas cestas básicas e os esmolantes
carros-pipas, mas sim as águas, ainda abundantes, do Velho Chico. Para
que os sertanejos possam, com dignidade, trabalhar, produzir e
movimentar a Economia da região. Sem ter que esmolar e beijar a mão de
políticos e governantes corruptos. E para realizar isso,
este político homem, ou mesmo mulher, quem sabe, não precisará
"ter aquilo roxo" , nem tampouco ser "cabra ou
mulher-macho" . Bastará ter palavra, ética e ... vergonha-na-cara
!
Desculpem
a indignação, uma ótima semana, um bom domingo dos Pais para vocês --
e como Deus é pai e não é padrasto, um dia o Velho Chico vai
conseguir um pai de verdade
--
terça-feira (14/08) eu
volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia !
Brasil,
31 de julho a 06 de agosto de 2.001
SE
ACORDO COM FMI FOR ATÉ 2.003,
FUTURO GOVERNO
FICARÁ ENGESSADO
O
presidente negou; o segundo escalão da equipe econômica negou; o
presidente do BC, Armínio Fraga, negou; porém quem mais vinha negando
a renovação do acordo com o FMI era o próprio ministro da Fazenda,
Pedro Malan. Que, agora, coma mesma ênfase, defende uma nova e
"impreterível" ida ao Fundo.
Independente
das exigências e metas estipuladas pelo órgão internacional. Mesmo que, entre elas
esteja, novamente, a exigência de cortes de investimentos --
como os cortes que desembocaram na atual caos no setor de
eletricidade -- para obtenção de superávit primário
(arrecadação governamental maior do que gastos públicos).
Acontece que Malan já falou para o público externo, e defende com unhas e
dentes no seio do governo, que o novo acordo com o FMI vigore até
o final de 2003 !
Ora, mutatis, mutandis, é uma guinada de posição, tão
brusca do início do ano para cá, que merece uma análise mais
aprofundada:
É claro que existe um novo quadro, uma nova conjuntura com o
agravamento da crise portenha -- que se arrasta há mais de 2
anos; acumula 7 planos mirabolantes e 3 ministros da fazenda, só no
governo Fernando De La Rúa -- além da crise energética
brasileira, vinda à tona no final de abril.
Pode até parecer óbvio que estes dois fatores tenham a ver com a
mudança de posição do governo, e mais especificamente do ministro
Malan.
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