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CARNATAL-99


MELHOROU A MOTIVAÇÃO DO PÚBLICO NA SEXTA


Foto: Canindé Soares

Com atraso um pouco menor na entrada dos blocos, de cerca de 30 minutos, a segunda noite, a chamada Sexta do Carnatal , alternou momentos de intensa empolgação com alguns momentos de indisfarçável indiferença e apatia. Mas uma coisa é certa: a alegria, a descontração e a motivação do público e dos foliões melhoraram -- e muito -- em relação à noite de abertura do evento.

Ao contrário do primeiro dia, a seqüência dos desfiles foi quase que integralmente cumprida. A exceção ficou por conta de Jerimum e Bicho Papão que tiveram invertidas a ordem de saída, logo após o novato Fuzuê, que mais uma vez teve a responsabilidade de abrir a festa.

Problemas com seguranças despreparados, que abusaram da truculência em alguns blocos; preços altos cobrados por uma grande parte dos barraqueiros instalados ao longo da área externa do Corredor -- onde os blocos desfilam para o povão, a apelidada "Pipoca"; e queixas de repórteres-fotográficos para os quais a empresa organizadora do Carnatal não reserva um espaço no alto e no meio do Corredor, mas apenas em torres na entrada e saída da avenida; além de muito apreensão de lança, marcaram os diversos instantes da festa.

Confira a seguir os destaques e o desempenho de cada bloco pela ordem de entrada no Corredor da Folia:

FUZUÊ : Pela segunda noite seguida com a responsabilidade de abrir a festa, o Fuzuê, apesar de estreante no Carnatal , não fez feio e apresentou um desfile descontraído e descompromissado. "melhorou 100% de ontem para hoje", dizia entusiasmado um folião potiguar mas com nome complicado, com o qual os pais pretenderam homenagear o famoso goleiro da copa do mundo de 70: Mazukyewysk.

Puxado pelo cantor e compositor Capilé, e trazendo vários "cantores da terra", em sua segunda passagem o Fuzuê apresentava bem menos componentes. Em compensação a galera das arquibancadas teve a "moral" levantada com belas modelos da Look em cima do trio elétrico. Despertou muita atenção, também, uma bela moça vestida com espartilho preto e que dançava entre as modelos.

BICHO PAPÃO: Com muita expectativa por parte dos foliões e do público em geral, criada pela presença do furacão baiano Daniela Mercury, o bloco e a vocalista não conseguiram empolgar as arquibancadas. Muitos componentes não escondiam a insatisfação: "zero para ela. Foi uma decepção", reclamavam Igor e Tházio, que saem no Bicho há 4 anos. Mesma opinião de Daniel, Gracielle, Cláudio e Cleinilson, que brincavam separados, mas foram unânimes em afirmar: "o Bicho é muito melhor com Ricardo Chaves".

A artista global Luana Piovane, atração do Bicho Papão resolveu descer do trio e acompanhar tudo lá em baixo na própria avenida. Antes de encerrar com O Canto desta Cidade "Natal" Sou Eu, Daniela "escorregou" e mandou um beijo para prefeita Vilma "MAIA" , desconhecendo que a burgomestra da cidade, há muitos e muitos anos, não é mais esposa do ex-governador Lavosier Maia.

JERIMUM : Contando com o carisma da cantora e compositora Ivete Sangalo, que empolgou os participantes do bloco, o Jerimum fez uma apresentação técnica embalada e baseada no bom pique da vocalista.

"A Ivete arrebentou", exaltavam os namorados Neuri e Jeferson, entre um beijo e outro. No trio elétrico, "ela" e os os músicos todos vestidos de branco, impecáveis, como antecipando a virada para o ano 2.000. Mas as atrações do bloco ficaram por aí. Afinal, Sebastian, o garoto propaganda da C&A , desfila todos os anos no Jerimum.

CAJÚ: O bloco, que tirou o Sal do nome, esteve meio insosso e não repetiu a performance de anos anteriores. Muitos componentes reclamavam do excesso de gente e da qualidade dos abadás. Caso de Suzana e Alice, que saem há 4 anos no Cajú e estavam revoltadas : "é o pior abadá dos últimos anos. Nem pochete e boné, que sempre fazem parte do kit, não deram este ano" .

Animado pelo som vibrante do Timbalada, eram tantos os foliões , que até ambulância tinha dificuldade para passar. Em determinado instante o Tibalada teve que parar de tocar, para que os participantes do Cajú abrissem caminho. Sobretudo na segunda volta, foram muitos os desentendimentos, brigas, e empurrões.

GALO DO SOL: Quebrando um pouco o ritmo da música baiana que toma conta do Corredor da Folia e de 90% do Carnatal, o Galo conitnua firme na disposição de divulgar o frevo pernambucano. Puxado pelo, também pernambucano, cantor André Rio o bloco à exemplo de outros anos, trouxe como abre-alas dançarinos de frevo, além dos que estavam em cima do trio elétrico.

Por uma problema técnico deixamos de publicar foto do bloco Galo do Sol. O que deve ser reparado na cobertura que estará no ar amanhã (05/12), uma vez que o Galo do Sol volta a desfilar hoje e será fotografado pelo RN VIRTUAL.

O Galo foi um dos blocos mais animados do Carnatal. Mesmo tendo enfrentado problemas por ter sido submetido a um verdadeiro "sanduíche humano", causado pelo fechamento dos portões do Corredor da Folia, ordenado pela segurança em virtude do engarrafamento dos blocos na segunda volta. No carro de apoio, causou sensação os bem-humorados artistas do irreverente grupo teatral que apresenta a ótima peça "Cinderela a Estória que sua Mãe não Contou".

A BARCA: O bloco trouxe uma novidade este ano para o Carnatal. Ao invés das tradicionais camisetas ou mortalhas, o abadá usado foi uma camisa com botões, baseada no uniforme dos jogadores de basebol. Muito bonito e criativo. A banda Pimenta Nativa animou os foliões mesclando canções e ritmos, como por exemplo: Mulher de Fases, da banda Raimundos, e Ana Júlia -- da banda Los Hermanos. Músicas de muito sucesso entre os adolescentes.

Na primeira passagem o bloco esteve contagiante. Já na segunda volta, bem que a "Pimenta" tentou mas não conseguiu manter a performance. Eram 03:40 da madrugada de hoje (04) e as arquibancadas e camarotes já estavam bastante esvaziados

COCOBAMBU: Em sua primeira volta, o desfile do bloco foi marcado por muitas brigas e desentendimentos de foliões. O que comprometeu a apresentação do Coco. Os seguranças, despreparados, acabaram piorando as coisas e o resultado foi que muitos participantes acabaram ficando tensos.

Puxado por André Lélis -- vocalista da banda Dimaçã e irmão de Durval Lelis, do Asa de Águia -- e por Jammil, o bloco apresentou um número muito grande de componentes. O que talvez tenha contribuído para ampliar os incidentes. Na Segunda volta estava mais animado, mas já passavam das 4 horas da madrugada e as arquibancadas estavam quase vazias. Mesmo assim conseguiu despertar os dorminhocos nos camarotes.

NANA BANANA: Depois do desempenho considerado por muitos como fraco e abaixo do seu tradicional na primeira noite de Carnatal, o Nana conseguiu se recuperar e fez uma apresentação animada. Bel Marques, do Chiclete com Banana, que estreou um trio elétrico novinho e com designer futurístico -- "talvez por ter tirado a calça de jeans e voltado à bermuda, mesmo que abaixo dos joelhos", como avaliou uma fã do vocalista -- deu a volta por cima e agitou a galera.

Como novidade, o Nana trouxe uma piscina em seu novo carro de apoio para refrescar os convidados VIPs. Na segunda volta, encerrando a noite de sexta, já passavam das 4:30 da madrugada deste sábado (04) e o bloco voltou "inchado" por foliões de vários blocos, penetras com coletes de "imprensa" de anos passados e muitos foliões fazendo uso de "lança". Um deles, já no final do Corredor, provocou um verdadeiro tumulto, sendo necessário a intervenção de nada menos que 10 agentes da Vara de Infância e Juventude de Natal e cerca de 6 soldados da Polícia Militar. Eram 5 horas da madrugada...

Neste sábado, de acordo com a novas alterações informadas pela organização do evento, está prevista a seguinte ordem de saída : 20:00 hs Fuzuê; Cajú; Jerimum; Bicho Papão e às 21:30 hs, o Nana Banana; A Barca; CocoBambu e o Galo do Sol deve fechar a noite, ou melhor, romper o dia entrando já no Domingo (05).

CLÁUDIO MONTEIRO
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